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01/04/2019 Visualizar PDF
Os processos abaixo relacionados encontram-se com Vista ao Agravado para Impugnação do
AgInt:
DECISÃO
Trata-se de agravo de decisão que inadmitiu recurso especial fundado no art. 105, III,
"a" e "c", da Constituição Federal, interposto contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Estado
do Rio de Janeiro, assim ementado:
"AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. DECISÃO QUE NEGOU
SEGUIMENTO AO RECURSO DA ORA AGRAVANTE E QUE DEU
PROVIMENTO AO APELO DAS AUTORAS, ORA AGRAVADA, APENAS
PARA DEIXAR EXPRESSO NO DISPOSITIVO QUE CADA UMA TEM
DIREITO AO RECEBIMENTO DE R$ 10.000,00, A TÍTULO DE
COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS, CONFORME CONSTOU DA
FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO
DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS. COOPERATIVA HABITACIONAL. AUTORAS
QUE ACREDITAVAM TER OBTIDO FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO.
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INCONFORMISMO DA RÉ
INFUNDADO. PATENTE VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO,
ASSIM COMO À BOA-FÉ OBJETIVA E À TRANSPARÊNCIA. VÍCIO NA
MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. DEVOLUÇÃO INTEGRAL DOS
VALORES DESEMBOLSADOS QUE SE IMPÕE. DANO MORAL
CONFIGURADO ANTE A FRUSTRAÇÃO DA LEGÍTIMA EXPECTATIVA
DAS CONSUMIDORAS, QUE NÃO CONSEGUIRAM REALIZAR O SEU
SONHO DA CASA PRÓPRIA. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO
CONFORME OS PARÂMETROS DE RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. FALTA DE SUBSÍDIOS PARA
RECONSIDERAÇÃO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. RECURSO A QUE
SE NEGA PROVIMENTO." (e-STJ fl 378/379)
Em decisão de fls. 440/441 (e-STJ), a Corte de origem indeferiu o requerimento de
gratuidade de justiça formulado pelo recorrente em seu recurso especial, determinando que fosse
comprovado o recolhimento do preparo do recurso, no prazo de cinco dias, sob pena de deserção,
decisão contra qual se insurge o ora recorrente.
Alega, em síntese, que o STJ e STF já reconheceram o direito ao benefício da Justiça
Gratuita a pessoa jurídica sem fins lucrativos e que a apresentação da declaração de imposto de renda
da recorrente é suficiente para comprovar que faz jus ao benefício.
É o relatório. Decido.
No tocante à gratuidade de justiça, em observância ao princípio constitucional da
inafastabilidade da tutela jurisdicional, previsto no art. 5º, XXXV, da CF/88, é plenamente cabível a
concessão do benefício da assistência judiciária gratuita às pessoas jurídicas, desde que comprovem
insuficiência de recursos (CF/88, art. 5º, LXXIV). É que a elas não se estende a presunção juris
tantum prevista no art. 4º da Lei 1.060/1950, nos termos seguintes:
"Art. 4º. A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante
simples afirmação, na própria petição, de que não está em condições de
pagar as custas do processo e os honorários do advogado, sem prejuízo
próprio ou de sua família.
§ 1º Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa condição
nos termos desta lei, sob pena de pagamento até o décuplo das custas
judiciais." (grifo nosso)
Destarte, apenas às pessoas físicas é possível o deferimento da assistência judiciária
gratuita, mediante simples requerimento, dispensando-se a comprovação de sua efetiva necessidade.
A presunção juris tantum de hipossuficiência opera-se apenas em favor da pessoa física. Por outro
lado, às pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, não se dispensa a prova de que não têm
condições de arcar com as despesas processuais sem comprometimento de seu funcionamento.
O enunciado da Súmula nº 481 desta Corte Superior determina que "Faz jus ao
benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua
impossibilidade de arcar com os encargos processuais" .
Dessa forma, as pessoas jurídicas para usufruírem do benefício da justiça gratuita
devem comprovar nos autos, de modo incontestável, a ausência de condições para arcar com os
encargos do processo.
