Pseudopeptídios ativos contra o vírus da hepatite c

  • Número do pedido da patente:
  • PI 0803695-0 A2
  • Número original:
  • PI 0902520-0 (Data:28/07/2009);
  • Data do depósito:
  • 28/07/2008
  • Data da publicação:
  • 31/08/2010
Inventores:
  • Classificação:
  • A61P 31/12
    Antiinfecciosos, i.e. antibi?ticos, antiss?pticos, quimioterap?uticos; / Antivirais;
    ;
    A61K 31/34
    Prepara??es medicinais contendo ingredientes ativos orgânicos; / Compostos heteroc?clicos; / tendo oxig?nio como o ?nico hetero?tomo de um anel, p. ex. fungicromina; / tendo an?is de cinco membros com um oxig?nio como o ?nico hetero?tomo de um anel, p. ex. isosorbida;
    ;
    C07D 493/04
    Compostos heteroc?clicos contendo ?tomos de oxig?nio como os ?nicos hetero?tomos do anel no sistema condensado; / em que o sistema condensado cont?m dois heteroan?is; / Sistemas condensados em orto;
    ;

PSEUDOPEPTÍDIOS ATIVOS CONTRA O VÍRUS DA HEPATITE C. A família Flaviviridae compreende mais de 60 viroses, muitas das quais são patogênicas ao ser humano. Dentre estas viroses encontram-se aquelas relacionadas ao vírus da Hepatite C (HCV), da Febre do Oeste do Nilo (ou Febre do Nilo Ocidental), da febre amarela e da Dengue. Os alvos da terapia anti-HCV estão concentrados nas diferentes etapas de replicação do RNA viral, e além desses as novas terapias estão direcionadas nas etapas de tradução (ribozimas, oligos anti-senso, RNAi), processamento proteolítico (inibidores da protease viral) e de replicação do genoma RNA (inibidores da RNA polimerase viral). A serina protease NS3 tem uma estrutura molecular muito diferente das serinas proteases das células humanas, o que possibilita o desenvolvimento de inibidores específicos para esta protease. Assim, na presente invenção são descritos compostos inibidores de serina proteases como potenciais medicamentos anti-hepatite C. Esses compostos apresentam um cerne rígido derivado do D-manitol, isomanideo, capaz de conferir rigidez ao inibidor, e que por sua natureza (anel de 5 membros contento um oxigênio, tetraidrofurano) também pode atuar em polimerases, como DNA ou RNA polimerases, inibindo-as.

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Documento

PI0803695-

PSEUDOPEPTIDIOS ATIVOS CONTRA O VIRUS DA HEPATITE C

Campo da Invenção

A presente invenção se refere à PSEUDOPEPTÍDIOS ATIVOS CONTRA 5 O VÍRUS DA HEPATITE C, desenhados como inibidores de polimerases e serina protease do vírus da Hepatite C (HCV), sintéticos, caracterizados por possuir, na porção central, uma estrutura do tipo 1,4 :3,6-dianidromanitol. As porções laterais são caracterizadas por possuir ligações peptidomiméticas 10 provenientes da abertura de diversas oxazolonas. Esses novos compostos ativos contra o vírus da hepatite C são a base para a preparação de formulações antivirais capazes de cessar a proliferação do HCV responsável pela flavivirose, a Hepatite C.

15

Fundamentos da Invenção

A família Flaviviridae compreende mais de 60 viroses, muitas das quais são patogênicas ao ser humano. Dentre estas viroses encontram-se aquelas relacionadas ao vírus da Hepatite 20 C (HCV) , da Febre do Oeste do Nilo (ou Febre do Nilo Ocidental), da febre amarela e da Dengue. No caso das hepatites virais, são pelo menos sete os tipos de vírus que já foram caracterizados: A, B, C, D, E, G e TT, que têm em comum o hepatotropismo e podem levar a inflamação e necrose 25 hepática. Hepatite é o termo genérico, com origem grega hepato- (fígado)    e -itis (inflamação), que designa a

inflamação do fígado.

