Supremo Tribunal Federal 01/06/2016 | STF

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Número de movimentações: 1327

Origem: AC - 01104477120088260100 - TRIBUNAL DE JUSTIÇA ESTADUAL Procedência: SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSUMIDOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO. SISTEMA DE ECONOMIAS. CLASSIFICAÇÃO DE CONSUMIDOR. IMÓVEL NÃO RESIDENCIAL. PRETENSÃO DE RESTITUIÇÃO DE TARIFAS. ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL LOCAL APLICÁVEL À ESPÉCIE. DECRETOS 21.123/1983 E 41.446/1996 DO ESTADO DE SÃO PAULO. SÚMULA 280 DO STF. PRECEDENTES. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. SÚMULA 636 DO STF. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : "Água. Sistema de economias. Prédio comercial. Prescrição. Inocorrência. Incidência do disposto no art. 29, III, do Decreto Estadual n. º 21.123/83 e na Norma Interna n.º 43. Inexistência, também, de requerimento administrativo pleiteando a reclassificação. Improcedência da ação de respeito ao débito. Apelação não provida."  (fl. 30 do doc. 8). Os embargos de declaração opostos foram desprovidos. Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação aos artigos 5º, caput  e II, e 37, caput , da Constituição Federal. É o relatório. DECIDO . A repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF). Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro motivo, não há como se pretender seja reconhecida “ a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso ” (artigo 102, § 3º, da CF). Para divergir do entendimento firmado pelo Tribunal a quo  seria necessária a análise da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Decretos 21.123/1983 e 41.446/1996 do Estado de São Paulo e Leis Federais 6.528/1978 e 11.445/2007). A jurisprudência desta Corte pacificou-se no sentido de que a controvérsia relativa à interpretação de normas infraconstitucionais não dá ensejo ao destrancamento do recurso extraordinário, uma vez que eventual ofensa ao texto constitucional se daria de maneira indireta ou reflexa. Incide, na espécie, também, a Súmula 280 do STF, de seguinte teor: “ Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". A propósito, menciono as lições do ilustre professor Roberto Rosas sobre a Súmula 280 desta Corte: “ A interpretação do direito local ou então a violação de direito local para possibilitar o recurso extraordinário é impossível, porque o  desideratum do legislador e a orientação do STF são no sentido de instituir o apelo final no âmbito da lei federal, mantendo a sua supremacia. A Súmula 280, seguindo nessa esteira, afirma que por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. Ressalte-se que, quando as leis estaduais conflitam no tempo, a matéria já está no plano do direito federal, porquanto o Direito Intertemporal é do âmbito da lei federal (RE 51.680, Rel. Min. Luiz Gallotti, DJU 1.8.1963). Quanto às leis municipais adota-se o mesmo ponto concernente às leis estaduais. As Leis de Organização Judiciária são locais, estaduais, portanto não podem ser invocadas para a admissão de recurso extraordinário, sendo comum os casos onde surgem problemas no concernente ao julgamento da causa pelo tribunal  a quo , discutindo-se a sistemática nos julgamentos: juízes impedidos, convocação de juízes etc. (RE 66.149, RTJ 49/356).  ” ( Direito Sumular.  São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 138). Nesse sentido: “ DIREITO TRIBUTÁRIO. SANEAMENTO BÁSICO. TARIFA DE ÁGUA E ESGOTO. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE IMÓVEL. DECRETO ESTADUAL PAULISTA 41.446/1996. EXAME DE LEGISLAÇÃO LOCAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 280/STF. DEBATE DE ÂMBITO INFRACONSTITUCIONAL. EVENTUAL VIOLAÇÃO REFLEXA NÃO ENSEJA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRECEDENTES. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 25.5.2010. A suposta ofensa aos postulados constitucionais somente poderia ser constatada a partir da análise da legislação infraconstitucional local apontada no apelo extremo, o que torna oblíqua e reflexa eventual afronta, insuscetível, portanto, de viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. Tendo a Corte Regional dirimido a lide com espeque em interpretação de legislação local, incide, na espécie, o óbice da Súmula 280/STF: Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. Agravo conhecido e não provido.”  (RE 686.777-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2013). “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. DECRETO ESTADUAL. SANEAMENTO BÁSICO. TARIFA DE ÁGUA E ESGOTO. CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO LOCAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Súmula 280 do STF é peremptória ao afirmar que: Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. 2. Deveras, para se chegar à conclusão contrária à adotada pelo acórdão recorrido como deseja o agravante, sobre a aplicação, ao agravante, do sistema de economias para cobrança dos serviços de fornecimento de água e coleta de esgoto, necessário seria o reexame da legislação local que o orientou (Decreto Estadual 21.123/83, revogado pelo Decreto Estadual nº 41.446/96 e o Decreto Federal 82.587/78), o que inviabiliza o extraordinário. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. ” (RE 687.891-AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 9/10/2012). “ PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. ÔNUS DO RECORRENTE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. SERVIÇO DE COLETA DE ESGOTO. COBRANÇA BASEADA NO CONSUMO TOTAL DE ÁGUA. DECRETO ESTADUAL 41.446/96. SÚMULA 280/STF. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. ” (ARE 872.217-AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, Segunda Turma, DJe de 7/5/2015). No que diz respeito à violação ao princípio da legalidade, aplica-se o teor da Súmula 636 desta Corte: “ Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida ”. Ex positis, DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: PROC - 05076125820094058400 - TRF5 - RN - TURMA RECURSAL ÚNICA Procedência: RIO GRANDE DO NORTE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. PENSÃO MILITAR E PENSÃO CIVIL. CUMULAÇÃO. RAZÕES SUFICIENTES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 283 DO STF. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo nas alíneas a  e b  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : ”DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO INOMINADO. MILITAR. PENSÃO MILITAR E CIVIL. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. DECADÊNCIA ADMINISTRATIVA. DEZ ANOS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. IMPROVIMENTO DO RECURSO - É da tradição republicana brasileira a vedação à acumulação remunerada de cargos e funções públicas, com as exceções constitucionais. - A proibição de acumular proventos de inatividade não se aplicava aos militares da reserva aos reformados, quanto ao exercício de mandato eletivo, quanto ao de função de magistério ou de cargo em comissão ou quanto ao contrato para prestação de serviços técnicos ou especializados (Constituição de 1967 na redação da EC n.º 1, de 1969, art. 93, § 9º). - A Constituição de 1967, na redação da EC n.º 1/69, bem como a Constituição de 1988, antes da EC n.º 20/98, não obstavam o retorno do militar reformado ao serviço público e a posterior aposentadoria no cargo civil, acumulando os respectivos proventos. Precedentes do Supremo Tribunal Federal [MS .º 24.997 e MS n.º 25.015, Relator o Ministro EROS GRAU, DJ 01.04.05; e MS n.