Informações do processo HC 159259

  • Movimentações
  • 3
  • Data
  • 05/07/2018 a 20/08/2018
  • Estado
  • Brasil
Envolvidos da última movimentação:
  • Coator
    • Relator do Hc Nº 447.480 do Superior Tribunal de Justiça

Movimentações Ano de 2018

20/08/2018 Visualizar PDF

  • Relator do Hc Nº 447.480 do Superior Tribunal de Justiça
Esconder envolvidos Mais envolvidos
Seção: PRESIDÊNCIA
Tipo: HABEAS CORPUS

Ata da Centésima Nonagésima Segunda Distribuição realizada em

15 de agosto de 2018.

Foram distribuídos os seguintes feitos, pelo sistema de
processamento de dados:


Origem: 159259 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Procedência: SANTA CATARINA

DECISÃO: Trata-se de habeas corpus impetrado contra decisão
monocrática, proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que, no HC

447.480/SC, indeferiu o pedido liminar (eDOC 7).

Narra o impetrante que: a) foi decretada a prisão preventiva do
paciente, em razão de suposta prática dos crimes previstos no art. 180, caput,
c.c. art. 311, caput, do CP, art. 16, caput, da Lei 10.826/03, por duas vezes, na
forma do art. 71 do CP, art. 15, caput, da Lei 10.826/03, art. 157, § 2º, I e II, do
CP, por duas vezes, na forma do art. 71 do CP, e art. 157, § 2º, I, II e IV, do
CP; b) inexiste fundamento idôneo para a segregação cautelar, uma vez que
não há comprovação de que o paciente esteja envolvido com os fatos
narrados na denúncia, contando, inclusive, com parecer do Ministério Público
pela absolvição; c) houve irregularidade no procedimento de reconhecimento
fotográfico do acusado; d) não foram levadas em consideração as condições
pessoais do paciente, que é primário, possui bons antecedentes, residência
fixa e trabalho lícito.

Pugna, em suma, pela superação da Súmula 691/STF para que seja
revogada a prisão preventiva do paciente ou, subsidiariamente, a aplicação de
uma das medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP.

É o relatório. Decido.

1. Esta Corte tem posição firme pela impossibilidade de admissão de
habeas corpus impetrado contra decisão proferida por membro de Tribunal
Superior, visto que, a teor do artigo 102, I, “i", da Constituição da República,
sob o prisma da autoridade coatora, a competência originária do Supremo
Tribunal Federal somente se perfectibiliza na hipótese em que Tribunal
Superior, por meio de órgão colegiado, atue nessa condição. Nessa linha, cito
o seguinte precedente:

“É certo que a previsão constitucional do habeas corpus no artigo 5º,
LXVIII, tem como escopo a proteção da liberdade. Contudo, não se há de
vislumbrar antinomia na Constituição Federal, que restringiu a competência
desta Corte às hipóteses nas quais o ato imputado tenha sido proferido
por Tribunal Superior . Entender de outro modo, para alcançar os atos
praticados por membros de Tribunais Superiores, seria atribuir à Corte
competência que não lhe foi outorgada pela Constituição. Assim, a
pretexto de dar efetividade ao que se contém no inciso LXVIII do artigo 5º da
mesma Carta, ter-se-ia, ao fim e ao cabo, o descumprimento do que previsto
no artigo 102, I, “i", da Constituição como regra de competência,
estabelecendo antinomia entre normas constitucionais.

Ademais, com respaldo no disposto no artigo 34, inciso XVIII, do
Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, pode o relator negar
seguimento a pedido improcedente e incabível, fazendo-o como porta-voz do
colegiado. Entretanto, há de ser observado que a competência do
Supremo Tribunal Federal apenas exsurge se coator for o Tribunal
Superior (CF, artigo 102, inciso I, alínea “i"), e não a autoridade que
subscreveu o ato impugnado. Assim, impunha-se a interposição de
agravo regimental" (HC 114.557 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma,
julgado em 12.08.2014, grifei).

