Áurea de Almeida Pacheco
Por ser de lá, do sertão, lá do cerrado, lá do interior, do mato, da caatinga, do roçado, como já diz a saudosa canção Lamento Sertanejo, estudar para mim sempre foi algo revolucionário, transformador. A começar pelas lutas de mainha para que eu pudesse permanecer no Centro Educacional Manoel Martiniano de Almeida, Escola pública situada no povoado de Campo de São João na cidade de Várzea da Roça no sertão da Bahia. Fascinada desde menina pelas palavras, frases, orações, narrativas escritas que davam vida aos livros de Monteiro Lobato, Irmãos Grimm, e os textos presentes nos livros didáticos de História e Língua Portuguesa. Ao concluir o ensino médio em uma escola pública da rede Estadual na cidade de Serrolândia, também no interior da Bahia, as dificuldades que me inserem em um grupo minoritário, em igualdade de direitos, se revelaram diante de mim de forma avassaladora. Enquanto mulher interiorana e pobre, fazer graduação era uma utopia distante. Depois de muitos diálogos com meus pais eu consegui convencê-los a me deixar estudar em Jacobina, o problema é que no catálogo de cursos da Universidade do Estado da Bahia campus IV não havia Jornalismo, e se eu quisesse fazer graduação teria que adequar o meu sonho às possibilidades do momento. Como mencionei as palavras sempre me fascinaram enormemente, mas não digo palavras em um sentido linguístico, gramatical, apenas. Mas as palavras que formam narrativas, que preservam memórias, a escrita em suas diversas dimensões responsável pela construção do passado, e principalmente de um passado que eu amava revisitar através dos livros didáticos de História, que eram à época, o que eu tinha acesso. A minha escolha foi então o curso de Licenciatura em História na Universidade do Estado da Bahia campus IV - Jacobina. Aprovada no vestibular ingressei na Universidade em 2014, logo no terceiro semestre desenvolvi a paixão pela pesquisa acadêmica, inicialmente como pesquisadora no programa de Iniciação Cientifica com um trabalho sobre século XIX, era fabuloso. Mas não adiantava negar, a minha paixão estava no século XX, mais precisamente na segunda metade dele, principalmente no que consta a partir do início da década de 60: as contradições políticas que levaram ao Golpe Civil-Militar em 64. A radicalidade estética promovida pelos artistas Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé e tantos outros que deram vida ao tropicalismo. A estética da fome pensada e encenada nos filmes de Glauber Rocha e afins. Não demorou muito para que eu começasse uma pesquisa na área desejada, inicialmente com o subprojeto intitulado "Censura e experimentação estética: Imagens cinematográficas e cartas do exílio (1965-1978)", atrelado ao projeto: "Imagem, discurso e cidade: historiografia contemporânea", sob orientação do professor Dr. Washington Luís Lima Drummond. A ideia inicial passou por diversos processos, amadureceu, ganhou forma e se tornou um projeto de mestrado intitulado "A escrita de si nas cartas de Caetano Veloso: narrativas de sofrimento e práticas do cuidado de si como enfrentamento à ditadura civil-militar (1969-1970)", apresentado e aprovado em dois programas de pós-graduação de duas universidades públicas do Estado da Bahia, em um deles sendo o primeiro colocado, na Universidade Estadual de Feira de Santana, onde obtive sob a supervisão e orientação do Professor Dr. Clóvis Frederico Ramaiana Moraes de Oliveira o título de Mestre.
Informações coletadas do Lattes em 14/07/2025
Acadêmico
Formação acadêmica
Mestrado em História
2020 - 2023
Universidade Estadual de Feira de Santana
Título: A escrita de si nas crônicas de Caetano Veloso: narrativas de sofrimento e práticas do cuidado de si como enfrentamento a Ditadura Civil-Militar no Brasil, Ano de Obtenção: 2023
Clovis Frederico Ramaiana Moraes de Oliveira.
Graduação em História
2014 - 2019
Universidade do Estado da Bahia
Título: Experimentação Estética: A escrita de si nas cartas de Caetano Veloso (1969-1970).
Orientador: Washington Luis Lima Drummond
Participação em eventos
Diálogos e Saberes transdisciplinares. 2016. (Outra).
I Pré Jornada de Iniciação Cientifica da UNEB.Condições de Saúde da População Africana na Bahia do século XIX (1808-1830). 2015. (Outra).
