Composição nutricional complementar

  • Número do pedido da patente:
  • PI 9904017-4 B1
  • Data do depósito:
  • 13/05/1999
  • Data da publicação:
  • 08/07/2003
  • Data da concessão:
  • 25/08/2015
Inventores:
  • Classificação:
  • A23L 1/29
    Alimentos ou produtos aliment?cios; Seu preparo ou tratamento; / Modifica??es nas qualidades nutritivas de alimentos]; Produtos diet?ticos;
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. COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL COMPLEMENTAR. A presente invenção se refere a uma composição balanceada, cujo objetivo é complementar as necessidades nutricionais diárias de indivíduos altamente debilitados, em particular pacientes com avançado estado de desnutrição em decorrência de doenças que comprometem os órgãos do aparelho gastrointestinal. Também é indicada para outras patologias, como por exemplo, insuficiência renal e diabetes, pacientes portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), pacientes idosos debilitados e desnutridos em geral. É igualmente indicado para pessoas que se submetem a exercícios físicos prolongados, que desejem adquirir massa muscular e/ou equilibrar seu peso. Caracteriza-se por ser utilizada preferencialmente por via oral e por compreender formulações à base de isolados protéicos, contendo de 20 a 23% de proteínas de alto valor biológico, aliados a outros alimentos in natura.

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Documento

COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL COMPLEMENTAR Campo da invenção

A presente invenção se refere a uma composição balanceada, cujo objetivo é complementar as necessidades nutricionais diárias de pacientes altamente debilitados, em particular pacientes com avançado estado de desnutrição em decorrência de doenças que comprometem os órgãos do aparelho gastrointestinal.

Fundamentos da invenção

A singularidade do tratamento nutricional dos pacientes oncológicos submetidos à cirurgia e a tratamento conservador ( rádio e quimioterapia, colocação de prótese, e outros) torna-se um dos cuidados coadjuvantes na visão ampliada do tratamento daqueles pacientes. O estado de nutrição em que se encontra o paciente é um fator importante para o bom desempenho do procedimento cirúrgico que se faça adequado. Em muitos casos, há necessidade urgente de radioterapia ou quimioterapia no pós-operatório. Observa-se que o estado de nutrição do paciente influencia e contribui fortemente para a obtenção de um melhor resultado após o tratamento indicado.

Hábitos al imentares inadequados contribuem para agravar a situação de desnutrição. Em geral os grãos de cereais, quando utilizados, chegam à mesa descorticados, pobres em vitaminas, minerais e fibras. Os vegetais folhosos e outras hortaliças, e as frutas, que são alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras, são, muitas vezes, relegados a segundo plano na dieta habitual do brasileiro. Todavia, isto já não ocorre com os variados tipos de carne e o tradicional feijão preto, mulatinho ou ainda o feijão de corda.

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Segundo os dados revelados pelo Ministério da Saúde - Instituto Nacional de Câncer - INCA / Coordenadoria de Programas de Controle do Câncer (Pro-Onco) - O problema do Câncer no Brasil, 4a Edição, Rio de Janeiro, INCA/Pro-Onco,1997 - sobre os registros de câncer de base 5 populacional no país, identificados em cinco cidades brasileiras, verificou-se que o câncer de estômago, aliado ao de pulmão e de próstata, aparecem como os três primeiros agravos à saúde do sexo masculino. As maiores incidências de câncer de estômago foram observadas em Belém e Fortaleza. Na mulher, com destaque para o ío câncer de colo uterino e de mama, o câncer de estômago aparece como a terceira localização anatômica. O maior agravo da freqüência aumentada para esse tipo de câncer parece ser o diagnóstico tardio. No que concerne ao câncer de esôfago, a taxa de mortalidade proporcional observada no período de 1989 a 1994 evidencia uma estabilização, embora não 15 possamos afirmar que esteja ocorrendo uma “diminuição progressiva”, visto que não há campanha ou programa de governo que vise detectar precocemente o câncer de estômago no país. Tampouco os hábitos alimentares dos brasileiros têm se modificado a ponto de podermos afirmar que está havendo maior proteção ao organismo. Dessa feita, há 20 de se registrar os óbitos que não são notificados e a grande lacuna observada na coleta das informações sobre a doença e sua evolução.