º 24.958, Relator o Ministro MARCO AURÉLIO, DJ 01.04.05]. (STF – Pleno – MS n.º 25113/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 07/04/2005, DJ, de 06/05/2005). - Na hipótese dos autos, o instituidor da pensão passou para a reserva remunerada da Marinha no ano de 1961, vindo a contrair a partir de 1976 vínculo celetista da UFRN, aposentando-se como servidor civil em 1982 e, após o seu óbito, em 1993, ocorrendo a concessão à autora das pensões militar e civil, cumulativamente. - Não há qualquer irregularidade no ato concessivo das pensões, uma vez que tanto a aposentadoria militar quanto a aposentadoria civil, bem como a pensão por morte, ocorreram antes da Emenda Constitucional n.º 20/98, quando não era vedada a cumulação de proventos. - A informação de que a autora, além das pensões, também recebe aposentadoria estatutária não merece guarida, uma vez que, segundo informações acostadas pela recorrente, a aposentadoria estatutária também foi concedida anteriormente à EC n.º 20/98 – 22/03/1990 -, de modo a não prejudicar a sua fruição pela autora. - Mas ainda que a acumulação de pensões fosse passível de nulidade, a Lei n.º 9.784/99 dispôs que, praticado o ato considerado ilegal antes de sua vigência, a Administração tem o prazo de dez anos para anulá- lo. No caso, com a União iniciou o processo de revisão apenas em setembro de 2009, desde fevereiro daquele ano já decaíra tal possibilidade, sendo legítimo o recebimento cumulado das pensões e aposentadoria pela autora. - Precedentes (STJ – Resp 1.114.938/AL – Terceira Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 14/04/2010), em relação ao qual guardo respeitosas reservas. - Sentença mantida pelos próprios fundamentos. - Improvimento do recurso.” Embargos providos para fins de prequestionamento. Nas razões do apelo extremo, sustenta a preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação ao artigo 37, XVI e XVII, da Constituição Federal de 1998 e ao artigo 99, § 2º, da Constituição de 1969. É o relatório. DECIDO . A repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF). Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro motivo, não há como se pretender seja reconhecida “ a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso ” (artigo 102, § 3º, da Constituição Federal). O Tribunal de origem manteve a sentença ao fundamento de que decaiu o direito da Administração de rever a legalidade da cumulação de proventos, ressaltando o seu entendimento pela possibilidade de cumulação. Por sua vez, a recorrente, nas razões do extraordinário, limitou-se a argumentar pela inconstitucionalidade da cumulação de pensões e, ao assim proceder, deixou de atacar razões que são suficientes para a manutenção da decisão vergastada. Incide, na espécie ,  o enunciado da Súmula 283 do STF: “ É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles ”. Por oportuno, vale destacar preciosa lição de Roberto Rosas acerca da Súmula 283 do STF: “ Pontes de Miranda sustentava opinião favorável à admissão do recurso extraordinário com fulcro num dos fundamentos quando a decisão assenta em vários (Comentários ao Código de Processo Civil, 2ª ed., t. XII/278). Opiniões contrárias são sustentadas por Lopes da Costa (Direito Processual Civil Brasileiro, 2ª ed., v. III/418) e José Afonso da Silva (Do Recurso Extraordinário, p. 201), que inadmitem o recurso nessas condições. A Súmula 283 expressa que é inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida tem mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles (RE 65.072, Rel. Min. Amaral Santos, RTJ 53/371; RE 66.768, Rel. Min. Djaci Falcão, RTJ 52/606; RE 60.854, Rel. Min. Barros Monteiro, RTJ 45/855; RE 63.174, Rel. Min. Evandro Lins, RTJ 45/419; RE 79.083, Rel. Min. Rodrigues de Alckmin, RTJ 75/844; RE 79.623, RTJ 75/849; RE 84.077, RTJ 80/906). Aplicável o disposto nesta Súmula (decisão assentada em mais de um fundamento) às decisões do STJ (REsp 16.076; REsp 21.064; REsp 23.026; REsp 29.682). V. Luiz Guilherme Marinoni,  Manual do Processo de Conhecimento , Ed. RT, 2001, p. 561. ” ( Direito Sumular . São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 140). Destaca-se, nesse sentido: “ AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INVIABILIDADE DO AGRAVO. SÚMULA 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Inviável o agravo de instrumento que não ataca todos os fundamentos autônomos da decisão recorrida (Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal). Agravo não provido. ” ( AI 489.247-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJ de 16/2/2007 ). Ex positis , DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 25 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: MS - 50148607820144040000 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO Procedência: SANTA CATARINA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. AUSÊNCIA DO NECESSÁRIO PREQUESTIONAMENTO. ÓBICE DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : “ PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS MORATÓRIOS. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento segundo o qual: (a) os depósitos judiciais relacionados a processos que tramitam na Justiça Federal são obrigatoriamente feitos na Caixa Econômica Federal, nos termos do artigo 1º, I, do Decreto-lei n. 1.737/1979; e (b) o respectivo montante não vence juros (artigo 3º,  caput ), sendo apenas corrigido monetariamente, segundo a sistemática do Decreto-lei n. 2.323/1987 (artigo 4º). 2. Hipótese em que deve ser deferido o pedido liminar, com a suspensão dos efeitos do comando judicial impugnado pela parte impetrante, sem prejuízo da reanálise da temática após o oferecimento de informações pela autoridade apontada como coatora. ” (Doc. 112). Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta ofensa ao artigo 5º, XXII, da Constituição Federal. É o relatório. DECIDO . Ab initio,  a repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF). Consectariamente, se inexiste questão constitucional, não há como se pretender seja reconhecida a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso (artigo 102, § 3º, da CF). Verifica-se que o dispositivo da Constituição Federal que a parte ora recorrente considera violado não foi debatido no acórdão recorrido. Além disso, não foram opostos embargos de declaração para sanar tal omissão, faltando, ao caso, o necessário prequestionamento da questão constitucional, o que inviabiliza a pretensão de exame do recurso extraordinário. Incidem, portanto, os óbices das Súmulas 282 e 356 do STF: “ É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada”  e “O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento ”. A respeito da aplicação das aludidas súmulas, assim discorre Roberto Rosas: “ A Constituição de 1891, no art. 59, III,  a , dizia: 'quando se questionar sobre a validade de leis ou aplicação de tratados e leis federais, e a decisão for contra ela'. De forma idêntica dispôs a Constituição de 1934, no art. 76, III,  a : ‘quando a decisão for contra literal disposição de tratado ou lei federal, sobre cuja aplicação se haja questionado'. Essas Constituições eram mais explícitas a respeito do âmbito do recurso extraordinário. Limita-se este às questões apreciadas na decisão recorrida. Se foi omissa em relação a determinado ponto, a parte deve opor embargos declaratórios. Caso não o faça, não poderá invocar essa questão não apreciada na decisão recorrida. (RTJ 56/70; v. Súmula 356 do STF e Súmula 211 do STJ; Nelson Luiz Pinto, Manual dos Recursos Cíveis, Malheiros Editores, 1999, p. 234; Carlos