Formulação farmacêutica à base da espécie vegetal arrabidaea chica para fotoproteção e pigmentação

  • Número do pedido da patente:
  • PI 0703095-9 A2
  • Data do depósito:
  • 20/09/2007
  • Data da publicação:
  • 18/03/2014
Inventores:
  • Classificação:
  • A61Q 17/04
    Prepara??es de barreira; Prepara??es para contato direto com a pele protegendo contra influ?ncias externas, p. ex. raios solares, raios X ou outras radia??es perigosas, materiais corrosivos, bact?rias ou picadas de insetos; / Prepara??es t?picas para pote??o contra raios solares ou outras radia??es; Pepara??es t?picas bronzeadoras;
    ;
    A61K 8/97
    Cosm?ticos ou prepara??es similares para higiene pessoal; / caracterizado pela composi??o; / contendo materiais, ou derivados destes, de constitui??o desconhecida; / de origem vegetal, p. ex. extratos de plantas;
    ;
    A61K 36/185
    Prepara??es medicinais contendo materiais de constitui??o indeterminadas derivados de algas, l?quens, fungos ou plantas, ou derivados dos mesmos, p. ex. medicamentos tradicionais ? base de ervas; / Magnoliophyta (angiospermas); / Magnoliopsida (dicotiled?neas);
    ;
    A61Q 19/04
    Prepara??es para tratamento da pele; / para bronzeamento qu?mico da pele;
    ;
    A61K 127/00
    Contendo ou obtido de folhas;
    ;

FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRAIBIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO. A presente invenção refere-se a formulação de composto à base do extrato frações e substâncias da espécie vegetal Arrabidaea chica com atividade de fotoproteção e pigmentação. Devido a presença de flavonóides, este extrato, frações e substâncias químicas apresentam uma alta atividade melanogênica, o que possibilita a sua utilização cosmética (fotoprotetor solar da pele e-ou cabelos, bronzeador, pigmento para bronzeamento artificial, pigmento para tintura de cabelos e cosméticos em geral), dermatológica e veterinária.

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Documento

FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO

A presente invenção de Patente refere-se ao o uso do extrato, frações e substâncias químicas da espécie vegetal Arrabidaea chica como pigmento e fotoprotetor.

A Arrabidaea chica popularmente conhecida como crajirú, crajurina, carajuru, pariri, cipó- cruz, punca-panga e chica é uma planta que pertence a família Bignoniaceae a qual contém cerca de 120 gêneros e 800 espécies distribuídas nas regiões tropicais da América do Sul, na África e no Brasil, sendo muito comum na região amazônica (TAKEMURA et al., 1995). Popularmente a planta é utilizada como antiinflamatório, agente adstringente e como fitoterápico nos tratamentos de cólica intestinal, diarréia, leucorréia e anemia (ZORN et al., 2002), e quando aplicada topicamente combate as impigens e outras enfermidades de pele, usada principalmente para lavagens de feridas e úlceras (CORRÊA, 1984).

As folhas submetidas à fermentação e manipuladas como anileira, fornecem um corante vermelho escuro ou vermelho tijolo (“vermelho carajuru”, “vermelho de chica”, “vermelhão americano”) que desde os tempos memoriais era usado pelos aborígines para se pintarem, assim como para tingirem seus enfeites, utensílios e vestuário, bem como tatuagens. No nordeste brasileiro a planta é utilizada para fazer tatuagens devido a presença dos pigmentos vermelho escuro ou vermelho tijolo, a crajurona e carajurina já identificado por ZORN et al. (2002) e denominado de 3-desoxiantocianina.

Como existem poucos relatos de estudos químicos do gênero Arrabidaea e a literatura relata a presença de substâncias como saponinas, quininas, flavonóides, taninos, pigmentos flavônicos e indícios de alcalóides nas folhas desta espécie e sabe-se que os flavonóides são capazes de absorver a luz ultravioleta é garantida a possibilidade de utilização desta espécie vegetal para a formulação de um fotoprotetor. Os fotoprotetores garantem a proteção efetiva contra a radiação ultravioleta (UV) estando disponível na forma de preparações para uso tópico, contendo os filtros solares (SOUZA et al., 2005) que protegem a pele da luz UV (HABIF, 2005).

Atualmente no mercado existem protetores químicos e físicos. Os químicos são aqueles que absorvem proporções específicas da radiação UV e os físicos são aqueles que proporcionam uma camada opaca na pele que reflete as radiações UV.

Os produtos encontrados comercialmente apresentam protetores químicos ou físicos e a maioria tenta combinar a ação de ambos para melhorar a eficácia do produto e esta parece ser uma grande tendência nesta linha de medicamento e cosmético. Quando estes produtos utilizam os protetores físicos na sua formulação estes apresentam alguns 5 compostos como dióxido de titânio, óxido de zinco, silicato e óxido de magnésio (KEDE et al., 2004) o que cosmeticamente não são bem aceitos por deixarem um aspecto esbranquiçado na pele. Outro ponto importante é que nem todos os protetores são foto e termoestáveis, resistentes á água, não tóxicos ou alergênicos, e por fim fáceis de formular.