As hepatites virais, particularmente,    são causadas por

diferentes agentes etiológicos, de distribuição global dentre 30 eles o HCV (Craxi, A.; Laffi, G.; Zignego, A.L. Mol. Aspects Med. 2008,    29,    85-95; Manns, M.P.; Foster, G.R.; Rockstroh,

J.K.; Zeuzem, S.; Zoulim, F.; Houghton, M. Nat. Rev. Drug

t

Em termos estruturais o HCV é um vírus envelopado, possuindo um genoma RNA, com aproximadamente 9.4Kb. O genoma possui uma única janela aberta de leitura que codifica três proteínas estruturais (cerne, El, E2) e sete proteínas não estruturais (p7, NS2 a NS5B). Duas regiões não traduzidas (UTR) presentes em cada extremidade do genoma são importantes para as etapas de tradução e transcrição do genoma RNA. Foi descrita uma grande variedade na seqüência genômica do HCV. Os diferentes genótipos foram reunidos em seis grupos principais e vários subtipos. Há uma distribuição geográfica diferenciada em relação aos diferentes genótipos. No Brasil, os mais freqüentes são os genótipos 1, 2 e 3 com incidência de 70; 2,5 e 28 %, respectivamente.

O genoma viral codifica uma única poliproteína longa de aproximadamente 3000 amino ácidos. Esta poliproteína é processada subsequentemente por proteases codificadas pelo vírus e pelo hospedeiro, gerando 10 proteínas virais maduras. As proteínas de cápsula ("core") El e E2 são estruturais e estão envolvidas com a montagem da partícula viral, enquanto as proteínas NS2 a NS5B são chamadas não-estruturais e estão envolvidas com a propagação do vírus. Estas proteínas não-estruturais incluem a helicase vírus-específica NS3, a protease NS3-NS4A e a RNA polimerase RNA-dependente NS5B (RdRp, ou replicase).

A atual terapia basea-se no uso do interferon alfa combinado com ribavirina. 0 tratamento apenas com o IFN-alfa apresenta apenas 10-19% de resposta sustentada. A Ribavirina é um análogo sintético da guanosina que tem ação direta contra vírus de RNA e DNA, por provável mecanismo de inibição da DNA polimerase vírus-dependente. A Ribavirina sozinha, no entanto, não tem qualquer efeito sobre a hepatite C. A combinação do interferon-alfa com a Ribavirina melhora a resposta virológica sustentada para 38-43%, com correspondente melhora na análise

histológica (biópsia) e, possivelmente, nas complicações em longo prazo da hepatite, contudo não há estudos prospectivos convincentes (Heathcote, E.J. J. Viral Hepat. 2007,    14, Suppl

1,    82-8;    Koike, K.J.    Infect. Chemother. 2006,    12,    227-32;

5 Toniutto,    P.; Fabris, C.; Pirisi, M. Expert. Opin.

Pharmacother. 2006,    7, 2025-35).

Mesmo com este arsenal terapêutico, a infecção pelo HCV é responsável por mais de 80% dos transplantes de fígado no mundo, e no Brasil. (Consenso da Sociedade Paulista de 10 Infectologia (SPI) para Manuseio e Terapia da Hepatite C, São Paulo, SP.) Diversos novos compostos têm sido avaliados para o tratamento das infecções pelo HCV. Esses compostos se encontram em fases iniciais de avaliação, ou seja, estudos in vitro ou pré-clínicos em animais. Porém, a maioria desses 15    compostos    ainda não    foi analisada em fases    de    triagem

envolvendo seres humanos (estudos clínicos). De forma geral, apenas 1 em cada 1.000 novos compostos chega a ser avaliado em etapas que envolvem seres humanos. Entre esses, somente 1 em 5 recebe a aprovação pelo Food and Drug Administration, FDA, 20 escritório de alimentos e medicamentos do governo dos Estados Unidos da América.

Vários esforços têm se concentrado na lista de tratamentos que tem se mostrado promissores em estudos clínicos envolvendo seres humanos. A Tabela 1 abaixo mostra alguns compostos com 25    potencial    de inibir a    infecção pelo HCV e as fases    clínicas

que se encontram.

Tabela 1    - Compostos    com potencial de inibição    da    infecção

pelo HCV e suas respectivas fases clínicas. (Soriano, V.; 30 Madejon, A.; Vispo, E.; Labarga, P.; Garcia-Samaniego, J.; Martin-Carbonero, L.; Sheldon, J. ; Bottecchia, M. ; Tuma, P.; Barreiro, P. Expert. Op. Emerg. Drugs 2008, 13, 1-19).

