Diário Oficial do Estado de São Paulo 13/06/2012 | DOESP
Executivo I
FOTOS: RUY JOBIM NETO/GCOM - SDECT
IV-São Paulo, 122 (109)
Diário Oficial Poder Executivo - Seção I
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Nos últimos anos, a inovação tornou-se tema recorrente no ambiente empresarial. No entanto, essa presença não tem revelado resultados práticos. “Isso se deve a uma razão muito simples: a inovação não é apenas um exercício de vontade. É uma decisão econômica, limitada por uma série de fatores, em especial econômicos, estruturais e regulatórios. Não temos ainda essa cultura”, afirma o diretor do Decomtec (Departamento de Competitividade e Tecnologia) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho.
Parceria leva à criação de três programas direcionados à capacitação das empresas para a gestão de projetos
USP e indústria
se unem pela inovação
Parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a indústria paulista tem como intuito a mudança dessa situação. A iniciativa da Fiesp, do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), além da própria USP, por intermédio da Agência USP de Inovação, visa à melhoria da capacidade de gestão da inovação nas empresas e ao aumento dos investimentos em pesquisas para isso.
Abrange três programas, lançados no último 31 de maio, direcionados a empresários: o Programa de Extensão Tecnológica, desenvolvido em conjunto com o Ciesp e o Senai SP, para atender a 240 empresas de pequeno e médio portes, em seis localidades; o Programa Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação de Petróleo e Gás (Nagi), parceria entre a USP, Senai SP e Fiesp, que prevê a capacitação
Roriz Coelho: “Inovação é decisão econômica"
de 400 empresas em dez regiões estratégicas do setor; e o Curso de Aperfeiçoamento de Gestão da Inovação nas Empresas, em parceria com a Agência USP de Inovação Tecnológica, que oferecerá 500 vagas a empresários de todas as áreas.
Segundo o diretor do Decomtec, é a primeira parceria ampla da Fiesp voltada à questão da inovação. E um passo fundamental. “A inovação, antes de tudo, é o resultado de alianças entre tecnologias, pessoas e centros de pesquisas, para se conhecer cada vez mais as exigências do consumidor”, explica.
Ele considera que as empresas enfrentam, hoje, uma dificuldade muito grande de competição internacional. “Por isso, há
uma demanda, quase de sobrevivência, pela inovação, ou seja, pelo desenvolvimento de produtos com valores agregados, que as tornam hábeis a essa competição. O empresário brasileiro sabe que, se ele não se engajar num processo inovativo, dificilmente vai ganhar essa competição”, afirma.
Para o pró-reitor de pesquisa da USP, Marco Antônio Zago, mais importante do que o produto lançado é o modelo de proximidade da universidade com o setor produtivo. “Nós não podemos perder a noção de qual é de fato a nossa missão central, que é a formação de pessoas, de técnicos, de pessoas de nível superior com qualidade, capazes de atuar eventualmente no setor acadêmico, mas principalmente no setor
produtivo. Isso é fundamental para os dias de hoje”, afirma. E conclui: “Estamos nos comprometendo com isso. Estamos passando das palavras aos atos”.
Núcleos locais - As realizações envolvem a formação de núcleos locais de assessoria e capacitação dos empresários que, além de difundir conhecimento acumulado sobre o tema, apoiarão processos de busca de informações, de financiamentos, e de análise, estruturação e implantação de projetos.
O Programa de Extensão Tecnológica, que tem como público-alvo microempresas, além das de pequeno e médio portes, já foi iniciado e se estende até o fim de 2013, com workshops, atividades de capacitação em promoção e gestão de inovação, elaborações e implantações de projetos.
O Nagi é voltado especificamente à cadeia de petróleo e gás e tem como metas a sensibilização de 400 empresas e o desenvolvimento de cem diagnósticos e 80 planos de inovação, em 24 meses, a partir deste mês.
O curso de aperfeiçoamento de gestão será realizado na Universidade de São Paulo, sob a coordenação da Agência USP de Inovação, como extensão, e dará direito a certificado. Segundo o diretor da agência, Vanderlei Bagnato, seu objetivo principal é a capacitação de profissionais da indústria para a identificação e aproveitamento de oportunidades para a realização de projetos de inovação. Semipresencial, o curso terá 250 horas de atividades e aulas com especialistas do ramo. Simone de Marco
Da Agência Imprensa Oficial
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Parque Tecnológico de Sorocaba: impulso para a inovação
São Paulo tem um novo parque tecnológico. Trata-se do Parque Tecnológico Alexandre Beldi Netto, em Sorocaba, cujo núcleo central foi inaugurado durante o primeiro dia da Conferência Internacional de Inovação em Parques Tecnológicos (Conintec 2012). O novo espaço conta com 11 mil m2, divididos entre o centro administrativo, a incubadora de empresas de base tecnológica, laboratórios, auditório e hall de eventos. Até o momento, o Governo do Estado investiu R$ 13 milhões na obra.
Construído com o objetivo de incentivar o desenvolvimento tecnológico na região e ampliar a interação entre universidades, institutos de pesquisas e órgãos do setor público e privado, o empreendimento
está localizado numa área de 1,2 milhão de m2, na zona industrial norte da cidade. O objetivo é que o Parque de Sorocaba também venha a exercer papel fundamental na preservação ambiental da região.
Para tanto, está associado ao parque municipal da biodiversidade, que além de dispor de mais de 600 mil m2 para preservação de mananciais, flora e fauna, trabalha na realização de pesquisas ambientais.
O primeiro vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, define o novo local como um tripé que une o conhecimento das universidades ao apoio do poder público, tanto na esfera municipal, como na estadual, e a necessidade
das indústrias. “É um espaço que está se abrindo para fazer com que Sorocaba tenha um setor produtivo mais elevado, com pesquisa de alta tecnologia, produtos de maior valor agregado e funcionários mais bem remunerados”, avalia.
Ele informa que dez universidades, além de outros centros de pesquisa, como o FIT - Instituto de Tecnologia, irão integrá-lo. São elas: PUC-SP, Fatec-Sorocaba, UFSCar-Sorocaba, Facens, Uniso, Unesp, USP, FEI, Mauá e Unicamp.
Syllos, que também é presidente do Conselho da Inova, empresa responsável pela gestão do Parque, considera que no Brasil ainda não é forte a cultura de inovação e de parques tecnológicos, com vistas
a transformar conhecimento em produtos para a sociedade. “Essa cultura está muito presente na Europa, mas aqui é um processo novo, e Sorocaba está se colocando como um dos polos pioneiros”, comenta.
De acordo com dados da Ciesp, o município tem mais de 1,8 mil empresas e, a região, aproximadamente, 3 mil. Dessas, mais de 90% são micro e pequenas empresas. Syllos garante que o Ciesp será o porta-voz dessa maioria na gestão do Parque Tecnológico. “Boa parte delas não terá como instalar um centro de pesquisa lá dentro, então, a gente encaminhará as suas demandas”, concluiu.
Da Agência Imprensa Oficial
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