XX Jornada de Iniciação Científica.Condições de Saúde da População Africana na Bahia do século XIX (1808-1830). 2015. (Outra).
Conjuração Baiana de 1798. 2014. (Outra).
I Colóquio de Pesquisa Do Núcleo de Estudos Orais, Memoria e Iconografia - NEO. 2014. (Outra).
Produções bibliográficas
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PACHECO, Á. A. . Políticas da escrita: cartas, diários e crônicas (1960-1980). 1. ed. Alagoinhas: Bordô-Grená, 2020. v. Único. 178p .
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PACHECO, Á. A. . A ESCRITA DE SI NAS CARTAS DE CAETANO VELOSO: A estetização da existência no contexto do exílio a partir das narrativas epistolares enviadas ao Pasquim (1969-1970). In: X Encontro Regional de História da ANPUH-DF: Centenário de Darcy Ribeiro e os 60 anos da UnB, 2022, Brasília. Anais do X Encontro da ANPUH-DF ?Centenário de Darcy Ribeiro e os 60 anos da UnB?. Brasília: Biblioteca Central, 2022. v. 1.
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PACHECO, Á. A. ; SOARES, D. S. . CAETANO VELOSO: O ANIQUILAMENTO DO SUJEITO EM 'NARCISO EM FÉRIAS' E NAS CARTAS DO EXÍLIO. In: XVII Congresso Internacional ABRALIC de 2021, 2021, Porto Alegre. Dissonâncias Críticas. Porto Alegre: Bestiário, 2021.
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PACHECO, Á. A. . Censura e experimentação estética: a escrita de si nas cartas de Caetano Veloso (1969-1970). In: IX encontro Estadual de História: História e movimentos sociais., 2018, Santo Antônio de Jesus. ST 02. A escrita ao avesso: cartas, diários, crônicas e canções como enfrentamento político nos anos 1960/1980, 2018.
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PACHECO, Á. A. . Censura e Experimentação Estética: A Escrita de si nas cartas de Caetano veloso (1969-1970). In: XXII Jornada de Iniciação Científica, 2018, Salvador. 35 anos de UNEB: Construindo uma universidade inclusiva e popular., 2018.
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PACHECO, Á. A. . Censura e experimentação estética: Imagens cinematográficas e cartas do exílio. In: XXI Jornada de Iniciação Cientifica da UNEB, 2017, Salvador. XX Jornada de Iniciação Cientifica da UNEB: Conhecimento, inovação e transformações locais., 2017.
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PACHECO, Á. A. . Condições de Saúde da População Africana na Bahia do século XIX (1808-1830). In: XX Jornada de Iniciação Científica 2016, 2016, Salvador. Desafios do Século XXI: Integração Social e Sustentabilidade, 2016.
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PACHECO, Á. A. . O ideal de homem brasileiro na Ditadura e a subversão da ordem em Caetano Veloso. 2023. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . A ESCRITA DE SI NAS CARTAS DE CAETANO VELOSO: A estetização da existência no contexto do exílio a partir das narrativas epistolares enviadas ao Pasquim (1969-1970). 2022. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, A. A. ; SOARES, D. S. ; PACHECO, Á. A. . O aniquilamento do sujeito em 'Narciso em Férias' e nas cartas do exílio. 2021. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . Ditadura na América Latina, Desdobramentos políticos e sociais.. 2019. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).
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PACHECO, Á. A. . Aulão Interdisciplinar: As várias faces do período ditatorial brasileiro (1964-1985). 2019. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).
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PACHECO, Á. A. . Censura e experimentação estética: a escrita de si como intervenção nas cartas de Caetano veloso. (1969-1970). 2018. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . Censura e experimentação estética: a escrita de si nas cartas de Caetano Veloso (1969-1970). 2018. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . Censura e experimentação estética: Imagens cinematográficas e cartas do exílio. 2017. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . Condições de saúde da população africana na Bahia do século XIX (1808-1830). 2016. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
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PACHECO, Á. A. . Alegria e Nostalgia: Música em tempos de Golpe.. 2017. .
Prêmios
2018
Censura e experimentação estética: a escrita de si nas cartas de Caetano Veloso (1969-1970), Universidade do Estado da Bahia.
Histórico profissional
Experiência profissional
2024 - Atual
Colégio Horácio Pires de LimaVínculo: Celetista, Enquadramento Funcional: Professora de História, Carga horária: 20
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