Fase I

Fase II

Fase III

Fase IV

ANA971

XTL-6865

(formerly HepX-C)

REBIF

Infergen /Consensus

Interferon Alfa oral

E - 1

IP-501

Amantadine

ANA 975

Civacir

Viramidine*

EMZ702

Omega Interferon

Zadaxin

HCV/MF59

Multiferon

NM283*

HCV-796*

IDN-6556

Bavituxinab

(Tarvacin)

Albuferon

Alinia

(nitrazoxanide)

IC41

BLX-883

(Locteron)

Medusa Interferon

R1626*

VX 950 **

GGI-5005

CPG 10101

NOV-205

BIVN-401 (Virostat)

XTL-2125

MX-3253

(Celgosivir)

G126270

SCH 503034**

VGX-410C

* Inibidores da RNA polimerase ** Inibidores da protease

Os alvos da terapia anti-HCV estão concentrados nas diferentes etapas de replicação do RNA viral, e além desses as novas terapias estão direcionadas nas etapas de tradução (ribozimas, oligos anti-senso, RNAi), processamento proteolítico (inibidores da protease viral) e de replicação do genoma RNA (inibidores da RNA polimerase viral).

O Valopicitabine (Idenix Pharmaceuticals) , já em fase avançada de testes    clínicos, se caracteriza por    ser    um

inibidor RNA-RNA polimerase viral, e a análise envolvendo 79 pacientes mostraram em duas semanas uma redução de 90% da carga viral,    sendo    que a maioria    desses pacientes    não

respondia ao tratamento com interferon. O Valopicitabine será empregado como um terceiro medicamento no tratamento, junto com o interferon e a Ribavirina, para se obter uma maior resposta terapêutica. Duas outras drogas, das quais uma deverá ser utilizada    como    terceira droga    no tratamento    são    os

inibidores de protease:    SCH-503034 (Schering-Plough) e o VX-

950 (Vertex) .    Em    estudo realizado    pela Vertex    em    34

voluntários com o VX-950, mostrou que após duas semanas de tratamento a diminuição da carga viral foi 250 vezes maior do que o Interferon Peguilado combinado a Ribavirina na redução da carga viral.

O HCV tem dois alvos potenciais para desenvolvimento de novas drogas antivirais. Um é a molécula de (NS5) RNA Polimerase RNA dependente que consegue replicar uma molécula de RNA em outra. Esta é uma atividade única dos vírus de RNA, não se encontrando essa atividade nas células hospedeiras. Dessa forma a RNA Polimerase RNA dependente ê um alvo muito específico para o HCV. Além da replicase viral ainda temos a NS3 (serina protease) que é responsável pelo processamento da poliproteína viral. Apesar de ser uma serina protease, a NS3 tem uma estrutura molecular muito diferente das serinas proteases das células humanas, o que possibilita o desenvolvimento de inibidores específicos para esta protease.

O peso molecular do monômero da protease NS3 do HCV é de 70 kDa. Sua estrutura ativa é um dímero e a estrutura terciária do monômero tem uma extensão na porção N-terminal, 2 domínios com 6 "beta-barrels" (conjunto de fitas beta-pregueadas) cada, assim como um domínio de troca e uma alfa

hélice. O sítio ativo da protease está localizado na porção N-terminal. Comparando a seqüência da NS3 de outros flavivírus podemos identificar três resíduos conservados (His-57, Asp-81, and Ser-139) que compõem o centro catalítico desta protease. O centro ativo da protease NS3 contém um sítio estabilizador de um oxiânion tetraédrico, intermediário da reação, "oxyanion/stabilization loop", e uma fita E2 e precedida por uma fita El. A NS3 cliva a poliproteína viral entre os resíduos de aminoácidos Cys/Ser (nos sítios 4B/5A e 5A/5B), Cys/Ala (no 4A/4B), ou Thr/Ser (no 3/4A).

A NS3 assume uma estrutura de dois conjuntos de fitas beta pregueadas. O primeiro localizado na porção N-terminal contém as fitas Al, Bl, Cl, Dl, El, e F1. O segundo barril beta é composto pelas fitas A2, B2, C2, D2, E2, e F2.

