Superior Tribunal de Justiça 22/10/2024 | STJ
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Consolidando esse entendimento, a Súmula n. 439, STJ:
"Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do
caso, desde que em decisão motivada".
O Supremo Tribunal Federal, ao analisar o tema, editou a Súmula Vinculante
de n. 26, in verbis:
"Para efeito de progressão de regime no cumprimento de
pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução
observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n. 8.072, de 25 de
julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou
não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame
criminológico."
Assim, forçoso reconhecer a possibilidade de se determinar a realização do
exame criminológico, desde que por decisão fundamentada.
No caso vertente, verifico que o paciente foi considerado, pelo juízo da
execução, como plenamente apto à progressão de regime, a partir da documentação
juntada (fls. 28-32).
Desta forma, pelas peculiaridades do caso concreto e tendo em conta a falta de
argumentação concreta em relação aos próprios autos da execução penal, tenho que a
origem incorreu em excesso na execução penal, assim, impossibilitando a reinserção
gradual e justa do apenado na sociedade.
Ante o exposto, não conheço do writ. Concedo a ordem de habeas corpus, de
ofício, para restabelecer parcialmente a decisão do juízo da execução, apenas em relação
à progressão de regime, contudo, somente se o referido exame criminológico ainda não
tiver sido produzido, situação esta em que deverá ser antes avaliado pelo juízo a quo, e,
claro, caso nenhum aspecto desabonador superveniente tenha ocorrido na execução penal.
Tudo a ser observado com recomendação de celeridade.
Intime-se, com urgência, a origem para cumprimento.
Cientifique-se o MPF desta decisão.
Publique-se. Intime-se.
Brasília, 19 de outubro de 2024.
Confirma a exclusão?