Mário Velloso, Temas de Direito Público, p. 236). [...] Os embargos declaratórios visam a pedir ao juiz ou juízes prolatores da decisão que espanquem dúvidas, supram omissões ou eliminem contradições. Se esse possível ponto omisso não foi aventado, nada há que se alegar posteriormente no recurso extraordinário. Falta o prequestionamento da matéria. A parte não considerou a existência de omissão, por isso não opôs os embargos declaratórios no devido tempo, por não existir matéria a discutir no recurso extraordinário sobre essa questão (RE 77.128, RTJ 79/162; v. Súmula 282). O STF interpretou o teor da Súmula no sentido da desnecessidade de nova provocação, se a parte opôs os embargos, e o tribunal se recusou a suprir a omissão (RE 176.626, RTJ 168/305; v. Súmula 211 do STJ). ” ( Direito Sumular . São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 139-140 e 175-176). Nesse sentido, AI 738.029-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 25/6/2013, e ARE 737.360-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe de 24/6/2013, assim ementado: “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. AGRAVO IMPROVIDO. I – É inadmissível o recurso extraordinário se a questão constitucional suscitada não tiver sido apreciada no acórdão recorrido. Ademais, não opostos embargos declaratórios para suprir a omissão, é inviável o recurso, nos termos da Súmula 356 do STF. II – Agravo regimental improvido. ” Ex positis, DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: AC - 50008656520104047007 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO Procedência: PARANÁ DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário interposto pelo Estado do Paraná contra acórdão que, confirmado em sede de embargos de declaração pelo E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, está assim ementado : “ ADMINISTRATIVO. EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADO DE CONCLUSÃO/DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAL E MORAL. LEGITIMIDADE PASSIVA DA UNIÃO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-C DO CPC. RESPONSABILIDADE. O eg. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 1.344.771 pela sistemática prevista no art. 543-C do CPC, na redação dada pela Lei n.º 11.672/2008, consolidou o entendimento no sentido de que, ‘em se tratando de demanda em que se discute a ausência/obstáculo de credenciamento da instituição de ensino superior pelo Ministério da Educação como condição de expedição de diploma aos estudantes, é inegável a presença de interesse jurídico da União, razão pela qual deve a competência ser atribuída à Justiça Federal, nos termos do art. 109, I, da Constituição Federal de 1988'. Evidenciada a divergência entre o posicionamento adotado por esta Corte e aquele sufragado pelo STJ, e tendo em vista a faculdade concedida pelo art. 543-C, § 7º , inciso II, do CPC, o entendimento original desta Corte deve ser ajustado às razões que fundamentaram o precedente- -paradigma. Conquanto o art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.º 9.394/1996) atribua à União a competência para o credenciamento de instituições de ensino no âmbito dos programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada, o art. 87, do mesmo diploma legal, determinou – expressamente e em caráter transitório – ao Distrito Federal, aos Estados, aos Municípios e apenas supletivamente à União, a realização de programas de capacitação para todos os professores em exercício, inclusive com os recursos da educação à distância. Além de não restringir o universo dos destinatários da norma transitória (p. ex., a ‘professores com vínculo empregatício devidamente comprovado'), o art. 87 não referiu a necessidade de autorização federal para as modalidades não presenciais. E era razoável que assim não o fizesse à época, haja vista a urgência na qualificação de um número significativo de profissionais em todo o território nacional até o final da ‘Década da Educação'. ” A parte recorrente, ao deduzir este apelo extremo, sustentou que o Tribunal “ a quo ” teria transgredido o preceito inscrito no art. 37, § 6º, da Constituição da República. Cumpre ressaltar , desde logo , que a verificação da procedência, ou não, das alegações deduzidas pela parte recorrente implicará necessário reexame dos fatos e das provas existentes nos autos, circunstância esta que impede o conhecimento do apelo extremo, nos termos da Súmula 279/STF . Impõe-se registrar , por relevante, no que concerne à própria controvérsia ora suscitada , que o entendimento exposto na presente decisão tem sido observado em julgamentos proferidos no âmbito desta Suprema Corte ( ARE 873.202/RS , Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA – RE 874.807/SP , Rel. Min. LUIZ FUX – RE 880.672/PR , Rel. Min. ROSA WEBER, v.g. ): “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DO DIPLOMA DE GRADUAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL DA UNIÃO. VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO NEXO DE CAUSALIDADE. NECESSIDADE DO REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO JÁ CARREADO AOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 279/STF. 1. O nexo de causalidade apto a gerar indenização por dano moral em face da responsabilidade do Estado, quando controversa sua existência, demanda a análise do conjunto fático-probatório dos autos, o que atrai a incidência da Súmula nº 279/STF que dispõe: ‘Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário.' 2. O recurso extraordinário não se presta ao exame de questões que demandam revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, adstringindo-se à análise da violação direta da ordem constitucional. 3. ‘In casu', o acórdão recorrido assentou: ‘ADMINISTRATIVO. APELAÇÕES. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ORIENTAÇÃO CONSOLIDADA NO STJ. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. 543-C, § 7º, DO CPC. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. ALINHAMENTO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AÇÃO ORDINÁRIA – ENTREGA DE DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR SEMI-PRESENCIAL REALIZADO PELA FACULDADE VIZIVALI NO ÂMBITO DO PROGRAMA ESPECIAL DE CAPACITAÇÃO PARA A DOCÊNCIA DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E DA EDUCAÇÃO INFANTIL INSTITUÍDO PELO ESTADO DO PARANÁ. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PRESCRIÇÃO – INOCORRÊNCIA. INVALIDADE DA AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO DO CURSO OUTORGADA PELO ESTADO DO PARANÁ – USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE CIVIL DA UNIÃO. PROGRAMA RESTRITO AOS PROFESSORES COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO – REALIZAÇÃO DO CURSO PELA PARTE AUTORA COM O PREENCHIMENTO DO REQUISITO SUBJETIVO – AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE CIVIL DA VIZIVALLI. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS DEVIDA PELO ESTADO DO PARANÁ. SUCUMBÊNCIA – DISCIPLINA DA RELAÇÃO PROCESSUAL DA PARTE AUTORA COM AS RÉS UNIÃO E VIZIVALLI – DISCIPLINA DA RELAÇÃO PROCESSUAL DA PARTE AUTORA COM O ESTADO DO PARANÁ. PREQUESTIONAMENTO.' 4. Agravo regimental DESPROVIDO. ” ( RE 848.865-AgR/PR , Rel. Min. LUIZ FUX) Vê-se , portanto , que a pretensão deduzida, em sede recursal extraordinária, pela parte ora agravante revela-se processualmente inviável, pois o recurso extraordinário não permite que se reexaminem, nele , em face de seu estrito âmbito temático, questões de fato ou aspectos de índole probatória ( RTJ 161/992 – RTJ 186/703), ainda mais quando tais circunstâncias, como sucede na espécie , se mostram condicionantes da própria resolução da controvérsia jurídica, tal como enfatizado no acórdão recorrido, cujo pronunciamento sobre matéria de fato reveste-se de inteira soberania  ( RTJ 152/612 – RTJ 153/1019 – RTJ 158/693, v.g. ). Sendo assim , e tendo em consideração as razões expostas , não conheço do recurso extraordinário, por manifestamente inadmissível ( CPC/15 , art. 932, III). Publique-se. Brasília, 24 de maio de 2016. Ministro CELSO DE MELLO Relator
