Dispositivo para estabilização de fraturas ou luxações dos ossos da pelve

  • Número do pedido da patente:
  • BR 20 2012 016183 0 U2
  • Data do depósito:
  • 29/06/2012
  • Data da publicação:
  • 20/10/2015
Inventores:
  • Classificação:
  • A61F 13/04
    Ataduras ou curativos; Almofadas absorventes; / Ataduras de gesso de Paris; Outras ataduras de consolida??o;
    ;
    A61F 5/05
    M?todos ou aparelhos ortop?dicos para tratamento n?o-cir?rgico de ossos ou articula??es; Dispositivos de enfermagem; / Dispositivos ortop?dicos, p. ex. dispositivos de mobiliza??o a longo prazo ou de pressionamento direto para o tratamento de ossos quebrados ou deformados tais como talas, moldes ou suportes; / Dispositivos para esticar ou reduzir membros fraturados; Dispositivos para relaxamento; Talas; / para imobiliza??o;
    ;

DISPOSITIVO PARA ESTABILIZAÇÃO DE FRATURAS OU LUXAÇÕES DOS OSSOS DA PELVE. O presente pedido de patente de modelo de utilidade se refere a um dispositivo (Figura 1) para estabilização temporária de fraturas ou luxações nos ossos da pelve, composto por uma única peça. O corpo do dispositivo (2) é passado em torno região pélvica do paciente e a extremidade que apresenta a placa suporte móvel, a qual contém um pedaço de tecido coberto por pequenos ganchos plásticos em sua parte posterior (1b), é aderida à superfícies do corpo do dispositivo (2). A tração necessária para reduzir o volume do arcabouço ósseo da pelve é obtida puxando a corda rígida (5) que aproxima as placas suporte móvel (1b) e fixa (1a). Esse dispositivo é utilizado, preferencialmente, no atendimento emergencial e temporário de pacientes com taumatismo pélvico em ambiente pré- ou intra-hospitalares. O dispositivo pode ser lavado e desinfectado para reutilização, apresentando, portanto, praticidade.

Página de 2

Documento

“DISPOSITIVO PARA ESTABILIZAÇÃO DE FRATURAS OU LUXAÇÕES

DOS OSSOS DA PELVE”

O presente pedido de patente de modelo de utilidade se refere a um dispositivo (Figura 1) para estabilização temporária de fraturas ou luxações 5 nos ossos da pelve, composto por uma única peça. O corpo do dispositivo (2) é passado em torno região pélvica do paciente e a extremidade que apresenta a placa suporte móvel, a qual contém um pedaço de tecido coberto por pequenos ganchos plásticos em sua parte posterior (1b), é aderida à superfície do corpo do dispositivo (2). A tração necessária para reduzir o volume do arcabouço 10 ósseo da pelve é obtida puxando a corda rígida (5) que aproxima as placas suporte móvel (1b) e fixa (1a). Esse dispositivo é utilizado, preferenciaimente, no atendimento emergencial e temporário de pacientes com traumatismo pélvico em ambientes pré- ou intra-hospitalares. O dispositivo pode ser lavado e desinfectado para reutilização, apresentando, portanto, praticidade.

15    A distorção da anatomia da pelve nos casos de fraturas complexas

provoca aumento do volume da bacia e lesões vasculares, resultando em grande hemorragia. Além disso, os ossos fraturados também constituem fontes de sangramento. Nesses casos de fraturas complexas, a mortalidade varia de 40% a 60% e essas mortes decorrem, inicialmente, de sangramento não 20 controlado e, tardiamente, de complicações infecciosas que culminam na falência de múltiplos órgãos. Por esse motivo, a identificação precoce de pacientes com potencial para hemorragia grave e a implementação de medidas capazes de coibir rapidamente o sangramento são fundamentais para reduzir a mortalidade. Foi demonstrado em um estudo envolvendo mais de 2000 25 pacientes que o diagnóstico clínico das fraturas graves da bacia, sem a necessidade de exames, é confiável. Isso antecipa muito o diagnóstico da fratura pélvica e permite tomar medidas capazes de reduzir a hemorragia de forma precoce. (ATLS® ADVANCED TRAUMA LIFE SUPPORT® FOR DOCTORS, Student Course Manual. Chicago IL: American College of 30 Surgeons Committee on Trauma, 8th edition, p. 55-84, 2008; DAVIS J. W. et al. Western Trauma Association criticai decisions in trauma: Management of pelvic fractures with hemodynamic instability. Journal of Trauma-lnjury Infection &

Criticai Care, v. 65, n. 5, p. 1012-1015, 2008; GONZALEZ, R. P.; FRIED P. Q.; BUKHALO, M. The utility of clinica) examination in screening for pelvic fractures in blunt trauma. Journal ofthe American College of Surgeons, v. 194, n. 2, p. 121-125, 2002; SMITH, W. et ai Early predictors of mortality in hemodynamically unstable pélvis fractures. Journal of Orthopaedic Trauma, v. 21, n. 1, p. 31-37, 2007).