Vários trabalhos têm sido relatados sobre inibidores de serina protease. Recentemente, derivados hexapeptídicos contendo uma função eletrofílica cc-ceto-amida têm sido descritos como potentes inibidores da serina protease de HCV (Arasappan, A.; Njoroge, F.G.; Chan, T.-Y.; Bennett, F.,-Bogen, S.L.; Chen, K. ; Gu, H. ; Hong, L. ; Jao, E.; Liu, Y.-T.; Lovey, R.G.; Parekh, T.; Pike, R.E.; Pinto, P.; Santhanam, B.; Venkatraman, S.; Vaccaro, H. ; Wang, H. ; Yang, X.; Zhu, Z.; Mckittrick, B.; Saksena, A.K.; Girijavallabhan, V.; Pichardo,

J.; Butkiewicz, N.; Ingram, N.; Malcolm, B.; Prongay, A.; Yao, N. ; Marten, B.; Madison, V.; Kemp, S.; Levy, O.; Lim-Wilby, M. ; Tamura, S.; Ganguly, A.K. Bioorg. Med. Chem. Lett. 2005, 15, 4180-4184) . Ainda dentro da classe das a-ceto-amidas, o VX-950 e o SCH503034 (Bocepravir), já mencionados anteriormente, encontram-se em desenvolvimento clínico. O VX-950 foi capaz de reduzir a carga viral plasmãtica de pacientes dosados com 750mg a cada 8h, e em alguns pacientes o vírus tornou-se indetectável após 14 dias de dosagem (Chen, K.X. ; Vibulbhan, B.; Yang, W. ; Cheng, K-C.; Liu, R. ; Pichardo, J. ;

Butkiewiez, N.; Njoroge, F.G. Bioorg. Med. Chem. 2008, doi:10.1016/j.bmc.2007.11.002.    Perni,    R.B.;    Almquist,    S.J.;

Byrn, R.A.; Chandorkar, G. ; Chaturvedi, P.R.; Courtney, L.F.; Decker, C.J.; Dinehart, K.;    Gates,    C.A.;    Harbeson,    S.L.;

5 Heiser, A.; Kalkeri, G. ; Kolaczkowski,    E.; Lin, K. ; Luong, Y-

P.; Rao, B.G.; Taylor, W.P.;    Thomson,    J.A.;    Tung, R.D.;    Wei,

Y.; Kwong, A.D.; Lin, C. Antimicrob. Agents Chemother. 2006, 50, 899-909).

10


15


Sumário da Invenção

Contrariamente a todos os relatos concernentes a inibidores de serina proteases como potenciais medicamentos anti-hepatite C, na presente invenção são descritos compostos envolvendo um cerne rígido derivado do D-manitol, isomanideo, capaz de conferir rigidez ao inibidor, e que por sua natureza (anel de 5 membros contento um oxigênio, tetraidrofurano) também pode atuar em polimerases, como DNA ou RNA polimerases, inibindo-as.

Estes inibidores apresentam as fórmulas gerais I e II.

y


20

X sendo, entre outros, diversos grupamentos fenila p-substituídos ou heterocíclos.

Y sendo, entre outros, grupamentos fenila ou metila.

Z sendo, entre outros, grupamentos de proteção, benzila (-Bn), carboxibenzila (-Cbz) ou carboxi-t-butila (-Boc).

Descrição Detalhada da Invenção

Os compostos foram desenhados como inibidores da serina protease do vírus e potencialmente inibidores de RNA e DNA polimerases.

No que diz respeito à serina proteases, a determinação do modo como a serina protease atua para possibilitar a hidrólise de peptídeos é uma característica importante na pesquisa de eficazes inibidores enzimáticos.