Origem: AMS - 200338000070874 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIAO Procedência: MINAS GERAIS DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PENSÃO POR MORTE. CÁLCULO SEGUNDO A LEI VIGENTE AO TEMPO DA CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO: SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM OS PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a , da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da Primeira Região: “CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO, SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL, APOSENTADORIA, TEMPO DE TRABALHO SOB O REGIME CELETISTA. CONVERSÃO. CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS. POSSIBILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. 1. Remessa oficial tida por interposta, nos (termos do art. 12, parágrafo único, da Lei n°. 1.533/51, reproduzido à íntegra pelo art.14, parágrafo primeiro da Lei n°. 12.016/09, porquanto proferida sentença concessiva de segurança. 2. A contagem especial do tempo de serviço é uma compensação pela exposição contínua a elementos ou situações prejudiciais à saúde ou integridade física do trabalhador, sendo que o tempo de serviço prestado sob condições insalubres, penosas ou perigosas, seja na iniciativa privada, seja submetido ao regime celetista, depois convertido em estatutário pela Lei 8.112/90, deve ser considerado para fins de aposentadoria na esfera pública. 2. Em observância ao direito adquirido, previsto constitucionalmente, se o trabalhador laborou sujeito a condições adversas e a norma de regência da época admitia a contagem diferenciada do tempo de serviço, não pairam dúvidas quanto à correlata prerrogativa de computá-lo na Administração Pública para fins de concessão de aposentadoria. 3. Apelação improvida. Remessa oficial tida por interposta parcialmente provida para determinação dos índices de correção monetária e juros a serem aplicados sobre as diferenças devidas” . Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. No recurso extraordinário, a Recorrente alega afronta aos “arts. 5º, inc. XXXV; 93 da Carta Magna, inc. IX; 40, § 1º, inc. III, al. ‘b' e § 5º c/c o art. 201, § 7º, inc. I e § 8º (art. 202, inc. III, em sua redação originária), além do art. 165, inc. XX, da CF/67 (com a redação dada pela EC n. 18/81)”  (fl. 75, vol. 5). Assevera que apesar de opostos os embargos de declaração, o Tribunal de origem decidiu que “a entidade pública estaria rediscutindo questões já decididas no acórdão, a despeito das mesmas não terem sido total e devidamente analisadas quando do julgamento da apelação”  (fl. 78, vol. 5). Argumenta que a “aposentadoria relativa aos professores no tocante ao período ainda relativo ao regime celetista está disposta no art. 201, § 8º, da Constituição da República, fazendo expressa remissão ao § 7º do mesmo artigo, este último relacionado não à aposentadoria especial, mas à aposentadoria por tempo de contribuição, devendo-se, em função do privilégio de redução do tempo necessário à obtenção do benefício, segundo entendimento do Pretório Excelso, interpretar restritivamente as regras, à luz do disposto – após a Emenda n. 20/98 – no artigo 40, § 1º, III, b e § 5º (anterior: art. 40, III, b) c/c o art. 201, § 7º, I e § 8º (anterior: artigo 202, III), da Constituição Federal”  (fl. 81, vol. 5). Conclui que o “acórdão recorrido aplicou indevidamente ao instituidor da pensão as regras de um servidor público comum (e não aquelas afetas à categoria específica do magistério), para fins de admitir a contagem majorada de tempo de serviço”  (fl. 79, vol. 5). 3. O recurso foi admitido com base em referência a precedente do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual, “para efeito de aposentadoria, não é possível a conversão do tempo de magistério em tempo de exercício comum”  (ARE 703551 AgR, Relator Ministro Dias Toffoli, Primeira Turma, Dje 6.12.2012). Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO . 4. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 5. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia de forma suficiente, com base no acervo fático-probatório, aplicando a legislação infraconstitucional vigente na data da aposentadoria do instituidor da pensão: “8. Na hipótese vertente, conforme bem destacou o juízo a quo, consta dos autos certidão emitida pela UFMG para fins de aposentadoria voluntária (fl. 92), informando que o ex-servidor, contava com um total de tempo de serviço líquido em atividade de magistério de 7.045 dias, observado o critério de conversão do Parecer PJ 123/91, sobre a proporção de 35/30, tempo que, somado aos demais períodos de trabalho averbados pelo de cujus, alcançavam 35 anos, 02 meses e 21 dias de tempo de serviço em 28.7.92. 9. Desta forma, não resta dúvida de que o instituidor atingiu tempo de serviço suficiente para aposentar-se com proventos integrais, conforme disposto no art. 186, III, a, da Lei n. 8.112/90 e, consequentemente, de ter seu benefício majorado com a inclusão da vantagem prevista no art. 192, I, da quele mesmo diploma legal. (…) 10. Há que se ressaltar que a alegação da apelante, no sentido de que a pretensão de contagem especial do período de tempo laborado carece de regulamentação, a teor do § 1º do art. 40 da Constituição da República, mostra-se inconsistente, visto que se trata, in casu, de pretensão de reconhecimento ao Direito à regência normativa vigente ao tempo da prestação do trabalho, submetido às normas da CLT, e nã oda Lei n. 8.112/90 (…) 13. Em observância ao direito adquirido, previsto constitucionalmente, se o trabalhador laborou sujeito a condições adversas e a norma de regência da época admitida a contagem diferenciada do tempo de serviço, não pairam dúvidas quanto à correlata prerrogativa de computá-lo na Administração Pública para fins de concessão de aposentadoria. 14. Registre-se que o Supremo Tribunal Federal tem assentado o entendimento de que o direito ao tempo de serviço é regido pela lei vigente à data de sua prestação e não pela norma reguladora da data em que completados os requisitos para a aposentadoria” . No julgamento dos embargos de declaração, o Tribunal a quo  realçou tratar-se, “ in casu , de pretensão de reconhecimento ao Direito à regência normativa vigente ao tempo da prestação do trabalho, submetido às normas da CLT, e não da Lei n. 8.122/90”  (fl. 44, vol. 5). Não se há falar em negativa de prestação jurisdicional quando o julgado examina a questão ainda que contrariamente à argumentação da Parte. 6. Na espécie, a apreciação do pleito recursal exigiria o revolvimento de fatos e provas e da legislação previdenciária aplicável ao tempo da aposentadoria, ao que não se presta o recurso extraordinário (Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal). 