Dispositivo de trigger point

  • Número do pedido da patente:
  • BR 20 2012 032020 2 U2
  • Data do depósito:
  • 14/12/2012
  • Data da publicação:
  • 09/09/2014
Inventores:
  • Classificação:
  • A61H 39/00
    Dispositivos de fisioterapia para localizar ou estimular pontos espec?ficos de reflexibilidade do corpo, p. ex. acupuntura;
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DISPOSITIVO DE TRIGGER POINT. O presente pedido de modelo de utilidade compreende um dispositivo (Figura 1) que potencializa a atuação manual do usuário na inibição do trigger point com um posicionamento mais ergonômico das mãos reduzindo o risco de distúrbios osteomusculares, relacionados ao trabalho do usuário através da eliminação da sobrecarga na musculatura flexo extensora dos dedos e punho, necessária para a manutenção da compressão. Além disso, permite a padronização do tratamento, uma vez que possibilita o controle da força aplicada com boa sensibilidade de medida; reduzindo, dessa forma, as deficiências presentes no tratamento atual, e permitindo que o mesmo tratamento possa ser repetido por profissinais distintos baseados em um protocolo de atendimento. O dispositivo possui a união de uma empunhadura priméria (4) que se conflui em corpo principal (1), sendo estes majoritariamente compostos de material polimérico rígido, propiciando maior durabilidade e leveza. Internamente ao corpo principal tem-se um sistema móvel rígido e elástico, composto principalmente por material metálico, responsável pela deformação elástica de uma parte do dispositivo, esta primordial para o funcionamento do mesmo.

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Documento

“Dispositivo de Trigger Point”

O presente pedido de modelo de utilidade compreende um dispositivo (Figura 1) que potencializa a atuação manual do usuário na inibição do trigger point com um posicionamento mais ergonômico das mãos reduzindo o risco de distúrbios osteomusculares, relacionados ao trabalho do usuário através da eliminação da sobrecarga da musculatura flexo extensora dos dedos e punho, necessária para a manutenção da compressão. Além disso, permite a padronização do tratamento, uma vez que possibilita o controle da força aplicada com boa sensibilidade de medida; reduzindo, dessa forma, as deficiências presentes no tratamento atual, e permitindo que o mesmo tratamento possa ser repetido por profissionais distintos baseados em um protocolo de atendimento. O dispositivo possui a união de uma empunhadura primária (4) que se conflui em corpo principal (1), sendo estes majoritariamente compostos de material polimérico rígido, propiciando maior durabilidade e leveza. Internamente ao corpo principal tem-se um sistema móvel rígido e elástico, composto principalmente por material metálico, responsável pela deformação elástica de uma parte do dispositivo, esta primordial para o funcionamento do mesmo.

A dor miofascial é uma desordem muscular regional caracterizada pela presença de pontos hipersensíveis (pontos-gatilho miofasciais (PGM) ou trigger points), localizados em bandas rígidas de músculos esqueléticos, doloridos espontaneamente ou sob o estímulo mecânico (ou à palpação) e que podem produzir dor local e referida em áreas distantes ou adjacentes. Acomete músculos, tecido conectivo e fáscias, principalmente da região cervical, cintura escapular e lombar. A dor e a incapacidade geradas pelas SDMs podem ser bastante significativas. Podem estar relacionadas a limitações dos movimentos e/ou efeitos excitatórios centrais secundários, incluindo efeitos autonômicos (vermelhidão dos olhos e da pele, corrimento nasal, lacrimejamento dos olhos), motores (co-contração protetora) e sensitivos (dor referida, hiperalgesia secundária e alodínea) (Rocha, 2007 apud Alvarez, D.J., Rockwell, P.G. Trigger points: diagnosis and management. Am. Fam. Physician. v.65, p.653-60, 2002; Fricton, J.R. Masticatory myofascial pain: an explanatory model integrating clinicai, epidemiological and basic Science research. Bull Group Int. Rec. Sei. Stomatol. Odontol., 41(1), p.14-25, 1999; Han, S.C., Harrison, P. Myofascial pain syndrome and trigger point management. Reg. Anesth., 22(1), p.89-101, p.1997).