10    É um objetivo da presente invenção melhorar o tipo do processo acima

mencionado, e para solucionar o problema com o fotoprotetor proposto a partir da espécie vegetal citada anteriormente é possível unir a ação de protetor químico e físico, não necessitando de outras substâncias para a formulação. Com a ausência destes agentes físicos (dióxido de titânio, óxido de zinco, silicato e óxido de magnésio) na 15    formulação, acredita-se na ausência do aspecto esbranquiçado encontrado na pele e uma

maior aceitação do produto no mercado. Neste produto a estabilidade, resistência a água, ausência de toxicidade e característica alergênica são garantidas e além do bloqueio contra a radiação ultravioleta A e B, existe a possibilidade da anti-radiação infravermelha deste produto. Outro ponto importante seria que esta planta é de fácil 20 cultivo e encontrada por todo o Brasil principalmente na região Amazônica, o que garante um custo mais baixo.

A invenção está baseada na descoberta dos flavonóides do extrato bruto, frações e substâncias químicas da espécie vegetal Arrabidaea chica utilizadas como fotoprotetor obtidas segundo a metodologia descrita abaixo.

25    As partes aéreas da planta foram secas em estufa de ar circulante a uma

temperatura de 30- 45 °C, e em seguida o material vegetal seco foi pulverizado em moinho de facas. O pó vegetal obtido foi submetido a extração com etanohágua na concentração entre 50- 95%, através do processo de maceração dinâmica em temperatura ambiente. Em seguida, foi concentrado sob pressão reduzida em evaporador rotatório a 30 temperatura entre 35- 55 °C até a eliminação do solvente orgânico, foi liofilizado e armazenado em freezer. O extrato bruto (EB) hidroalcoólico foi suspenso em água e submetido à partição, com hexano, diclorometano, acetato de etila e n-butanol,

originando as frações FH, FD, FA e FnB, e em seguida o solvente orgânico foi eliminado em rotaevaporador.

O EB e as frações foram submetidas a testes de atividade biológica. Para isso, células BiôFio (melanoma de rato) foram cultivadas em RPMI 1640 (Gibco®) suplementado com 10% de soro fetal bovino (Gibco®) e antibiótico gentamicina, cultivadas a 37 °C em estufa úmida com tensão de 5% de CO2, em garrafas plásticas com tampa-rosca e dispositivo para entrada de CO2 (TPP®). Para a manutenção das células de linhagem contínua foi realizado o repique com solução de tripsina (Gibco®) a 37 °C por 10 segundos quando houve a formação de uma monocamada de células confluentes.

As células BióFio foram plaqueadas na concentração de 2,5 x 105 células por poço em placas de 96 wells mantidas a 37 °C em estufa úmida com tensão de 5% de COpor 24 horas. Após a formação da monocamada, o meio foi retirado e as células foram tratadas com 100 pl das concentrações (500, 400, 300, 200, 100 e 50 pg/ml) dos extratos e das frações da planta. As células foram incubadas por 48 horas nas condições citadas anteriormente.

Após 48 horas, o meio foi retirado e as células foram fixadas com 50 pl de ácido tricloroacético 10% a 4 °C durante 1 hora. A placa então foi lavada por 5 vezes com água corrente e guardada até que secasse a temperatura ambiente.

Seca a placa foi adicionado 50 pl de sulforodamina B em cada poço e mantido a 4 °C durante 30 min ao abrigo da luz. Após isso o corante foi removido com 4 lavagens com ácido acético a 1% e 150 pl de Tris-base 10 mM foi adicionado em cada poço para dissolver o corante ligado as células viáveis. A absorbância foi determinada em leitor de ELISA, em 530 nm.

Após leitura observou-se que o EB e as frações apresentam certa toxicidade nas concentrações mais altas testadas geralmente nas concentrações acima de 300 pg/ml, sendo que abaixo desta concentração não apresentam toxicidade, logo o produto utilizado não apresentaria estas concentrações tóxicas, lembrando também que o produto quando utilizado em seres humanos para que tenha ação nas células é necessário que passe por todas as barreiras e camadas de proteção da pele.

Outro teste biológico realizado foi a dosagem de melanina intracelular. As células BióFio foram plaqueadas na concentração de 5 x 105 células por poço em placas de 6 wells mantidas a 37 °C em estufa úmida com tensão de 5% de CO2 por 24 h. Após a formação da monocamada, o meio foi retirado e as células tratadas com 2 ml das concentrações (500, 400, 300, 200, 100, 50 pg/ml) dos extratos e das frações da planta em duplicata. As células foram incubadas por 48 h nas condições citadas anteriormente.