7. O Superior Tribunal de Justiça negou seguimento ao Recurso Especial n. 664.800, interposto concomitantemente ao recurso extraordinário, em decisão transitada em julgado no dia 5.5.2015 (fl. 42, vol. 6): “Assim, dessume-se que o acórdão recorrido está em conformidade com o entendimento do STF e do STJ, no sentido de que o servidor público ex-celetista que, antes da transposição para o regime estatutário, prestou serviços em condições especiais tem direito à contagem de tempo, com incidência do fator de conversão, nos termos da legislação previdenciária vigente à época da prestação do serviço”  (fls. 3-34, vol. 6) 8. O fundamento infraconstitucional do acórdão proferido pelo Tribunal de origem tampouco tendo sido afastado pelo Superior Tribunal de Justiça, subsistindo e sendo suficiente para manutenção do julgado. Nesse sentido por exemplo: “ Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Agente político. Militar. Anistia e promoção. 3. Existência de fundamento infraconstitucional autônomo suficiente para manter o acórdão recorrido. Prescrição. Enunciado 283 da Súmula desta Corte. 4. Impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório. Enunciado 279 da Súmula desta Corte. 5. Ausência de argumentos suficientes para infirmar a decisão agravada. 6. Agravo regimental a que se nega provimento ” (ARE n. 741.411- AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 3.10.2013). “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. EXPORTAÇÃO. FUNDAMENTO INFRACONSTITUCIONAL SUFICIENTE. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO OU NÃO PROVIDO. SÚMULA 283 DO STF. AGRAVO IMPROVIDO. I – Aplica-se a Súmula 283 desta Corte na hipótese em que o fundamento infraconstitucional suficiente que ampara o acórdão recorrido tornou-se definitivo ante decisão do Superior Tribunal de Justiça que não conhece ou não provê recurso especial que o impugnava. II – Agravo regimental improvido ” (RE n. 611.693-AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, DJe 11.4.2011). “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. INTERPOSIÇÃO SIMULTÂNEA DO RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO PROVIDO. SUBSISTÊNCIA DO FUNDAMENTO INFRACONSTITUCIONAL SUFICIENTE À MANUTENÇÃO DO JULGADO. SÚMULA N. 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO ” (RE n. 827.447-AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 29.9.2014). 9. Ademais, o acórdão recorrido harmoniza-se com a jurisprudência deste Supremo Tribunal, segundo a qual, “se aplica ao benefício previdenciário da pensão por morte a lei vigente ao tempo em que ocorrido o fato ensejador de sua concessão, no caso, o óbito do instituidor da pensão” (ARE 774760 AgR, Relator Ministro Dias Toffoli, Primeira Turma, Dje 11.3.2014). Nada há a prover quanto às alegações da Recorrente. 10. Pelo exposto, nego provimento ao recurso extraordinário (art. 932, inc. IV, al. a , do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se . Brasília, 27 de maio de 2016. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
Origem: PROC - 50063633720134047202 - TRF4 - SC - 3ª TURMA RECURSAL Procedência: SANTA CATARINA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DA CARREIRA DA PREVIDÊNCIA, DA SAÚDE E DO TRABALHO - GDPST. EXTENSÃO AOS SERVIDORES INATIVOS. INTEGRALIDADE. LIMITAÇÃO DA EXTENSÃO. TERMO FINAL DO DIREITO À PARIDADE REMUNERATÓRIA ENTRE SERVIDORES ATIVOS E INATIVOS. DATA DA REALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO DO PRIMEIRO CICLO. RE 662.406-RG. REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO. PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL REJEITADA PELO PLENÁRIO DO STF NO ARE 748.371. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de agravo nos próprios autos objetivando a reforma de decisão que inadmitiu recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : “Trata-se de recurso da parte autora contra sentença que julgou improcedente pedido de revisão do benefício de aposentadoria por invalidez através do pagamento dos proventos integrais de inatividade, considerando sua última remuneração da atividade. Requer que seus proventos de aposentadoria reflitam a última remuneração que lhe foi adimplida no mês anterior à sua inatividade, inclusive no tocante a GDPST (80 pontos), em respeito à integralidade. Afirma que a redução do valor da gratificação de desempenho não deve ser autorizada em respeito aos ditames da Emenda Constitucional nº 70/12. As razões apresentadas em sede recursal não são suficientes para infirmar o que foi decidido pelo juízo monocrático. Assim, confirmo a sentença exarada por seus próprios fundamentos, nos termos do art. 46 da Lei nº 9.099/95, combinado com o art. 1º da Lei nº 10.259/01, salientando que: ‘(...) Trata-se de ação em que a parte autora postula a revisão do benefício de aposentadoria por invalidez mediante cálculo dos proventos tomando-se por base a integralidade das verbas remuneratórias por ela percebidas no último mês em atividade, inclusive os valores atinentes à gratificação GDPST referentes a essa competência. 2.1. Competência Afasto a preliminar suscitada pela União uma vez que a presente ação tem natureza previdenciária (art. 3º, § 1º, III, Lei nº 10.259/01). 2.2. Mérito Da GDPST Busca em resumo a parte autora que sua aposentadoria seja calculada a partir da integralidade dos valores que lhe foram pagos a título de GDPST no último mês de atividade (março/2013). A Gratificação de Desempenho de Atividade da Seguridade Social e do Trabalho – GDASST – foi criada pela Lei 10.483/02. O art. 4º do referido regramento direcionava tal gratificação aos integrantes da Carreira da Seguridade Social e do Trabalho. O art. 5º, por sua vez, previa a forma de cálculo da gratificação, estabelecendo que o servidor faria jus de 10 a 100 pontos, correspondendo cada ponto ao montante estabelecido nos anexos da lei. Exemplificando, até junho de 2003 o servidor de cargo com nível superior receberia R$5,06 por ponto, enquanto o servidor de nível intermediário receberia R$1,65. A mesma lei, no artigo 11, estabeleceu que, até 31 de maio de 2002 e até que seja editado o ato referido no art. 6º, a GDASST será paga aos servidores ocupantes de cargos efetivos ou cargos e funções comissionadas e de confiança, que a ela fazem jus, nos valores correspondentes a 40 pontos por servidor´. Em contrapartida, o art. 8º da lei atribuiu a gratificação também a aposentados e pensionistas nos seguintes termos: Art. 8º A GDASST integrará os proventos da aposentadoria e as pensões, de acordo com: I – a média dos valores recebidos nos últimos 60 (sessenta) meses; ou II – o valor correspondente a 10 (dez) pontos, quando percebida por período inferior a 60 (sessenta) meses. Parágrafo único. Às aposentadorias e às pensões existentes quando da vigência desta Lei aplica-se o disposto no inciso II deste artigo. Por fim, o art 6º da lei previu que ato do Poder Executivo disporia sobre os critérios a serem observados para realização das avaliações. Em virtude da ausência de manifestação do poder regulamentar, foi editada a Medida Provisória nº 198/04, que alterou a Lei nº 10.483/02 e, em seguida, foi convertida na Lei 10.971/04, dispondo no art. 6º que enquanto não regulamentada a lei, os servidores ativos receberiam 60 pontos, enquanto que aos inativos (art. 7º) pagar-se-ia montante equivalente a 30 pontos. A GDASST foi extinta em 29/02/2008 em virtude da nova redação do art. 5º da Lei 11.355/06, sendo substituída pela GDPST. A Medida Provisória 431/2008, convertida na Lei 11.784/08, disciplinou a indigitada Gratificação de Desempenho da Carreira da Previdência, da Saúde e do Trabalho (GDPST). A lei, ao dispor acerca da referida vantagem, do mesmo modo que para a GDASST, que a antecedeu, estabeleceu pontuação menor aos aposentados e pensionistas para fixação do valor