Os PGM são considerados ativos quando sua estimulação gera dor referida que reproduz a queixa dolorosa preexistente do paciente. Encontram-se frequentemente nos músculos posturais da região cervical, na cintura escapular, pélvica e musculatura mastigatória, onde provocam dor espontânea ou ao movimento. Já os PGM latentes estão localizados em áreas assintomáticas e só provocam dor local e referida quando estimulados. No entanto, são menos dolorosos à palpação e muito mais frequentes na população em geral (Travell, J., Simons, D.G. Myofascial pain and dysfunction: The trigger point manual, upper half of body. ed 2. Baltimore: Williams & Wilkins; 1999; Bonica, J.J. Management of myofascial pain syndrome in general practice, v.164, p.732-38, 1957).

Normalmente, a formação dos trigger points ocorre devido à fadiga de fibras musculares de músculos sobrecarregados, com consequente encurtamento e deficiência de suprimento de oxigênio e nutrientes, o que aumenta a demanda metabólica nos tecidos locais (Hou, C.R., Tsai L.C., Cheng, K.F., Chung, K.C., Hong ,C.Z. Immediate effects of physical therapeutic modalities on cervical myofascial pain and trigger point sensitivity. Arch. Phys. Med. Rehabil., 83(10), p.1406-4, 2002).

Os pontos gatilho podem ser classificados como ativos quando causa dor, mesmo com o músculo em repouso; latentes não são dolorosos ao serem palpados e são os mais frequentes, podem se tornar ativos por qualquer evento (trauma, estresse), gerando a dor referida; primários não existem causa subjacente que os produza; secundários decorrentes de problemas nervosos; e satélites quando o ponto gatilho permanece muito tempo sem tratamento e compromete estruturas adjacentes (SEÓ, R.,S.; et al. Dor Miofascial e Fibromialgia: de mecanismos etiológicos a modalidades terapêuticas. Publ. UEPG Biol.Health Sei., Ponta Grossa, 13(1/2): 39-51 ,mar/jun.2007; RUIZ, M., et al. Dolor de origen muscular: Dolor miofascial y fibromialgia. Rev. Soc. Esp. Dolor 1:36-44; 2007).

A etiologia não é completamente compreendida, entretanto podem ser envolvidos vários fatores, como artrites, tensão, trauma, estado pós-operatório, ou infecções virais. Hipoteticamente, a formação dos trigger points se dá por meio da fadiga das fibras musculares que foram muito exigidas, com consequente encurtamento e deficiência de suprimento de oxigênio e nutrientes, aumentando, assim, a demanda metabólica nos tecidos locais (SEÓ, 2007). Além disso, os trigger points podem se desenvolver em resposta a outros estímulos nocivos aos músculos, tais como: infecção, estados febris, dores profundas, distúrbios hormonais, viscerais, neuro-humorais, esqueléticos e fatores ambientais. Pode-se ainda citar baixo condicionamento físico e avitaminoses.

Quando o músculo é acometido por trigger points um conjunto de fibras musculares encontra-se com sua região central bastante contraída, apresentando os sarcômeros muitos próximos entre si, formando uma região nodular (nó de contração) (SEÓ, 2007).

Um exame físico minuncioso e uma completa história clínica são fundamentais para se chegar ao diagnóstico. O exame físico, através da palpação, mostrará a localização dos trigger points. Geralmente não há déficit neurológico e nem alterações na hematologia, bioquímica sanguínea e urinálise. O diagnóstico ainda pode ser realizado utilizando eletromiografia, ultrassonografia e termografia (RUIZ, 2007).

A eletromiografia mostra um aumento da atividade elétrica espontânea nos locais de trigger points. Na ultrassonografia pode-se visualizar a resposta espasmódica ao se estimular o ponto gatilho (RUIZ, 2007).

Quando os pontos de gatilho são examinados histologicamente observa-se que a fibra muscular esta com seu tamanho anormal, há agrupamentos de núcleos, excesso de fibras de colágeno, nós de miofibrilas, perda de estriamento, mitocôndrias inchadas, e fibras com estrias vermelhas (JANSSENS, L, Trigger Point Therapy, in Schoen, A., Veterinary Acupuncture, Ancient Artto Modern Medicine, 2nd ed., Mosby Publ. Inc., St. Louis, MO. 2001).

O tratamento para a inibição dos trigger points pode ser realizado por métodos não invasivos e invasivos. Os métodos não invasivos consistem em alongamento, massagem profunda (compressão isquêmica), estimulação elétrica transcutânea (TENS) e terapia a laser. Os métodos invasivos consistem em injeções locais no ponto gatilho. O fluido injetado pode ser água, 0,2% a 2% lidocaína, procaína, ou soluções de vitamina B, corticosteróide, sulfóxido de dimetil, acetilsalisílico, e combinações destes (JANSSENS, 2001).