Para que a hemorragia seja controlada, mesmo que parcialmente, é necessária a redução do volume do arcabouço ósseo da pelve, de modo a comprimir os vasos lesados. No cenário intra-hospitalar, pode-se obter o controle definitivo da hemorragia com o uso de metodologias como a embolização por meio de radiologia intervencionista, a fixação cirúrgica dos ossos e o tamponamento direto da hemorragia retroperitoneal por laparotomia (COTHREN, C. C. et ai Preperitonal pelvic packing for hemodynamically unstable pelvic fractures: a paradigm shift, Journal of Trauma-lnjury Infection & Criticai Care, v. 62, n. 4, p. 834-839, 2007; DAVIS J. W. et aí. Western Trauma Association criticai decisions in trauma: Management of pelvic fractures with hemodynamic instability. Journal of Trauma-lnjury Infection & Criticai Care, v. 65, n. 5, p. 1012-1015, 2008; GRIMM, M. R.; VRAHAS, M. S.; THOMAS; K. A. Pressure-volume characteristics of the intact and disrupted pelvic retroperitoneum. Journal of Trauma® Injury Infection and Criticai Care, v. 44, n. 3, p. 454-459, 1998; MILLER, P. R. et ai Externai fixation or arteriogram in bleeding pelvic fractures: initíai therapy guided by markers of arterial hemorrhage. Journal of Trauma-lnjury Infection & Criticai Care, v. 54, n. 3, p. 437-443, 2003; SMITH, W. R. et ai Retroperitoneal packing as a resuscitation technique for hemodynamically unstable patients with pelvic fractures: a report of two cases and a description of technique. Journal of Trauma® Injury Infection and Criticai Care, v. 59, n. 6, p. 1510-1514, 2005; WAIKAKUL, S.; HARNROONGROJ, T.; VANADURINGWAN, V. Immediate stabilization of unstable pelvic fractures versus delayed stabilization. Journal of the Medicai Association ofThailand, v. 82, n. 7, p. 637-642, 1999).

Embora não existam muitos estudos com níveis de evidência significativos sobre qual a melhor forma de reduzir o volume pélvico e controlar a hemorragia nas fraturas instáveis, há um estudo com nível 1 de evidência que demonstrou menor mortalidade com a estabilização imediata em comparação com a estabilização tardia. Entretanto, no cenário pré-hospitalar -e, temporariamente, no cenário intra-hospitalar há escassez de recursos para a estabilização rápida da região pélvica. Métodos não invasivos, capazes de reduzirem o volume da pelve, são opções extremamente úteis pela facilidade e rapidez de aplicação e por proporcionarem estabilização hemodinâmica do paciente até o tratamento definitivo. A redução do volume da pelve pode ser obtida com eficácia utilizando dispositivos simples (GEERAERTS, T. et ai. Clinicai review: Initial management of blunt pelvic trauma patíents with haemodynamic instabilíty. Criticai Care, v. 11, n. 1, p. 1-9, 2007; GHANAYEM, A. J. et al. Emergent treatment of pelvic fractures: comparison of methods for stabilization. Clinicai Orthopaedics and Related Research, v. 318, p. 75-80, 1995; GRIMM, M. R.; VRAM AS, M. S.; THOMAS; K. A. Pressure-volume characteristics of the intact and disrupted pelvic retroperitoneum. Journal of Trauma® Injury Infection and Criticai Care, v. 44, n. 3, p. 454-459, 1998; ROUTT JR, M.L., et al. Circunferential pelvic antishock sheeting: a temporary resuscitaíion aid. Journal of Orthopaedic Trauma, v. 16, n. 1, p. 45-48, 2002; SPANJERSBERG, W. R. et al. Effectiveness and complications of pelvic circumferentiaí compression devices in patients with unstable pelvic fractures: a systematic review of literature. Injury, v. 40, n. 10, p. 1031-1035, 2009; WAIKAKUL, S.; HARNROONGROJ, T.; VANADURINGWAN, V. Immediate stabilization of unstable pelvic fractures versus delayed stabilization. Journal ofthe Medicai Association of Thailand, v. 82, n. 7, p. 637-642, 1999).