Nessa perspectiva, tem-se reconhecido o descabimento de habeas

corpus dirigido ao combate de decisão monocrática de indeferimento de
liminar proferida no âmbito do STJ. Tal entendimento pode ser extraído a
partir da leitura da Súmula 691/STF:

“ Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas
corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus
requerido a tribunal superior, indefere a liminar."

2. Não bastasse, a exigência de motivação estabelecida pelo artigo

93, IX, CF, deve ser compreendida à luz do cenário processual em que o ato
se insere. Vale mencionar, por exemplo, a evidente distinção da motivação
exigida entre medidas embrionárias, que se contentam com juízo sumário, e o
édito condenatório, que desafia a presença de arcabouço robusto para fins de
desconstituição do estado de inocência presumido.

Cumpre assinalar que o deferimento de liminar em habeas corpus
constitui medida excepcional por sua própria natureza, que somente se
justifica quando a situação demonstrada nos autos representar, desde logo,
manifesto constrangimento ilegal.

Ou seja, no contexto do habeas corpus, a concessão da tutela de
urgência é exceção, e, nesse particular, seu indeferimento deve ser motivado
de acordo com essa condição.

Sendo assim, o ônus argumentativo para afastar o pleito liminar é
extremamente reduzido. Calha reiterar que, em tais hipóteses, não há
pronunciamento de mérito da autoridade apontada como coatora, de modo
que se mostra recomendável aguardar a manifestação conclusiva do Juízo

natural.

3. Destarte, como não se trata de decisão manifestamente contrária à
jurisprudência do STF ou de flagrante hipótese de constrangimento ilegal, com
fulcro na Súmula 691/STF e no art. 21, §1º, do RISTF, nego seguimento ao

habeas corpus.
Publique-se. Intime-se.

Brasília, 15 de agosto de 2018.
Ministro EDSON FACHIN

Relator

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02/08/2018 Visualizar PDF

  • Relator do Hc Nº 447.480 do Superior Tribunal de Justiça
Esconder envolvidos Mais envolvidos
Seção: PRESIDÊNCIA
Tipo: MEDIDA CAUTELAR NO HABEAS CORPUS

DISTRIBUÍDO POR PREVENÇÃO


Origem: 159259 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Procedência: SANTA CATARINA

DESPACHO

1. Habeas corpus, com requerimento de medida liminar, impetrado
por Nícolas Bereta Machado, advogado, em benefício de Guilherme Fernando
Mendonça Huff, contra o Relator do
Habeas Corpus n. 447.480 no Superior
Tribunal de Justiça, Ministro Jorge Mussi, que indeferiu a medida liminar,
mantendo a prisão cautelar, considerada a gravidade concreta da conduta
atribuída ao paciente, que, “
articulado com outro indivíduo, troca tiros com a
polícia militar e, após a fuga, comete dois assaltos à mão armada
".

O impetrante pede a superação da Súmula n. 691 deste Supremo
Tribunal e a concessão da liberdade ao paciente ou a substituição da prisão
por medidas cautelares diversas.

2. A decisão objeto desta impetração está em harmonia com a
jurisprudência deste Supremo Tribunal. O caso não se enquadra na previsão
do inc. VIII do art. 13 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.

3. Encaminhe-se o processo ao digno Ministro Relator.

Publique-se.
Brasília, 2 de julho de 2018.

Ministra CÁRMEN LÚCIA

Presidente


Retirado da página 346 do Supremo Tribunal Federal (Brasil) - Padrão

05/07/2018 Visualizar PDF

  • Relator do Hc Nº 447.480 do Superior Tribunal de Justiça
Esconder envolvidos Mais envolvidos
Seção: PRESIDÊNCIA
Tipo: HABEAS CORPUS

DISTRIBUÍDO POR PREVENÇÃO


Origem: 159259 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Procedência: SANTA CATARINA


Retirado da página 3 do Supremo Tribunal Federal (Brasil) - Padrão