A respeito do tema, o Egrégio Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de
que " o benefício da gratuidade pode ser concedido à pessoa jurídica apenas se esta comprovar que
dele necessita, independentemente de ser ou não de fins lucrativos", não bastando, para tanto, a
simples declaração de pobreza. A propósito:
"BENEFÍCIO DA GRATUIDADE - PESSOA JURÍDICA DE DIREITO
PRIVADO - POSSIBILIDADE - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
DA INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS - INEXISTÊNCIA,
NO CASO, DE DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DO ESTADO DE
INCAPACIDADE ECONÔMICA - CONSEQÜENTE INVIABILIDADE
DE ACOLHIMENTO DESSE PLEITO - RECURSO IMPROVIDO. - O
benefício da gratuidade - que se qualifica como prerrogativa destinada a
viabilizar, dentre outras finalidades, o acesso à tutela jurisdicional do Estado
- constitui direito público subjetivo reconhecido tanto à pessoa física quanto
à pessoa jurídica de direito privado, independentemente de esta possuir, ou
não, fins lucrativos. Precedentes. - Tratando-se de entidade de direito
privado - com ou sem fins lucrativos -, impõe-se-lhe, para efeito de acesso
ao benefício da gratuidade, o ônus de comprovar a sua alegada
incapacidade financeira (RT 787/359 - RT 806/129 - RT 833/264 - RF
343/364), não sendo suficiente, portanto, ao contrário do que sucede com a
pessoa física ou natural (RTJ 158/963-964 - RT 828/388 - RT 834/296), a
mera afirmação de que não está em condições de pagar as custas do
processo e os honorários advocatícios. Precedentes." (AgRg no RE
192.715/SP, 2ª Turma, Relator o Ministro CELSO DE MELLO , julgado
em 21/11/2006, DJ de 09/02/2007)
Na hipótese dos autos, o colendo Tribunal de origem indeferiu o pedido de assistência
gratuita, ao fundamento de que não houve comprovação pela recorrente de sua insuficiência em arcar
com as despesas processuais, senão vejamos:
"A concessão da gratuidade de justiça às pessoas jurídicas com fins lucrativos é
de admissão excepcionalíssima, desde que comprovada a hipossuficiência e
absoluta falta de recursos, hipótese que não foi demonstrada pela recorrente
nos autos.
A jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça é pacífica em não conceder
gratuidade de justiça à pessoa jurídica não filantrópica sem a devida
demonstração de sua miserabilidade jurídica.
(...)
No caso dos autos, é forçoso concluir que a documentação adunada pela parte
recorrente não demonstra, de forma cabal, ser ela hipossuficiente de modo a
autorizar a concessão do benefício em comento ." (e-STJ, fls. 440/441) (grifei)
Nesse sentido, conforme acima delineado, tanto o Pretório Excelso como esta Corte de
Justiça consagram jurisprudência no sentido de que é devido o deferimento de justiça gratuita à
pessoa jurídica, condicionando apenas sua concessão à comprovação do estado de hipossuficiência, o
que não ocorreu no caso ora em análise.
Tem-se, no ponto, que a decisão recorrida está em consonância com a pacífica
jurisprudência deste Tribunal Superior, incidindo à pretensão recursal, pois, o óbice da Súmula
83/STJ.
Ademais, a alteração da conclusão firmadas pelo col. Tribunal a quo quanto à
ausência de comprovação da dificuldade financeira em arcar com o pagamento das custas judiciais
deste processo, tal como propugnada, demandaria, necessariamente, o reexame de matéria fática e
probatória dos autos, providência vedada no recurso especial pela Súmula 7 do STJ.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial.
Publique-se.
Brasília (DF), 27 de março de 2019.
MINISTRO RAUL ARAÚJO
Relator
RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA
AGRAVANTE : CAPITANIO DANIELLI & CIA. LTDA
ADVOGADOS : DARCI NORTE REBELO E OUTRO(S) - RS002437
DARCI NORTE REBELO JR - RS055242
ALEKSEI SOSA REBELO - RS084117
AGRAVANTE : GUSTAVO QUANZ RAMBO (MENOR)
REPR. POR : ARTEMIO ALOYSIO RAMBO
AGRAVANTE : JULIA QUANZ RAMBO
ADVOGADOS : LUIZ GRZECHOTA E OUTRO(S) - RS006210
IRINEU BITTELKOW HANNUSCH - RS030605
NEUBER EDGAR LEHN - RS045126
AGRAVADO : OS MESMOS
AGRAVADO : MUNICÍPIO DE CARAZINHO
PROCURADOR : TARSO DEVINCENZI SILVEIRA E OUTRO(S) - RS053950
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