Informações do processo RCL 57556

Movimentações Ano de 2023

15/06/2023 Visualizar PDF

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Tipo: MÉRITO
DECISÃO

Trata-se de Reclamação, com pedido liminar, proposta contra ato do Juízo da 1ª Vara Criminal de Parauapebas, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, sob a alegação de descumprimento da tese firmada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347/DF, julgada por esta SUPREMA CORTE, consistente na não realização da audiência de custódia, no prazo devido, de preso em flagrante que teve a prisão convertida em preventiva.

Na inicial, o reclamante alega, em suma: (a) no caso concreto, o juízo plantonista deixou de exercer a audiência de custodia, alegando que já haveria se exaurido o expediente, bem como por já existir expediente ordinário na vara de origem; e (b) é inadmissível que não tenha ocorrido a audiência de custódia, na medida em que, apenas da análise do auto de prisão em flagrante, o juízo não terá condições de avaliar se houve algum caso de tortura, maus-tratos ou agressão com o preso. Em razão disso, requer, procedência da pretensão deduzida, para que o juízo plantonista da Comarca de Parauapebas/PA realize a audiência de custódia do defendido, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.

É o relatório. Decido.


A respeito do cabimento da Reclamação para o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, dispõem o art. 102, I, "l", e o art. 103-A, caput e §3º, ambos da Constituição Federal:


Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;


Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.

[...]

§3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.


Veja-se também o art. 988, I, II e III, do Código de Processo Civil:


Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para:

I    preservar a competência do tribunal;

II    garantir a autoridade das decisões do tribunal;

III    garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade.


O parâmetro invocado é a ADPF 347 MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe de 19/2/2016, cuja ementa é a seguinte:

CUSTODIADO    INTEGRIDADE FÍSICA E MORAL    SISTEMA PENITENCIÁRIO    ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL    ADEQUAÇÃO. Cabível é a arguição de descumprimento de preceito fundamental considerada a situação degradante das penitenciárias no Brasil. SISTEMA PENITENCIÁRIO NACIONAL    SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA    CONDIÇÕES DESUMANAS DE CUSTÓDIA    VIOLAÇÃO MASSIVA DE DIREITOS FUNDAMENTAIS    FALHAS ESTRUTURAIS    ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL    CONFIGURAÇÃO. Presente quadro de violação massiva e persistente de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza normativa, administrativa e orçamentária, deve o sistema penitenciário nacional ser caraterizado como estado de coisas inconstitucional. FUNDO PENITENCIÁRIO NACIONAL    VERBAS    CONTINGENCIAMENTO. Ante a situação precária das penitenciárias, o interesse público direciona à liberação das verbas do Fundo Penitenciário Nacional. AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA    OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Estão obrigados juízes e tribunais, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a realizarem, em até noventa dias, audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contado do momento da prisão.


Como se observa, de fato, o paradigma tido como violado consigna que atualmente estamos diante de um quadro de violação massiva e persistente de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas, cuja modificação depende de medidas abrangentes de naturezas normativa, administrativa e orçamentária.

Verifica-se, ainda, que o paradigma tido como violado impõe que o preso seja submetido à audiência de custódia em, no máximo, 24 horas a partir do momento da prisão, o que não ocorreu na presente hipótese.

A propósito, registrou a autoridade reclamada (Doc. 2):


[...]

3. Tendo em vista o Ofício nº 001/2023 do Ministério Público requerendo a redesignação da audiência de custódia para o próximo dia, para o qual já não seria esta magistrada a atuar como juízo plantonista, bem como visando não impactar nos trabalhos do próximo magistrado, deixo de realizar a audiência de custódia.

[...]


Como se observa, a magistrada plantonista converteu a prisão em flagrante em preventiva sem a realização de audiência de custódia. E, ao que consta, as partes ainda aguardam a designação de audiência.

Conforme decidido no parâmetro invocado (ADPF 347 MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe de 19/2/2016), estão obrigados juízes e tribunais, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a realizarem, em até noventa dias, audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contado do momento da prisão, o que dá ensejo ao provimento da Reclamação.


Diante do exposto, com base no art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, JULGO    PROCEDENTE A RECLAMAÇÃO, a fim de determinar que, no prazo máximo de 24 horas, a autoridade reclamada realize a audiência de custódia do reclamante no processo-crime 0800014-58.2023.8.14.0040, em trâmite na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parauapebas, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, podendo, inclusive, optar pelo sistema de teleconferência.

Comunique-se, com urgência.

Publique-se.

Brasília, 26 de janeiro de 2023.



Ministro ALEXANDRE DE MORAES

Relator

Documento assinado digitalmente




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Retirado da página 9117 do Supremo Tribunal Federal (Brasil) - Padrão

27/01/2023 Visualizar PDF

  • Sem Representação Nos Autos
  • Não Indicado
  • Defensor Público-Geral do Estado do Pará
Seção: SECRETARIA JUDICIÁRIA Decisões e Despachos dos Relatores PROCESSOS ORIGINÁRIOS
Tipo: RECLAMAÇÃO

PAUTA DE JULGAMENTOS

PAUTA Nº 9 - Elaborada nos termos do art. 935 do Código de Processo Civil, contendo os seguintes processos:


Origem: 57556 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Procedência: PARÁ

DECISÃO

Trata-se de Reclamação, com pedido liminar, proposta contra ato do Juízo da 1ª Vara Criminal de Parauapebas, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará,
sob a alegação de descumprimento da tese firmada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347/DF, julgada por esta SUPREMA CORTE,
consistente na não realização da audiência de custódia, no prazo devido, de preso em flagrante que teve a prisão convertida em preventiva.