Como tratamento alternativo pode-se citar a acupuntura pelo agulhamento a seco. Esse método consiste na inserção de agulhas de acupuntura no local dos pontos gatilho com o intuito de desativá-los. É uma terapia eficaz que trás bons resultados.

Alguns dispositivos para o tratamento de trigger points são conhecidos tanto em documentos de patente quanto no mercado propriamente dito.

O dispositivo conhecido como “Thera Cane” é utilizado para inibir os trigger points. Ele consiste em uma haste em forma de “J” que permite ao usuário utilizá-lo individualmente (Disponível em <http://www.theracane.com>/; acesso em 20/11/2012). Entretanto, esse dispositivo não exerce uma pressão ideal e precisa no ponto a ser tratado, principalmente quando utilizado nas costas do paciente.

Os aparelhos “T BAR WITH SMALL BEVELED TIP” e o “T BAR WITH LARGE TIP”, também utilizados para inibir os trigger points, possuem um formato em forma de “T”, de modo que uma de suas pontas é emborrachada, a fim de permitir melhor conforto ao paciente (Disponíveis respectivamente em <http://www.kaboodle.com/reviews/t-bar-with-small-beveled-tip> e em <http://www.kaboodle.com/reviews/t-bar-with-large-tip>; acesso em 20/11/2012). No entanto, a ausência de um mecanismo elástico e de graduação da intensidade nesses aparelhos não permite que os profissionais exerçam os devidos ajustes de pressão.

O produto “Therapy Thumb”, por sua vez, apresenta geometria em “T”, análoga aos dispositivos “T BAR”. Além disso, ele possui uma ponta móvel, (suportada por uma mola), de modo que é pressionada ortogonalmente à superfície do paciente a ser tratada (Disponível em <https://www.sportstek.net/therapy-thumb.htm>; acesso em 20/11/2012). Contudo, esse dispositivo não possui uma escala numérica que permite a medição da força ou pressão executada, bem como o próprio aspecto ergonômico do mesmo é inferior ao do presente pedido.

Outro produto tecnológico, conhecido como “Trigger Point Therapy”, também utilizado na inibição de uma desordem muscular regional, possui um corpo cilíndrico, com cabo emborrachado e estriado (a fim de melhor permitir a aderência da mão do usuário) com uma ponta na forma de disco, também emborracha, de modo que esta seja aderida ao ponto a ser tratado (Disponível em <http://www.kaboodle.com/reviews/trigger-point-therapy>; acesso em 20/11/2012). Esse dispositivo, entretanto, não possui um braço extra que permita ao usuário ter boa utilização do dispositivo no ponto a ser tratado, se comparado à tecnologia ora pleiteada.

Limitações análogas ao “Trigger Point Therapy” também são verificadas no dispositivo “The Stick-Self Roller Massager” (Disponível em http://www.exf-fitness.com/en/products/10/86/The_Stick_Self_Roller_Massager.aspx; acesso em 20/11/2012).

A patente US7901369B2, intitulada “Massage tool and method for treatment of trigger points and other soft tissue disorders” descreve um dispositivo para massagear e reduzir os trigger points de um paciente. Ela compreende um êmbolo ou pistão deslizante dentro de uma estrutura cilíndrica, esta aberta na extremidade que entra em contato com a pele do paciente. Este dispositivo, no entanto, se difere da matéria ora pleiteada devido ao fato da ponta do pistão não entrar em contato direto com a superfície a ser tratada (enquanto a outra ponta, na forma de “T”, é usada para o usuário exercer o movimento). Além disso, o dispositivo exerce uma pressão gasosa positiva ou negativa no ponto a ser tratado, ao invés do contato direto de uma ponta sólida.

O pedido de patente US20080139981A1, intitulado “Trigger point therapy device” revela um sistema a ser utilizado na redução da dor associada ao trigger point. O sistema compreende uma barra que é fixada ao chão ou a uma superfície, de modo que esteja paralela ao usuário em pé. Perpendicularmente a essa barra, tem-se uma haste cilíndrica, com uma ponta redonda, ajustável à altura da barra, de maneira que o usuário encoste ortogonalmente a essa barra, pressionando, por conseguinte, o ponto lesionado. O acoplamento da haste cilíndrica presente nesse sistema, entretanto, é impreciso, quando o usuário deseja utilizá-lo, por exemplo, nas costas. Além disso, é necessária uma prévia fixação do sistema em uma parede, antes da sua utilização. E, finalmente, esse sistema não possui uma graduação e/ou ajuste da força ou pressão. Estas limitações, portanto, não são encontradas no presente pedido.

