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29/05/2024 Visualizar PDF
Os processos abaixo relacionados encontram-se com Vista para ciência da certidão de fl.
e-STJ 233:
DECISÃO
Trata-se de mandado de segurança com pedido liminar impetrado por M V
de A S - Menor Impúbere contra ato coator praticado pelo Secretário de Saúde do
Município de Contagem e do Estado de Minas Gerais.
A parte impetrante relata que foi diagnosticada com Niemann Pick Tipo C
com CID E75.2 e necessita, para tratar a enfermidade, do fornecimento do
medicamento “Miglustat (Zavesca)".
Pede a concessão de medida liminar lastreada na probabilidade do direito
diante da comprovação da necessidade do uso imediato do medicamento e na
urgência do pedido, pois está sem uso de remédio algum e, caso não inicie o
tratamento, poderá vir a óbito.
Às fls. 59/60, o Juízo estadual determinou a inclusão do Ministro de Estado
de Saúde no polo passivo, e os autos foram remetidos a este Superior Tribunal de
Justiça.
À fl. 68 foi deferido o pedido de gratuidade da justiça.
Parecer do Ministério Público Federal nos termos da seguinte ementa (fl.
127):
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE
SEGURANÇA. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. INCLUSÃO DA
UNIÃO DETERMINADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. DECISÃO QUE
NÃO ACOMPANHA A JURISPRUDÊNCIA DO STJ NO TEMA. SUPOSTO
ATO OMISSIVO DO MINISTRO DA SAÚDE. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
FÁRMACO NÃO CONSTANTE DOS ATOS NORMATIVOS DO SUS PARA A
DOENÇA DO IMPETRANTE. REGISTRO NA ANVISA. PARECER PELA
EXCLUSÃO DA UNIÃO NO FEITO E DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À
ORIGEM PARA EXAME DO MÉRITO.
É o relatório.
O art. 105, I, h, da Constituição Federal (CF) determina a competência
originária do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar mandado de
segurança nas hipóteses de ato omissivo ou comissivo praticado por Ministro de
Estado, por Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou pelo próprio
Tribunal, que seja lesivo a direito líquido e certo da parte impetrante.
Da mesma forma, nos termos do art. 6º, § 3º, da Lei 12.016/2009, considera-
se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a
ordem para a sua prática.
Extrai-se dos autos que, além de não haver a indicação precisa do ato
supostamente coator, não há documentos juntados na inicial proferidos
pelo Secretário de Saúde do Município de Contagem e do Estado de Minas Gerais.
O Superior Tribunal de Justiça aponta situações de ilegitimidade de
indicação de Ministro de Estado no polo passivo de impetrações, uma vez que a
ele não é indicado ato que tenha praticado, nem mesmo conduta omissiva a ele
imputável, no afã, em qualquer caso, de lesar ou de ameaçar lesar o direito perseguido.
Nesse sentido: STJ, MS 18.187/DF, relator Ministro Humberto Martins,
Primeira Seção, DJe de 19/10/2012; AgRg no MS 15.852/DF, relator Ministro Arnaldo
Esteves Lima, Primeira Seção, DJe de 6/6/2012.
Pelo exposto, pronuncio a ilegitimidade passiva do Ministro de Estado,
carecendo o Superior Tribunal de Justiça de competência para o processamento e o
julgamento da demanda.
Ante o exposto, com base nos arts. 10, caput, da Lei 12.016/2009 e 34, XIX,
e 212 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (RISTJ), indefiro a inicial
do mandado de segurança. Prejudicado o pedido liminar de tutela de urgência.
Custas na forma da lei. Sem condenação ao pagamento de honorários
advocatícios nos termos do art. 25 da Lei 12.016/2009.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 27 de maio de 2024.
MINISTRO PAULO SÉRGIO DOMINGUES
Relator
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