Após a incubação, o meio foi retirado e as células aderidas em cada poço foram retiradas com a ajuda do “cell scrapper” e lavadas com 1 ml de PBS 0,01 M. Em seguida foi realizada a contagem na Câmara de Neubauer e a centrifugação a 10.000 g durante 3 min. O sobrenadante foi retirado e acrescentado 1 ml de NaOH 1 N ao pellet, realizando em seguida de agitação para a quebra do pellet. Foi feito a incubação de 24 h, e após este período foi feito a centrifugação a 10.000 g durante 3 min e a absorbância determinada no espectofotômetro em 475 nm. A produção de melanina foi determinada sendo crescente conforme o aumento da concentração do extrato e de algumas frações, o que garante a fotoproteção da pele, além da pigmentação e o bronzeado que o produto pode proporcionar sem a presença da radiação ultravioleta que pode ser nociva e mutagênica para o organismo como mostra a figura 1.

A análise fotoacústica e de transmissão foi realizada com o extrato e as frações ficando evidente a sua ação nos picos de radiação UVA e UVB quando comparada com o de um fotoprotetor comercial de referência no mercado. Além do espectro muito próximo ao do fotoprotetor comercial, mesmo sem a presença de agentes físicos (dióxido de titânio-composto presente na formulação do produto comercial de referência), pode-se observar um espalhamento significativo da composição da formulação farmacêutica do fotoprotetor contendo entre 0,1 a 25% do extrato vegetal, frações, substâncias químicas, associados a excipientes e/ou diluentes, eluentes e outros adjuvantes farmaceuticamente aceitáveis proposta e logo uma proteção física encontrada na planta.

Devido a alta incidência de câncer de pele e o crescimento no interesse pelo uso de produtos naturais derivados de plantas faz-se necessário a descoberta de novas propriedades terapêuticas e cosméticas de compostos conhecidos de plantas como este proposto acima, onde ficou explicado que a utilização do extrato, frações e substâncias químicas desta espécie vegetal - krrabidaea chica quando extraídas e utilizadas segundo a metodologia citada anteriormente pode apresentar atividade de fotoproteção e também de pigmentação da pele, protegendo contra os efeitos mutagênicos da radiação ultravioleta que constantemente estamos expostos.

REIVINDICAÇÕES

1.    FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO

caracterizada por ser composto com presença de flavonóides com atividade de fotoproteção dermatológica (pele e cabelos) física e química podendo apresentar-se sob a forma de creme, gel e gel-creme para uso tópico;

2.    FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO caracterizada por apresentar alta atividade melanogênica, o que possibilita a sua utilização como pigmento para bronzeamento artificial, pigmento para tintura de cabelos e cosméticos em geral para uso tópico;

3.    FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO caracterizada por apresentar flavonóides e sua alta atividade melanogênica, o que possibilita a sua utilização para formulação de produtos com utilização veterinária.

4.    FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO

caracterizada por ser obtida através do processo de produção do extrato e frações da espécie vegetal Arrabidaea chica para utilização como fotoprotetor caracterizado por ser isolado das partes aéreas de uma planta (folhas e caule) pertencente à família Bignoniacea submetido a maceração e em seguida rotaevaporado à temperatura entre 35 a 55 °C até a eliminação do solvente orgânico e liofilizado.

5.    FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO

caracterizada por ser obtida por processo, de acordo com a reivindicação 4:

-    em que se usa o etanol como solvente, com o teor de pureza entre 35 a 96 °GL em uma proporção de 1:2 a 10:1 peso:volume;

-    cuja concentração ocorre em rotaevaporador sob pressão inferior a 1 ATM com temperatura controlada entre 35- 55 °C durante um prazo não superior a 48 horas;

-    extrato concentrado mantido a baixíssimas temperaturas, que é armazenado e liofilizado;

-    extrato bruto solubilizado em água e submetido à partição com hexano, diclorometano, acetato de etila e n-butanol;

5    - emprega preferencialmente o acetato de etila como solvente orgânico;

-    composição da formulação farmacêutica do fotoprotetor contendo entre 0,1 a 25% do extrato vegetal, frações, substância químicas, associados a excipientes e/ou diluentes, eluentes e outros adjuvantes farmaceuticamente aceitáveis.

Figura 1


DOSAGEM DE MELANINA- 48H

Qmel/10 cels


çV

<o


0,700

0,600

0,500

0,400

0,300

0,200

0,100

0,000

-0,100

&



Concentração


1/1

fx 01030^3

RESUMO

FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA À BASE DA ESPÉCIE VEGETAL ARRABIDAEA CHICA PARA FOTOPROTEÇÃO E PIGMENTAÇÃO

A presente invenção refere-se a formulação de composto à base do extrato 5 frações e substâncias da espécie vegetal Arrabidaea chica com atividade de fotoproteção e pigmentação. Devido a presença de flavonóides, este extrato, frações e substâncias químicas apresentam uma alta atividade melanogênica, o que possibilita a sua utilização cosmética (fotoprotetor solar da pele e-ou cabelos, bronzeador, pigmento para bronzeamento artificial, pigmento para tintura de cabelos e cosméticos em geral),

10 dermatológica e veterinária.