A patente de design USD447810S, intitulada “Combined pressure point and trigger point massage tool” ilustra o design de um objeto para ser utilizado para pressionar o trigger point de um paciente. Entretanto, o documento não descreve detalhadamente as partes do dispositivo, bem como não descreve o funcionamento do mesmo e tampouco exemplifica a principal aplicação do mesmo. De acordo com os desenhos mostrados, não é observada a presença de um objeto elástico que contribui na execução de uma força compressora.

O documento US3831592, intitulado “Trigger Point Instrument” descreve um aparato que favorece a inibição do trigger point em um paciente. O aparato é constituído de material rígido plástico ou metálico, compreendendo uma haste central onde internamente e paralelamente a ela é movimentada, por meio de uma mola, uma ponta revestida de material resiliente, esta a ser aplicada em uma superfície muscular. A esta haste central são acopladas outras duas hastes, ambas revestidas do mesmo material; uma fixa, enquanto a outra, móvel, de modo que permita um pré-ajuste da distância entre ambas. Esse dispositivo se difere do presente pedido. Esta tecnologia, entretanto, preconiza a possibilidade de controle de pressão e não da força sobre a superfície muscular. Além disso, não apresenta uma boa sensibilidade de controle dessa medida, considerando-se que a mola indicada tem um curso muito pequeno, ou seja, a diferença entre a mola relaxada e totalmente comprimida é pequena, devido ao reduzido número de espiras, se comparado ao da presente invenção.

Além das diferenças estruturais do dispositivo, objeto do presente pedido, observa-se que este não gera, a princípio, alterações de ordem miofascial ao usuário, esta resultante do mau posicionamento da mão e à manutenção prolongada da pressão nos dedos durante a aplicação da força. O dispositivo (Figura 1) reduz a sobrecarga na musculatura flexo extensora dos dedos e punho devido a uma posição mais ergonômica do usuário. O controle da força aplicada é feito através da observação de um indicador/escala graduada que mostra o deslocamento da mola de compressão. Isto é possível por haver uma relação direta entre a força aplicada e o deslocamento/deformação da mola de compressão que pode ser facilmente estabelecido através de uma escala graduada no corpo do dispositivo que, por sua vez, permite controlar a intensidade da força aplicada considerando-se uma boa sensibilidade de medida. Assim é possível estabelecer-se um protocolo de tratamento, ou seja, um procedimento padrão a valores de força e tempo de aplicação na região do trigger point ser aplicado a cada paciente nas várias seções de tratamento.

DESCRIÇÃO DAS FIGURAS

A Figura 1 representa a vista externa em perspectiva do dispositivo.

A Figura 2 mostra a vista interna do dispositivo em perspectiva através de um corte longitudinal.

A Figura 3 mostra a vista interna e lateral do dispositivo através de um corte longitudinal.

A Figura 4 indica o curso da mola durante o funcionamento do dispositivo.

DESCRIÇÃO DETALHADA DA TECNOLOGIA

A matéria tratada compreende um dispositivo (Figura 1) que pode ser constituído de um material polimérico, preferencialmente plástico; ou metal, preferencialmente alumínio ou aço inox, utilizado preferencialmente na inibição do trigger point presente em qualquer região no corpo de um paciente. O mesmo (Figura 1) é constituído por um corpo principal (1) onde, por um lado, se fixa a guia (2) do tubo retrátil de aplicação da força (3); acopla-se aproximadamente no corpo central e obliquamente a (1) uma empunhadura primária (4) com uma seção de diâmetro compreendida entre 20 e 60 mm, preferencialmente 35 mm e comprimento compreendido entre 50 e 400 mm, preferencialmente 100 mm, que serve de suporte para o melhor manuseio do dispositivo, podendo ser destacada do mesmo (1); acoplada, pelo outro lado, ao corpo principal (1) e fixada, por meio de pinos ou parafusos (6) tem-se a empunhadura secundária (5) que também serve de manuseio do dispositivo e de abrigo de recolhimento do tubo de aplicação da força (2) e tem o espaço necessário para conter o tubo retrátil de aplicação da força (3).