da gratificação, fixando, mesmo na ausência da avaliação de desempenho dos servidores ativos, 80 pontos para estes servidores (parágrafo 5º do artigo 5º-B da Lei 11.355/06), revelando tratamento desigual no cálculo da remuneração entre ativos e inativos para os quais a gratificação foi fixada em percentuais menores (parágrafo 6º do art. 5º-B da Lei 11.355/06). Muito se debateu sobre os reflexos da paridade em tais gratificações, pois o Poder Público nitidamente criava método para desvincular os valores recebidos por ativos e inativos. A jurisprudência inclinou-se a não admitir tal prática, uma vez que haveria prejuízo ao § 8º do art. 40 da Constituição, em sua redação originária, e também com a redação fixada pela Emenda Constitucional nº 20/98, sem contar ainda com o disposto no art. 7º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Nestes termos, considerando o incremento do número de ações discutindo a matéria, o STF expediu a Súmula Vinculante nº 20, que contém o seguinte teor: A GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE TÉCNICO- ADMINISTRATIVA – GDATA, INSTITUÍDA PELA LEI Nº 10.404/2002, DEVE SER DEFERIDA AOS INATIVOS NOS VALORES CORRESPONDENTES A 37,5 (TRINTA E SETE VÍRGULA CINCO) PONTOS NO PERÍODO DE FEVEREIRO A MAIO DE 2002 E, NOS TERMOS DO ARTIGO 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 10.404/2002, NO PERÍODO DE JUNHO DE 2002 ATÉ A CONCLUSÃO DOS EFEITOS DO ÚLTIMO CICLO DE AVALIAÇÃO A QUE SE REFERE O ARTIGO 1º DA MEDIDA PROVISÓRIA NO 198/2004, A PARTIR DA QUAL PASSA A SER DE 60 (SESSENTA) PONTOS. Vê-se que embora a gratificação objeto da súmula seja a GDATA, o fundamento da decisão aplica-se também à gratificação ora analisada. Por sinal, há precedente daquela Corte albergando a gratificação substituída pela gratificação em comento (RE 572052, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/2009, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO Dje-071 DIVULG 16-04-2009 PUBLIC 17-04-2009 EMENT VOL-02356-12 PP-02372 RTJ VOL-00210-02 PP-00917) Tal entendimento partiu da ideia de que o simples fato de ter sido concedida a gratificação aos inativos retira o caráter de gratificação vinculada ao exercício do cargo e a transforma em vantagem de caráter genérico. Todavia, o caráter genérico da GDPST permaneceu somente até a Portaria nº 3.627/2010, de 19/11/2010. Nesse sentido: (…). Com a fixação dos critérios para avaliações do desempenho individual e institucional e a edição da Portaria nº 3.627/2010, de 19/11/2010, o que ensejou o encerramento do caráter genérico da gratificação, não há falar em equiparação dos servidores ativos e inativos para fins de percepção da gratificação, devendo ela ser consentânea ao que estabelece a Lei 11.355/2006 para cada categoria. Feito este breve resumo acerca da gratificação e de sua regulamentação que retirou o caráter genérico da GDPST, passo a examinar o cerne da controvérsia. GDPST e Aposentadoria por Invalidez Não há dúvidas de que a autora foi aposentada por invalidez, com proventos integrais em 18/03/2013 (PORT6, vento01), época em que como acima visto, a GDPST já não tinha caráter genérico, já que em prática as avaliações dos servidores ativos. A parte autora defende, todavia, com base no artigo 6º-A da Emenda Constitucional n. 70/2012, que sua aposentadoria por invalidez deve incorporar o valor integral da GDPST que percebeu no mês anterior à concessão do benefício previdenciário, ao argumento de que o art. 7º da E.C. n. 41/2003, mencionado no parágrafo único do artigo 6º-A da referida emenda, estende aos servidores inativos quaisquer benefícios ou vantagens concedidos aos servidores em atividade, estabelecendo paridade entre eles. O artigo 7º da EC nº 41/2003 estabelece que: (...) Diferentemente do que alega a autora, a EC n. 70/20012 não estendeu aos servidores inativos todos os benefícios ou vantagens concedidos aos servidores em atividade, ela apenas alterou a base de cálculo do benefício de aposentadoria por invalidez, que abarcava as remunerações utilizadas como base para as contribuições previdenciárias do servidor (parágrafo 3º do artigo 40 da CF), passando a base de cálculo da aposentadoria por invalidez (com previsão no inciso I do parágrafo 1º do artigo 40 da CF) a ser a remuneração do cargo efetivo em que ocorrer a aposentadoria. Ou seja, a EC n. 70/2012 estabeleceu base de cálculo diferente para a aposentadoria por invalidez e garantiu que os proventos desse benefício sejam revistos da mesma forma que as aposentadorias voluntária e compulsória e pensões (parágrafo único do art. 6º-A e art. 7º, ambos da EC n. 41/2003), mesma garantia, aliás, conferida à própria aposentadoria por invalidez ainda antes da EC n. 70/2012 pelo artigo 7º da EC n. 41/2003, que, agora com sistemática de cálculo diferente das demais aposentadoria prevista da EC n. 70/2012, mereceu previsão constitucional específica a respeito, com remissão ao artigo 7º da EC n. 41/2003. Desse modo, a EC n. 70/2012 nada inovou quanto às normas constitucionais até então vigentes desde a EC n. 41/2003, a não ser quanto à base de cálculo da aposentadoria por invalidez. Conquanto o art. 6º-A da EC n. 41/2003, inserido pela EC n. 70/2012, tenha alterado a base de cálculo das aposentadorias por invalidez estabelecendo proventos a partir da remuneração do cargo efetivo em que se der a aposentadoria (base de cálculo), fez expressa remissão à forma da lei. Aliás, seria ilógico não atribuir ao legislador ordinário a melhor regulação da matéria, mormente pela necessidade de estabelecimento de conceitos, como, por exemplo, de ´remuneração´. Neste prisma, a Lei 8.112/90 estabelece em seu artigo 41 que remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens permanentes estabelecidas em lei. A GDPST não caracteriza vencimento do cargo efetivo e nem vantagem permanente, quando buscada no patamar máximo, sobretudo porque a própria lei que instituiu a gratificação, como acima visto, estabeleceu pontuação diferenciada relacionada ao desempenho individual e institucional de cada servidor entre os próprios servidores ativos (art. 5º-B, parágrafos 1º e 2º, Lei 11.355/2006), prevendo, ainda, regras específicas à percepção da gratificação pelos inativos (art. 5º-B, parágrafo 6º, Lei 11.355/2006). Desse modo, tal qual nas demais aposentadorias (voluntária e compulsória) e pensões, a incorporação da GDPST à aposentadoria por invalidez deve obedecer à regras específicas previstas na Lei 11.355/2006, nada tendo a EC n. 70/2012 inovado quanto às normas constitucionais vigentes do valor da aposentadoria com base na integralidade dos valores pagos a autora a título de GDPST no mês imediatamente anterior à aposentadoria. Está é a posição assente na jurisprudência: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. REMUNERAÇÃO COMPOSTA POR GRATIFICAÇÃO DESEMPENHO COM PARCELA VARIÁVEL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PELA TOTALIDADE DA ÚLTIMA REMUNERAÇÃO POR ELES PERCEBIDA. Improvimento da apelação. (TRF4, AC 5005050-47.2013.404.7200, Terceira Turma, Relator p/ Acórdão Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, D. E. 06/02/2014) O precedente citado, inclusive, foi tomado em ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina. Assento, por fim, que o acolhimento da tese autoral colocaria em xeque, inclusive, a súmula vinculante nº 20 do STF, que expressamente consignou a possibilidade de minoração da pontuação do aposentador, quando existente procedimento de avaliação dos ativos. (...)