Estudos recentes de nosso grupo mostraram a obtenção de novas séries de compostos pseudopeptídeos derivados do isomanídeo (Esteia Maris Freitas Muri, Marlito Gomes Junior, Jerônimo S. Costa, Marcelo Lima Bastos, Ricardo Hernandez-Valdes, Magaly Girão Albuquerque, E.F.F. da Cunha, Ricardo B. Alencastro, O.A.C. Antunes "Compostos inibidores de serina protease, processo de obtenção e uso para tratamento de flaviviroses" PI 0401908-3, 04/06/2004. RPI 1762 de 13/10/2004, RPI 1828 de 17/01/2006; Muri, E. M.F.; Gomes Jr. , M.; Albuquerque, M.G.; Cunha, E.F.F.; Alencastro, R.B.; Williamson, J.S.; Antunes, O.A.C. Amino Acids 2005, 28, 413-419. Muri, E.M.F.; Gomes Jr., M. ; Costa, J.S.; Alencar, F.L. Sales Jr., A.; Bastos, M.L.; Hernandez-Valdes, R.; Albuquerque, M.G.; Cunha, E.F.F.; Alencastro, R.B.; Williamson, J.S.; Antunes, O.A.C. Amino Acids 2004, 27, 153-157) . Nesse trabalho foi realizado um estudo de modelagem molecular (docking) de um fragmento de MbBBI (um potente inibidor de NS3-pro) no sítio ativo da enzima NS3 protease, validando, assim, o modelo proposto para o estudo com os nossos compostos sintetizados. O composto estruturalmente mais simples da série dos ésteres apresentou 3 ligações hidrogênio com a enzima. Uma ligação entre o grupo NH da Gly133 e o átomo de oxigênio do anel biciclo corresponde a posição Pl' do nosso composto. As outras duas ligações correspondem à posição Pl, ou seja, a Alanina do composto interagindo com a hidroxila da Ser135 e com a Asn152 da enzima.

Os compostos de fórmula geral I foram idealizados a partir do isomanídeo como análogos dos previamente publicados pelo grupo, com a analogia adicional a pró-nucleosídios, isto é, compostos capazes de inibir polimerases. Sua analogia estrutural com dipeptídeos rígidos cíclicos o faz um excelente chassi, cerne rígido, "scaffold". (Bencsik, J.R.; Kercher, T. ; 0'Sullivan, M.; Josey, J.A. Org Lett. 2003, 5, 2727-2730. Dietrich, E.; Lubell, W.D. J. Org. Chem. 2003, 68, 6988-6996. Além disto, pelo fato de apresentar um eixo C2 de simetria, pode ser homologado, em duas ou em uma posição, mantendo ou não o eixo de simetria, via reação com diferentes amino ácidos e diidroamino ácidos, por exemplo via acoplamento direto catalisado por EDC, HOBt, e amino ácidos ou via abertura de azalactonas (síntese em paralelo, química combinatória).

A partir dos dados obtidos anteriormente passou-se, então, a etapa de síntese dos inibidores da serina protease previstos.

A primeira etapa na obtenção dos derivados de fórmula geral I consistiu na conversão do isomanideo (1) no derivado di-tosilado (2) por reação com cloreto de p-toluenosulfonila em piridina por 12h a temperatura ambiente. O tratamento do di-tosilado' (2) com azida de sódio em [bmim]BF4 a 120°C por 12h forneceu a di-azida (3), com inversão de configuração. Redução da di-azida (3) com paládio sobre carbono em etanol por 12h utilizando uma pressão de 40psi resultou na di-amina (4), que foi o substrato para a formação de novas amidas simétricas derivadas do isomanideo (28-45) (Esquema 1) (Archibald, T.G.; Baum, K. Synth. Comm. 1989, 19, 1493-1498. Hockett, R.C.; Fletcher Jr. ,    H.G.; Sheffield,    E.L.; Goepp Jr. ,    R.M. ;

Soltzberg. J. Chem. Soc.    1946,    68,    930-935. Kuszmann, J.;

Medgyes, G. Carbohyd. Res. 1980, 85, 259-269).

Esquema 1. Síntese dos compostos intermediários para a obtenção da di-amina (4).

NaN3

[Bmim]'BF4+

N3

/

/

O

H2, Pd/C 10%

h2n.

H

,0.

120°C, 12h

f

^\J

EtOH, 12h

[

J

-►

L

—L

-►

78%

\

0

\

iv

zN

OJ

0

H

1mh2

3

4

Diferentes

solventes

podem ser

usados

na etapa

substituição

nucleofílica,

tais como,

DMF

e

DMSO. Porém

[bmim]BF4, líquido iônico, apresenta muitas vantagens em relação aos solventes orgânicos convencionais, além de ter apresentado um melhor rendimento reacional. Os líquidos 10 iônicos não possuem pressão de vapor mensurável à temperatura ambiente, e mesmo a temperaturas bastante elevadas degradam apenas acima de 400°C, podendo ser usados em vácuo sem que haja perda de solvente. Devido a esses fatores, além da possibilidade de sua reutilização, os líquidos iônicos são, 15 hoje em dia, muito empregados no conceito de Química Verde (Andrade, C.K.Z.; Takada, S.C.S.; Alves, L.M.; Rodrigues, J.P.; Suarez, P.A.Z.; Brandão, R.F.; Soares, V.C.D. Synlett 2004, 12, 2135-2138. Lancaster, N.L.; Salter, P.A.; Welton, T.; Young, G.B. J. Org. Chem 2002, 67, 8855-8861).

