Superior Tribunal de Justiça 01/12/2020 | STJ
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Civil de 2015, os embargos de declaração destinam-se apenas a suprir
omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou sanar erro material
eventualmente existentes no julgado e, excepcionalmente, atribuir-lhe efeitos
infringentes quando algum desses vícios for reconhecido.
2. "A fixação de multa pelo órgão colegiado, de acordo com o recente
entendimento da Segunda Seção deste Superior Tribunal de Justiça, 'não é
automática', pois não se trata de mera decorrência lógica do não
conhecimento ou improvimento do agravo interno em votação unânime"
(AgInt nos EREsp 1.120.356/RS, 2a S., Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, DJe de 29/08/2016).
3. Não obstante a existência de recentes julgados de ambas as turmas
do Supremo Tribunal Federal (AgRg na Rcl 24.417/SP, 1a T., Rel. Min.
Roberto Barroso, DJe de 24/4/2017 e AgRg na Rcl 24.464/RS, 2a T., Rel
p/ acórdão Min. Dias Toffolli, DJe de 08/02/2018) e de alguns Ministros
do Superior Tribunal de Justiça (v.g., Rcl 34.704/PI, Min. Mauro
Campbell Marques, DJe de 13/11/2017) reconhecendo, quando
verificada a angularização da relação processual, o cabimento da
fixação de honorários advocatícios em reclamações processadas sob o
rito previsto no CPC/15, inviável a aplicação de tal orientação à hipótese
dos autos.
4. No caso, não houve a angularização da relação processual, já que, à
vista da decisão que liminarmente negou seguimento à reclamação,
inexistiu ordem para a citação da parte beneficiária, nos termos do art.
989, III, do CPC/15.
5. A participação do advogado da parte beneficiária restringiu-se tão
somente à apresentação de impugnação (e-STJ, fls. 157/163) ao agravo
interno interposto pela ora embargada contra o referido decisum
denegatório, circunstância que não enseja a condenação na verba
honorária, na forma do art. 85 do CPC/15.
6. Embargos de declaração rejeitados" (STJ, EDcl no AgInt na Rcl
33.971/DF, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA
SEÇÃO, DJe de 28/05/2018).
Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ,
conheço do Agravo, para negar provimento ao Recurso Especial.
Não obstante o disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015 e no Enunciado
Administrativo 7/STJ ("Somente nos recursos interpostos contra decisão
publicada a partir de 18 de março de 2016 será possível o arbitramento de
honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do NCPC"), deixo
de majorar os honorários advocatícios, tendo em vista que, na origem, não
houve prévia fixação de honorários sucumbenciais.
I.
Brasília, 26 de novembro de 2020.
MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES
Relatora
Confirma a exclusão?