A perda ponderai toma-se, portanto, o primeiro sinal característico observado naqueles pacientes acima citados, além de outros sinais e sintomas clínicos que acompanham a evolução da doença. Nesses 25 pacientes em que se vêem comprometidos órgãos do aparelho gastrointestinal é evidente que a absorção dos nutrientes fica prejudicada pela competição do tumor, sua invasão nas estruturas mais próximas e as

idiossincrasias que brotam entre o hospedeiro e o tumor, gerando um extraordinário desequilíbrio metabólico com repercussão em várias outras estruturas do corpo físico, e ainda em nível mental e psicológico. A maioria dos pacientes que chega aos ambulatórios dos hospitais públicos, principalmente, apresenta-se caquética, caracteristicamente desnutrida e em estado avançado da doença.

A presente invenção foi desenvolvida com base em experimentos aplicados a pacientes com patologias esôfago/gástricas, apresentando perda ponderai acima de 10% e disfagia intensa quando da hospitalização, visando conhecer a expectativa da evolução nutricional desses pacientes por meio de complementação nutricional à ingestão oral líquida insuficiente, tanto no pré-operatório como em procedimentos específicos de tratamento de tumores.

Descrição de estado da técnica

Foram divulgados vários estudos que evidenciam a existência de uma relação entre os alimentos ingeridos habitualmente e a carcinogenicidade.

Em 1983, estudos epidemiológicos realizados na França, demonstraram que, em sua grande maioria, os canceres de etiologia alimentar são causados por tumores que afetam os tecidos do tubo digestivo e dos epitélios glandulares, como por exemplo os referidos ao seio, à próstata e ao pâncreas.

Pesquisas realizadas em outros centros conseguiram relacionar a incidência de câncer gástrico a certos tipos de alimentos, caracterizando hábitos alimentares de determinados países ou regiões. Da mesma forma, há estudos correlacionando alimentos considerados “protetores”, que uma vez incluídos na dieta habitual, proveríam ação anti-cancerígena.

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Na verdade, as pesquisas continuam investigando outros fatores extrínsecos e intrínsecos, no ambiente natural, que possam ter comprometimento com a incidência de câncer na espécie humana e animal. Contudo, tais estudos exigem, além de recursos, tempo e controle da população investigada, apurado rigor científico da técnica aplicada para a confiabilidade dos resultados encontrados.

Existe ainda a analogia entre fatores e cofatores que habitam o mesmo hospedeiro, potencializando a existência de situação desejável à carcinogenicidade. As evidências são muitas. Por exemplo, o hábito de fumar, de ingerir bebidas alcoólicas, as condições sócio-econômica e cultural, a baixa ingestão calórica da dieta habitual, e a baixa ingestão de vitaminas e minerais são considerados fatores de risco.

Por outro lado, pacientes portadores de tumores e com deficiência nutricional constituem uma população considerada de alto risco, quando se leva em conta que a ingestão de alimentos e água tomam-se também fatores de risco no desenvolvimento do tumor.

Segundo estudo divulgado por BRENNAN, M. F- Supportive case of the câncer patient, In: DE VITTA, Jr.-“Câncer Principies and Practice of Oncology”, Chap. 43, Lippincott and Co., 1628-32, 1982 -existe relação entre a quantidade de calorias diária ingerida pelo paciente e a dimensão do tumor. Inferindo-se a um paciente pesando 60 kg seu requerimento energético em 24 horas atingiría quase 30% a mais, se as necessidades calóricas habituais fossem 2800 kcal/dia. No entanto, referindo-se a um paciente com ingestão habitual de 1200 kcal/dia, suas necessidades nutricionais alcançariam mais do que duas vezes. Além disso, vários autores como VALENTE, F. S. L.; CORSO, A. C. T. -Implementação do sistema de vigilância alimentar e nutricional