´(grifei) Destaco que as Gratificações de Desempenho foram criadas a fim de estimular a profissionalização na prestação dos serviços públicos e imprimir maior eficiência na gestão da máquina pública. Para tanto, a lei regente da referida gratificação, ao instituí-la, vinculou seu pagamento a um sistema de pontuação variável, a ser aferida periodicamente em razão de metas pré-estabelecidas e seu efetivo cumprimento, tanto em nível individual, quanto do órgão. Isto significa que a GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO é composta por parcela PESSOAL e parcela INSTITUCIONAL, mas ambas aferidas em razão de desempenho: pessoal e do órgão. A gratificação será paga observando o limite máximo de 100 pontos e o mínimo de 30, correspondendo cada ponto ao valor fixado para o nível, classe e padrão em que o servidor se encontrar. Dos 100 pontos, até 20 pontos serão atribuídos em função dos resultados obtidos na avaliação de desempenho individual, e até 80 em razão do desempenho institucional. Aos servidores inativos e pensionistas com direito à paridade/integralidade, por liberalidade do legislador, é devida a metade da pontuação máxima destinada aos ativos, ou seja, 50 pontos. Trata-se de verdadeira liberalidade do legislador, como afirmado, porquanto poderia ele atribuir apenas 10 pontos ou nenhum. Já que não se trata de gratificação de atividade ou profissional, genérica, para a todos os ocupantes de terminado cargo de forma fixa e uniforme, não se pode estender a pontuação obtida em atividade para o cálculo dos proventos da aposentadoria. Por fim, saliento que, conforme entendi
Origem: AREsp - 494803 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Procedência: DISTRITO FEDERAL DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEGITIMIDADE DE ASSOCIAÇÃO PARA AJUIZAR AÇÃO COLETIVA. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO JUDICIAL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE OFENSA CONSTITUCIONAL DIRETA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base na al. a  do inc. III do art. 102 da Constituição da República contra o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: “ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. AÇÃO COLETIVA INTENTADA POR ASSOCIAÇÃO. EXTENSÃO DA DECISÃO A TODOS OS ESCRIVÃES ELEITORAIS DEFINIDA NA AÇÃO DE CONHECIMENTO. COISA JULGADA. LEGITIMIDADE PARA EXECUÇÃO INDIVIDUAL RECONHECIDA. AGRAVO REGIMENTAL DA UNIÃO DESPROVIDO. 1. Depreende-se da análise acurada dos autos que no julgamento dos Embargos Infringentes, referente à Ação Ordinária 2003.72.03.001286-3, na qual se funda a presente execução, o Tribunal de origem afastou a ilegitimidade ativa sustentada pela UNIÃO ao fundamento de que no caso em concreto, foi juntada ata da assembléia que deliberou pelo ajuizamento da ação coletiva principal, determinando a extensão do pagamento da gratificação a todos Escrivães Eleitorais, associados ou não. 2. Reconhecida, assim, a extensão do direito perseguido a todos os Escrivães Eleitorais nos autos do processo de conhecimento, cuja decisão transitou em julgado, não é admissível o reexame da questão em sede de execução de sentença, sob pena de violação à coisa julgada. 3. Registre-se, por fim, que o caso específico dos autos não se assemelha à questão discutida no RE 573.232/SC, pois, enquanto na hipótese dos autos a legitimidade foi definida na ação de conhecimento, estando o pagamento assegurado a todos os Escrivães Eleitorais acorbertado pelo trânsito em julgado do título executivo, na demanda analisada pelo Supremo o acórdão executado é categórico em limitar os efeitos da decisão apenas aos associados que tenham, na data da propositura da ação de conhecimento, autorizado o ajuizamento, rechaçando expressamente a extensão da decisão em sede de execução de sentença. 4. Agravo Regimental da UNIÃO desprovido" (Vol. 7) . Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. 2. A Recorrente alega ter o Tribunal de origem contrariado o art. 5º, inc. XXI, e 97, da Constituição da República. Argumenta que o “acórdão do Superior Tribunal de Justiça, para negar provimento ao recurso especial da União quanto à ilegitimidade, foi no sentido de que o título executivo exequendo estendeu o direito à toda categoria dos escrivães eleitorais. Ao assim proceder, em um só tempo, o Superior Tribunal de Justiça ofendeu a coisa julgada, protegida no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, porque o título executivo exequendo não realizou tal extensão, bem como o disposto no inciso XXI do art. 5º da Constituição Federal, na medida em que título coletivo obtido por associação só pode beneficiar os associados à época da propositura da ação de conhecimento. Além disso, deixou-se de aplicar o art. 2º-A da Lei 9494/1997, sem declaração de inconstitucionalidade, o que ofende o art. 97 da Constituição Federal” ( Vol. 7). Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO . 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. O Tribunal de origem decidiu: ”1. A despeito das alegações da agravante, razão não lhe assiste. 2. Depreende-se da análise acurada dos autos que no julgamento dos Embargos Infringentes, referente à Ação Ordinária 2003.72.03.001286-3, na qual se funda a presente execução, o Tribunal de origem afastou a ilegitimidade ativa sustentada pela UNIÃO ao fundamento de que no caso em concreto, foi juntada ata da assembléia que deliberou pelo ajuizamento da ação coletiva principal, o que permitiu a extensão da decisão de pagamento da gratificação a todos Escrivães Eleitorais. Vale, aqui, transcrever os fundamentos desse decisum: Alega a União que, como na hipótese está a associação atuando como representante processual, torna-se indispensável a autorização expressa dos associados para legitimar a entidade de classe a agir em nome de seus filiados, requerendo, então, a extinção do feito sem análise do mérito, com fulcro nos incisos IV e VI do art. 267 do Código de Processo Civil. Tenho que, nas ações coletivas ajuizada por entidade sindical, não é necessária autorização assemblear . A exigência só se aplica às demais entidades associativas - as quais só têm legitimidade para representar seus associados "quando expressamente autorizadas" (CF, art. 5º, XXI). Os sindicatos atuam em substituição processual de toda a categoria, na medida em que já possuem autorização constitucional do art. 8, III, para defender "os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria". Dessarte, a disposição contida no art. 2º-A, parágrafo único, da Lei n° 9.494/97, com a redação dada pela MP n° 2.180-35, de 24.08.2001, aplica-se tão-somente às entidades associativas do art. 5º, XXI, da Constituição Federal, e não aos sindicatos, que defendem interesses de toda a categoria, e não somente dos associados. O Constituinte, ao instituir a regra do art. 8º, inciso III, da Carta da República, fez a distinção entre entidade de classe e organização sindical, conferindo a substituição processual apenas ao sindicato. E quando a Lei Maior exigiu autorização expressa dos filiados (art. 5º, XXI) distinguiu entre entidade associativa e organização sindical: a autorização é exigida daquela, apenas. As entidades associativas não compreendem organizações sindicais, mas associações de classe, de natureza jurídica diversa daquelas. No caso em concreto, contudo, foi juntada ata da assembléia que deliberou pelo ajuizamento da ação coletiva principal, bem como a relação nominal dos associados, o que leva à improcedência do argumento veiculado pela embargante. 