Os métodos habitualmente empregados para realizar o fechamento da bacia e a contenção da hemorragia nos casos de fraturas graves são a utilização de um lençol amarrado à região pélvica e o uso de dispositivos disponíveis comerciaimente, como talas dobradas em forma de “U”.

O método de envolvimento da pelve com um lençol geralmente é ineficaz, pois a força produzida nem sempre é suficiente para produzir a tensão constante necessária e, assim, fechar o anel pélvico com eficácia. Além disso, a colocação do lençol é mais demorada e trabalhosa, podendo o mesmo se prender às estruturas adjacentes ao paciente. Outro ponto em questão é o fato de o lençol não possuir acolchoamento adequado para evitar a formação de escaras no paciente.

Em relação aos dispositivos comercialmente disponíveis, um deles é o T-POD® (Pyng Medicai, Richmond, BC, Canada; disponível em www.t-pod.com), objeto da patente US6602214, intitulada “Orthotic trauma device”. Nesta patente, o dispositivo funciona com um único cabo para distribuir a força de tração utilizada para “fechar” o anel pélvico uniformemente, por meio de roldanas. Um estudo clínico com esse dispositivo, envolvendo 15 pacientes em choque hemorrágico devido à fratura da pelve, demonstrou que dois minutos após a aplicação do T-POD® houve melhora significativa do estado hemodinâmico dos pacientes, além de estabilização da fratura, aumento da pressão arterial (65,3 para 81,2 mmHg, com p < 0,03, sendo “p” a sígnificância estatística) e diminuição da frequência cardíaca (redução de 107 batimentos por minuto (BPM) para 94 BPM, com p < 0,02). Houve também redução de 60% na diastase da sínfise púbica (p < 0,01) (TAN, E. C. T. H.; SANDER, F. L.; VAN VUGT, A. B. Effect of a new pelvic stabilizer (T-POD®) on reduction of pelvic volume and haemodynamic stability in unstable pelvic fractures. Injury, v. 41, n. 12, p. 1239-1243, 2010).

Contudo, o dispositivo T-POD® apresenta algumas desvantagens. Pelo fato de ser composto por duas peças totalmente separáveis, o que torna a colocação do mesmo no paciente um procedimento mais laborioso. Além disso, é um dispositivo que não pode ser reutilizado uma vez que o corpo dá órtese é cortado para ser adaptado individualmente a cada paciente. Esse fator, associado ao seu custo ser, em média, US$ 115 tornam alto o investimento para seu uso (disponível em <http://www.buyemp.com/product/t-pod-pelvic-stabilizer>;<http://www.mooremedical.corn/index,cfm?PG=CTL&CS=HOM&FN= ProductDetail&PID=14128>;<http://www,progressivemed.com/estylezJtem.asp x?item=12218>;<http://www.chinookmed.com/cgi-bin/item/01247/s-immobiliza tion/-TPOD-Pelvic-Stabiíizer>. Acesso em 23 mar. 2012).

Outro dispositivo é o Pelvigrip® (Ysterplaat Medicai Supplies - VMS), o qual utiliza três tiras com Velcro® para promover o tensionamento da pelve. As desvantagens desse tipo de dispositivo consistem na maior dificuldade de colocação do dispositivo, uma vez que maior esforço é exigido devido à ausência de artefatos que dividem a força durante a tração do dispositivo. Além disso, a área de distribuição da força para o fechamento da pelve é reduzida, pois está distribuída apenas pelos pontos por onde passam as três tiras.

Um terceiro dispositivo para estabilizar temporariamente fraturas na pelve é o SAM Pelvic Sling II® (SAM Medicai Products). Ele contém uma fivela do tipo Autostop, que é programada para parar o tracionamento assim que a força de compressão correta tenha sido alcançada (LEGACY EMANUEL HOSPITAL & MEDI CAL HEALTH CENTER. James C. Krieg, William B. Long; Steven M. Madey; Michael Bottlang. Apparatus and method for stabilizing pelvic ring disruption. US 7,008,389; 05 mar. 2003, 07 mar. 2006). Contudo, por este ser o único ponto de fixação do dispositivo para o fechamento da pelve, maior força deve ser aplicada para tracioná-lo, a fim de reduzir o anel pélvico. Além disso, essa força não é bem distribuída na região pélvica por haver apenas esse único ponto de tração. Por fim, o SAM Pelvic Sling II® apresenta acolchoamento com espessura de 0,5 cm, o qual não é suficiente para impedir a formação de escaras (KRIEG, J. C. et aí. Pelvic circumferential compression in the presence of soft-tissue injuries; a case report. Journal of Trauma® Injury Infection and Criticai Care, v, 59, n. 2, p. 468-470, 2005).