Na inicial, o reclamante alega, em suma: (a) no caso concreto, o juízo plantonista deixou de exercer a audiência de custodia, alegando que já haveria se
exaurido o expediente, bem como por já existir expediente ordinário na vara de origem ; e (b) é inadmissível que não tenha ocorrido a audiência de custódia, na

medida em que, apenas da análise do auto de prisão em flagrante, o juízo não terá condições de avaliar se houve algum caso de tortura, maus-tratos ou agressão
com o preso . Em razão disso, requer, procedência da pretensão deduzida, para que o juízo plantonista da Comarca de Parauapebas/PA realize a audiência de
custódia do defendido, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.

É o relatório. Decido .

A respeito do cabimento da Reclamação para o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, dispõem o art. 102, I, "l", e o art. 103-A, caput e §3º, ambos da
Constituição Federal:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões
sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder
Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei.

[...]

§3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a
aplicação da súmula, conforme o caso.

Veja-se também o art. 988, I, II e III, do Código de Processo Civil:

Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para:

I – preservar a competência do tribunal;

II – garantir a autoridade das decisões do tribunal;

III – garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade.

O parâmetro invocado é a ADPF 347 MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe de 19/2/2016, cuja ementa é a seguinte:

CUSTODIADO – INTEGRIDADE FÍSICA E MORAL – SISTEMA PENITENCIÁRIO – ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL –
ADEQUAÇÃO. Cabível é a arguição de descumprimento de preceito fundamental considerada a situação degradante das penitenciárias no Brasil. SISTEMA
PENITENCIÁRIO NACIONAL – SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA – CONDIÇÕES DESUMANAS DE CUSTÓDIA – VIOLAÇÃO MASSIVA DE DIREITOS
FUNDAMENTAIS – FALHAS ESTRUTURAIS – ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL – CONFIGURAÇÃO. Presente quadro de violação massiva e persistente
de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza
normativa, administrativa e orçamentária, deve o sistema penitenciário nacional ser caraterizado como “estado de coisas inconstitucional". FUNDO PENITENCIÁRIO
NACIONAL – VERBAS – CONTINGENCIAMENTO. Ante a situação precária das penitenciárias, o interesse público direciona à liberação das verbas do Fundo
Penitenciário Nacional. AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA – OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Estão obrigados juízes e tribunais, observados os artigos 9.3 do Pacto dos
Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a realizarem, em até noventa dias, audiências de custódia, viabilizando o
comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contado do momento da prisão.

Como se observa, de fato, o paradigma tido como violado consigna que atualmente estamos diante de um quadro de violação massiva e persistente de
direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas, cuja modificação depende de medidas abrangentes de naturezas normativa,
administrativa e orçamentária.

Verifica-se, ainda, que o paradigma tido como violado impõe que o preso seja submetido à audiência de custódia em, no máximo, 24 horas a partir do
momento da prisão, o que não ocorreu na presente hipótese.

A propósito, registrou a autoridade reclamada (Doc. 2):

[...]

3. Tendo em vista o Ofício nº 001/2023 do Ministério Público requerendo a redesignação da audiência de custódia para o próximo dia, para o qual já não
seria esta magistrada a atuar como juízo plantonista, bem como visando não impactar nos trabalhos do próximo magistrado, deixo de realizar a audiência de
custódia.

[...]

Como se observa, a magistrada plantonista converteu a prisão em flagrante em preventiva sem a realização de audiência de custódia. E, ao que consta, as
partes ainda aguardam a designação de audiência.

Conforme decidido no parâmetro invocado (ADPF 347 MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe de 19/2/2016), estão obrigados juízes e
tribunais, observados os artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a realizarem, em até noventa
dias, audiências de custódia, viabilizando o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contado do momento da prisão ,
o que dá ensejo ao provimento da Reclamação.

Diante do exposto, com base no art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, JULGO PROCEDENTE A
RECLAMAÇÃO, a fim de determinar que, no prazo máximo de 24 horas, a autoridade reclamada realize a audiência de custódia do reclamante no processo-crime
0800014-58.2023.8.14.0040, em trâmite na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parauapebas, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, podendo, inclusive, optar pelo
sistema de teleconferência.

Comunique-se, com urgência.

Publique-se.

Brasília, 26 de janeiro de 2023.

Ministro ALEXANDRE DE MORAES

Relator

Documento assinado digitalmente

(...) Ver conteúdo completo

Retirado da página 31 do Supremo Tribunal Federal (Brasil) - Padrão

12/01/2023 Visualizar PDF

  • Sem Representação Nos Autos
  • Não Indicado
  • Defensor Público-Geral do Estado do Pará
Seção: PRESIDÊNCIA
Tipo: RECLAMAÇÃO

DISTRIBUÍDO POR PREVENÇÃO


Origem: 57556 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Procedência: PARÁ


Retirado da página 13 do Supremo Tribunal Federal (Brasil) - Padrão