(SISVAN) junto aos pacientes internados no Hospital Universitário da UFSC, Saúde em debate, n. 36, 81-88, 1992 ; MARCHINI, J. S. et al. -Avaliação nutricional de pacientes hospitalizados, Revista da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral, 7: 25-9,1986, e, WAITZBERG, D. L.;

5 CORREIA, I. ; CAIAFFA, W. - Multicenter Group of the Brazilian Society of Paresteral and Enteral Nutrition -Brazilian National Survey on Hospital Malnutrition and Nutritional Therapy, JPEN, 21; 510, 1997 -consideram que a Desnutrição Protéico-Calórica - DPC - é um dos principais problemas de pacientes hospitalizados, contribuindo para ío aumentar o tempo de internação. Este diagnóstico tem sido uma observação comum nos pacientes de câncer. Na clínica cirúrgica, as causas mais observadas que contribuem para que se chegue a um estado de desnutrição significativo, são a anorexia alimentar (falta de apetite), em decorrência do metabolismo alterado do hospedeiro induzido pelo is tumor, ou pela obstrução parcial ou total da luz dos órgãos, prejudicando a ingestão e a absorção dos nutrientes (obstrução mecânica).

Caracteriza-se, então, um processo hipercatabólico presente no corpo desse paciente, graças à ação dos tumores que captam do hospedeiro os aminoácidos e os retêm. Portanto, nutrientes corporais vão 20 se perdendo rapidamente, como se consumidos em processo de alta energia.

Os pacientes em tratamento no pré- e pós-operatórios são freqüentemente abalados por inúmeros procedimentos a que são submetidos. Além dos exames de rotina (sangue, urina, raio X), 25 endoscopia, tomografia, ultra-sonografia, etc., pesam sobre aqueles pacientes os riscos de uma quimioterapia, radioterapia, nutrição

parenteral e a própria cirurgia. Não são procedimentos simples nem baratos, e exigem muito das condições clínicas dos pacientes.

É, portanto, um objetivo da presente invenção fornecer ao paciente um complemento nutricional capaz de melhorar seu estado nutricional.

Outro objetivo da invenção é fornecer ao paciente um complemento nutricional capaz de criar condições que ajudem o paciente a suportar a aplicação do tratamento recomendado.

Um outro objetivo da invenção é oferecer um complemento nutricional capaz de dar condições metabólicas suficientes, ao paciente que será submetido a grandes cirurgias oncológicas.

Sumário da invenção

A invenção se refere a composições nutricionais balanceadas, para serem utilizadas preferenciaimente por via oral, por pacientes portadores de carcinogenicidade, especialmente do aparelho gastrointestinal, como complemento nutricional no combate à desnutrição protéico-calórica destes pacientes. Compreendem formulações à base de isolados proteicos, aliados a outros alimentos “in natura”, contendo cerca de 20 a 23% de proteínas de alto valor biológico.

Descrição detalhada da invenção

Os critérios utilizados para pesquisar a desnutrição de pacientes hospitalizados são os aplicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), onde são estabelecidas as necessidades diárias de energia e de proteínas.

A medida mais freqüente do peso corporal pode sinalizar se a dieta ingerida pelo paciente está mantendo o balanço nitrogenado - teor de proteína (aminoácido) absorvida - positivo ou não. No caso específico do paciente oncológico, as terapias coadjuvantes (quimio- e radio-

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terapia) podem alterar o percurso gastrointestinal normal, trazendo desconfortos abdominais para o paciente, como vômitos e diarréias, além de anorexia, disfagias e outras idiossincrasias alimentares observadas nesse tipo de paciente. Portanto, torna-se necessário avaliar cuidadosamente a evolução do peso corporal e seu significado. E importante conhecer a história do paciente com relação à perda de peso, procurando- se estabelecer sua relação ao peso ideal e ao peso habitual, além da idade e sexo.

Para que as evidências demonstrem um balanço nitrogenado positivo é necessário que o paciente ganhe peso. No paciente oncológico o gasto energético supera em muito os gastos com um ato cirúrgico, podendo chegar a consumir em tomo à cirurgia cerca de 100 gramas de nitrogênio, segundo estudos publicados por ANDRIGUETTO, P. C. ; ARTIGAS, G. V. - Suporte Nutricional em Câncer - Suporte Nutricional Parenteral e Enteral, Rio de Janeiro - Koogan S. A., 1985.