20    O líquido iônico, [bmim]BF4 (7) foi sintetizado a partir

do N-metil imidazol (5) . Este reagiu com o 1-bromobutano formando o derivado (6) que, por troca iônica com NaBF4, originou (7). O líquido iônico foi purificado por coluna cromatográfica em sílica gel tendo como eluente o diclorometano, sendo obtido em 83% de rendimento como mostrado no esquema 2 (Lancaster, N.L.; Salter, P.A.; Welton, T.; Young, G.B. J. Org. Chem 2002, 67, 8855-61).

Esquema 2. Síntese do liquido iônico [Bmim] + [BF4] "

\


\


\


N


1)    Bromobutano, Tolueno, 0°C

2)    110°C, 36h


N

N' Bf


NaBF4, CH2C12 24h, t.a.

-*

83%


N

N


e

bf4


5


(CH2)3CH3

6


(CH2)3CH3

7


A etapa seguinte consistiu na obtenção das oxazolonas (ou azalactonas) (10-27) a partir da glicina (8) comercialmente disponível. Para a obtenção do composto (9a), reagiu-se a glicina (8) com cloreto de benzoíla em solução aquosa de NaOH. O produto suficientemente puro foi obtido em 95% de rendimento. A N-acetilglicina (9b) foi obtida pela reação de (8) com anidrido acético em meio aquoso sob refluxo, sendo obtida em 77% de rendimento após precipitação e filtração, como observado no esquema 3 (Mesaik, A.M.; Rahat, S. ; Khan, K.M. ; Zia-Ullah.; Choudhary, M.I.; Murad, S.; Ismail, Z.; Atta-ur-Rahman and Ahmad, A. Bioorg. Med. Chem. 2004, 12, 2049-2057).

Esquema 3. Síntese dos derivados acilglicina (9a) e (9b)

H,N

O


O

N

H O

95%



OH


OH


OH


Os derivados (9a) e (9b) foram aquecidos com vários 5 aldeídos aromáticos na presença de anidrido acético e acetato de sódio, gerando as oxazolonas (ou azalactonas) (10-27) exclusivamente em Z, o isômero termodinamicamente mais estável (Esquema 4) . A Tabela 2 apresenta os respectivos rendimentos, pontos de fusão e substituintes das oxazolonas (Jendralla, H.; 10    Seuring, B.;    Herchen, J.;    Kulitzscher,    B.;    Wunner, J.;

Stiiber, W. ; Koschinsky, R. Tetrahedron 1995,    51,    12047-12068.

Bautista, F.M.; Campeio, J.M.; Garcia, A.; Luna, D.; Marinas,

J. M.; Romero, A. A. J. Chem. Soc. Perkin Trans. 2002, 2, 227-234. Meiwes, J.; Schudok, M.; Kretzschmar, G. Tetrahedron:

15 Asymmetry, 1997,    8,    527-536. Lisichkina, L.N.; Ushakova, O.M.;

Alekseeva, M.O.; Peregudov,    A.S.; Belikov,    V.M.    Russ.    Chem.

Bull. 1999,    48, 1682-1684.    Wong, H.N.C.;    Xu,    Z.L.;    Chang,

H.M.; Lee, C.M. Synthesis, 1992,    793-797. Hoshina, H. ; Kubo,

K.    ; Morita, A.; Sakurai, T. Tetrahedron, 2000,    56,    2941-2951.

20    Slater, G.;    Someville, A.W.    Tetrahedron,    1966,    22,    35-42.

Paul, S.; Nanda, P.; Gupta, R. ; Loupy, A. Tetrahedron Lett 2004, 45, 425-427. Kitazawa, M.; Higuchi, R.; Takahashi, M. J Phys. Chem. 1995, 99, 14784-14792.

Esquema 4. Síntese das oxazolonas O


H O


O


,OH NaOAc, Ac20