Apesar das incontestáveis vantagens e da importância dos dispositivos não invasivos nos casos de fraturas da pelve, eles devem ser utilizados temporariamente, pois existem complicações decorrentes do uso dos mesmos. A permanência desses dispositivos por tempo prolongado (maior que 12 horas) pode provocar ou agravar lesões pré-existentes na pele ou em partes moles. Pode, também, exacerbar lesões intra-abdominais associadas, como as do diafragma e da bexiga, além de super-reduzir algumas fraturas da pelve. Deve-se, portanto, realizar radiografia da pelve, assim que possível, nos pacientes em uso dos dispositivos (GHANAYEM, A. J. et al. Emergent treatment of pelvic fractures: comparison of methods for stabilization. Clinicai Orthopaedics and

Related Research, v. 318, p. 75-80, 1995; KRIEG, J, C. et ai Pelvic circumferenííai compression in the presence of soft-tissue injuries: a case report. Journal of Trauma® Injury Infection and Criticai Care, v. 59, n. 2, p. 468-470, 2005; SPANJERSBERG, W. R. et ai Effectiveness and complications of 5 pelvic circumferential compression devices in patients with unstable pelvic fractures: a systematic review of literature. Injury, v. 40, n. 10, p. 1031-1035, 2009).

Foram encontradas no estado da técnica algumas patentes que versam sobre o assunto. As mais relevantes estão listadas abaixo.

10    O pedido de patente WOOO/45756, intitulado “Device for the stabilízation

of a fractured pélvis”, trata de um dispositivo constituído por um cinto de Neoprene ao qual estão ligados três faixas com velcro. Estas faixas passam por argolas e são puxadas para trás sobre elas mesmas, promovendo a tração do dispositivo e assim, fechando a pelve.

15    A patente US6240923, intitulada “Pélvis immobilizef’, se refere a um

dispositivo imobilizador que promove compressão e estabilização temporárias de fratura do anel pélvico. Ele compreende uma banda larga de material firme, como lona, e três tiras fixadas paralelamente entre si a essa banda, cada uma apresentando um fecho ajustável em suas duas extremidades livres. Esses 20 fechos impedem o deslizamento das tiras e da banda sobre a pelve do usuário.

A patente US6503217, intitulada “Pelvic splint and associated method", descreve uma tala para imobilizar e manter a integridade da pelve em caso de uma fratura. O dispositivo compreende um revestimento retangular flexível contendo pelo menos uma camada de acolchoamento flexível e uma 25 pluralidade de membros flexíveis individualmente dispostos em bolsos espaçados sob o acolchoamento. A tala pélvica estende-se cerca de 5-10 cm acima da crista ilíaca até cerca de terceiro no meio das coxas e substancialmente circunda a bacia do paciente. A tala fica presa à região da bacia do paciente por meio de duas ou mais tiras reguláveis. Nesta patente, 30 também é descrito o método para estabilizar a pelve associado ao dispositivo.

A patente US8192383, intitulada “Emergency stabilization of a fractured pélvis”, descreve uma cinta pélvica que mantém uma quantidade desejada de

tensão em torno do quadril de uma pessoa, estabilizando de forma segura a pelve fraturada. O dispositivo apresenta em uma de suas extremidades uma fivela com ganchos pela qual passa uma tira com furos, pressa à outra extremidade, que é presa ao Velcro® disposto ao longo do corpo principal da cinta. Isso permite variados ajustes no comprimento do dispositivo, de acordo com o corpo da pessoa em que é colocado.

O pedido de patente US2007/0197945, intitulado “Hip and pelvic splint”, descreve uma tala para imobilizar a região pélvica e os membros inferiores em pacientes com fratura no quadril. O dispositivo consiste em uma peça de espuma, que é colocada entre as pernas do paciente para auxiliar na estabilização dos membros inferiores, e por uma tala flexível, cuja extremidade inferior é firmada até próximo aos joelhos e a extremidade superior é firmada até o abdome superior. Além disso, o dispositivo também apresenta alças para mãos que permitem aos paramédicos carregar o paciente sem distorcer a fratura.

Diante do exposto e da necessidade de dispositivos alternativos capazes de estabilizar luxações da região pélvica e reduzir o volume da pelve e diminuir sangramentos para o espaço retro-peritoneal em consequência das fraturas, a presente invenção é proposta (Figura 1). Trata-se de um dispositivo para estabilização temporária de fraturas e luxações nos ossos da pelve, composto por uma única peça, cuja colocação na vítima é fácil, rápida e exige esforço reduzido de quem estiver a socorrendo.