Sabe-se que cerca de 30 a 100% dos pacientes que apresentam câncer avançado, mostram um balanço nitrogenado negativo. Outros pacientes, embora com a doença em atividade, podem demonstrar um balanço nitrogenado positivo, porém observa-se que eles continuam perdendo peso. Estes dados bem demonstram a dificuldade de interpretação dos resultados, visto que a quantidade de variáveis a serem consideradas é muito grande, assim como a inter-relação dessas variáveis e sua influência sobre o paciente.

Outra questão refere-se aos estudos realizados quanto à aplicabilidade das proteínas séricas (albumina e transferrina) na avaliação nutricional. Há sinais de limitações de seu uso quando se quer investigar a relação existente entre a desnutrição protéico-energética e os

parâmetros usualmente utilizados na rotina hospitalar. A hipoalbuminemia observada no paciente com câncer metastásico é uma das mais freqüentes anomalias consideradas “não específicas”.

Na década de 50 estabeleceu-se uma concentração de 4,0 g/dl para adultos normais, tendo sido, contudo, encontradas em pacientes com câncer, concentrações de 2,9 g/dl e no entorno de 1 g/dl, durante a evolução da doença. Estes dados foram significativos para a construção de novos estudos sobre proteínas plasmáticas, tendo-se concluído que esses parâmetros são de pequeno valor quando se infere o estado nutricional do paciente de per se.

Há ainda a considerar outras observações que fazem alguns autores sobre os níveis ótimos ou comprometedores de transferrina sérica. Informa-se que abaixo de 170 mg/dl pode indicar uma DPC moderada, enquanto que abaixo de 150 mg/dl, uma grave desnutrição. Há referências que dão conta de casos que levaram a um aumento da mortalidade pós-operatória, quando os níveis de transferrina sérica à admissão hospitalar eram inferiores a esses valores. Estudos mais recentes concluíram que os níveis plasmáticos das proteínas hepáticas vão variar de acordo com a presença de processo infeccioso ou trauma, além da presença de ferro, zinco, cobre e vitamina A no organismo do paciente.

A avaliação do estado nutricional do paciente oncológico requer, em síntese, observar todas essas vanâncías que comprometem um equilíbrio nitrogenado positivo, por meio de exames de rotina e dos indicadores que melhor orientam a conduta a ser tomada. A perda ponderai é um desses indicadores.

Para o estudo por nós desenvolvido, consideramos o peso habitual do paciente como determinante do seu estado nutricional. Assim, a perda ponderai de até 10% de seu peso habitual pode indicar um alerta; de 10 a 20% já indica alteração do estado nutricional, e, acima de 20% pode-se afirmar que se trata de uma alteração grave.

Dependendo do grau de desnutrição em que se encontra o paciente, a preocupação é sempre a mesma. Um paciente que possui um tumor ou vários ocupando extensa área do aparelho digestivo, muitas vezes comprometendo órgãos vizinhos, requer uma atenção especial com o agravamento de seu estado nutricional. Portanto, diariamente deve-se “olhar” o paciente detidamente e atuar de modo preventivo, procurando-se impedir que o paciente continue perdendo peso.

Em sua primeira fase, o estudo foi concentrado em pacientes oncológicos, com condições de deglutir apenas líquidos mas com urgência de se nutrir face ao estado avançado de desnutrição. As formulações enterais até então praticadas no Hospital de Oncologia foram modificadas para atender àquela especificidade de paciente oncológico. A introdução de formulações à base de isolados protéicos associados a outros alimentos in natura mostrou-se eficaz na utilização dos aminoácidos ingeridos, devido a um melhor aproveitamento biológico, se comparado com a proteína padrão FAO 73 (FAO/OMS -Necessidades de Energia y de Proteínas - Informe de um Comitê Especial Misto FAO/OMS de Expertos - Roma, 1974).