Diário Oficial do Estado de São Paulo 13/06/2012 | DOESP

Executivo I

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Diário Oficial Poder Executivo - Seção I

São Paulo, 122 (109) - III

Fachada do Theatro São Pedro: a casa da ópera em São Paulo

Ensaio de canto para a ópera L'Elisir d'amore

Theatro São Pedro, vista interna (saguão de entrada)

O melhor dos empregos

O baixo-barítono Saulo

Javan, que em LElisir d’amore faz um médico charlatão, já interpretou vários papéis importantes, como o chefe dos caçadores em Der Freischütz, Frei Lourenço em Romeu e Julieta, Dr. Bartolo em O barbeiro de Sevilha, entre outros. Mas foi com o papel-título da ópera Don Pasquale que Javan levou

a plateia ao delírio. A empolgação do público resultou no primeiro bis de dueto da história do Theatro São Pedro. “A gente acabou de cantar e o povo pedia: “bis, bis!”. Foi exaustivo, mas muito gra-tificante”, recorda.

Sua trajetória lembra a de muitos artistas, que, obrigados a optar por uma profissão que garanta sobrevivência, renunciam à verdadeira aptidão. Filho de uma família evangélica, em que todos adoram cantar, formou-se em administração de empresas e foi trabalhar como analista de cargos e salários.

A grande virada se deu quando, depois de uma crise financeira no ramo da empresa em que trabalhava, Saulo se viu novamente à procura de emprego. Pensou: “Por que não agora?” Estava com 29 anos e cantava na igreja e em

eventos. “Resolveu se aproximar do canto lírico - gênero bem diferente do que estava acostumado a cantar - e se encontrou. Fez faculdade, adquiriu e aprimorou técnicas.

Antes do Theatro São Pedro, cantou no coral paulistano do Theatro Municipal, depois de ter atuado na série Vesperais Líricas. Mas foi no Theatro São Pedro que obteve projeção no cenário lírico brasileiro. Hoje, encanta-se ao ver um público cada vez mais diversificado nos espetáculos. E se diverte com alguns, já conhecidos, que se sentam sempre nas mesmas poltronas e, ao final das récitas, procuram os solistas para opinar, comentar e elogiar. “Ficamos muito felizes, porque sentimos esse carinho, mesmo que venha daquela pessoa que não compreenda exatamente o que seja a ópera”.