3. Assim, reconhecida a extensão do direito perseguido a todos os Escrivães Eleitorais nos autos do processo de conhecimento, cuja decisão transitou em julgado, não é admissível o reexame da questão em sede de execução de sentença, sob pena de violação à coisa julgada” (Vol. 7). Este Supremo Tribunal assentou que “ a questão relativa aos limites objetivos da coisa julgada é de índole infraconstitucional. Assim, eventual ofensa à Constituição seria indireta ou reflexa, o que enseja o descabimento do recurso extraordinário ” (AI n. 817.329-AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 19.4.2012). Confiram-se também os julgados a seguir: “ MATÉRIA PROTEGIDA PELA COISA JULGADA. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO ” (AI n. 776.831-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 24.3.2011). “ Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Controvérsia referente aos limites objetivos da coisa julgada. Discussão de índole infraconstitucional. Ofensa reflexa. Precedentes. 3. Agravo regimental a que se nega provimento ” (ARE n. 649.655-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 4.11.2011). “ AGRAVO DE INSTRUMENTO - ALEGADA VIOLAÇÃO A PRECEITOS INSCRITOS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO - OFENSA INDIRETA À CONSTITUIÇÃO - CONTENCIOSO DE MERA LEGALIDADE - RECURSO IMPROVIDO. - A ausência de efetiva apreciação do litígio constitucional, por parte do Tribunal de que emanou o acórdão impugnado, não autoriza - ante a falta de prequestionamento explícito da controvérsia jurídica - a utilização do recurso extraordinário. - A discussão em torno da integridade da coisa julgada, por reclamar análise prévia e necessária dos requisitos legais, que, em nosso sistema jurídico, conformam o fenômeno processual da ‘ res judicata ', torna incabível o recurso extraordinário. É que, em tal hipótese, a indagação em torno do que dispõe o art. 5º, XXXVI, da Constituição - por supor o exame, "  in concreto ", dos limites subjetivos (CPC, art. 472) e/ou objetivos (CPC, arts. 468, 469, 470 e 474) da coisa julgada - traduz matéria revestida de índole infraconstitucional, podendo caracterizar situação de eventual conflito indireto com o texto da Carta Política (RTJ 182/746), circunstância que pré-exclui a possibilidade de adequada utilização do recurso extraordinário. Precedentes ” (AI n. 733.272-AgR, Relator o Ministro Celso de Mello, Segunda Turma, DJe 20.11.2009). Nada há a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego provimento ao recurso extraordinário (art. 932, inc. IV, al. a,  do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
Origem: AI - 00043324320144050000 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIAO Procedência: PERNAMBUCO RECURSO    EXTRAORDINÁRIO.    EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO DE CONDENAÇÃO DA FAZENDA EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO MESMO PATAMAR DO ENCARGO LEGAL PREVISTO NO DECRETO LEI 1.025/1969. ARTIGO 20 DO CPC/1973. ISONOMIA. INTERPRETAÇÃO    DE NORMAS    INFRACONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE EXTRAORDINÁRIA. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO : Trata-se de recurso extraordinário interposto com fundamento na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : “ PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. REMISSÃO DA DÍVIDA. ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.941/2009. IMPOSSIBILIDADE. VALOR COBRADO ACIMA DO LIMITE. COMPENSAÇÃO DE COMPETÊNCIAS. NÃO APLICAÇÃO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE NÃO SE PRESTA À DILAÇÃO PROBATÓRIA. EXTINÇÃO PARCIAL DO FEITO. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA PROPORCIONAIS AO VALOR ABATIDO DA DÍVIDA. 1. Agravo de instrumento interposto em face de decisão que, nos autos da execução fiscal de origem, acolheu, em parte, exceção de pré- executividade. 2. O artigo 14 da Lei nº 11.941/2009 prevê que serão remidos os débitos com a Fazenda Nacional que, em 31/12/2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nesta mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00. 3. Na hipótese, contudo, a executada possui outros débitos que, somados ao valor cobrado no feito de origem, superam o valor máximo permitido para a remissão da dívida. 4. No que tange à compensação das competências 04/2002 e 06/2002, as decisões mencionaram os documentos juntados pela própria contribuinte; não sendo demais lembrar que a exceção de pré-executividade não se presta à dilação probatória, devendo a executada opor embargos à execução para viabilizar a cognição exauriente. 5. Ademais, quanto aos honorários, a extinção se deu de maneira parcial, de modo que cabe ao exequente arcar com o ônus da sucumbência, no que concerne ao valor abatido da dívida. 6. Agravo de instrumento não provido. Agravo regimental julgado prejudicado .” Nas razões do apelo extremo, a recorrente sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação ao artigo 5º, caput , da Constituição Federal. Alega que nas execuções fiscais, por força do princípio da isonomia, a Fazenda deveria ser condenada em honorários advocatícios no mesmo patamar do encargo legal imposto ao executado pelo Decreto Lei 1.025/1969. É o Relatório. DECIDO . O recurso não merece provimento. Concluir diversamente do Tribunal a quo  a respeito do montante devido pela Fazenda a título de honorários advocatícios demandaria a interpretação da legislação infraconstitucional de regência (artigo 20 do CPC/1973 e Decreto Lei 1.025/1961), de forma que eventual ofensa ao artigo 5º, caput , da Constituição Federal seria meramente indireta e reflexa, circunstância que inviabiliza o recurso extraordinário. Nesse sentido: “ Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Fixação de honorários advocatícios sucumbenciais em face da Fazenda Pública. Matéria infraconstitucional. Art. 20, § 4º, CPC. Ofensa reflexa. Incidência da Súmula 270. 3. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento .” (AI 783.155-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe de 18/9/2014) “ AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ART. 20, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS FIXADOS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM: MANUTENÇÃO. VALOR DOS HONORÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO .” (RE 501.750-ED-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe de 3/3/2011) Ex positis, DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 25 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: PROC - 20147005162158 - TJRJ - PRIMEIRA TURMA RECURSAL FAZENDÁRIA Procedência: RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PRINCIPAL. FRACIONAMENTO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : “Acordam os Juízes que integram a Primeira Turma Recursal Fazendária, por unanimidade, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento para manter a sentença por seus próprios fundamentos. Sem custas à isenção legal- art. 17, IX, §1° Lei 3.350/99. Condeno o recorrente ao pagamento de honorários advocatícios de 10% do valor da condenação, considerando a menor complexidade da demanda, valendo esta súmula como Acórdão. Presente ao julgamento o membro do Ministério Público, Dr. Marcus Maselli Gouvêa,. Mat. 1.815.” Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação aos artigos 100, caput  e § 3º, da Constituição Federal e 87 do ADCT. É o relatório. DECIDO . A repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF). Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro motivo, não há como se pretender seja reconhecida “ a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso ” (artigo 102, § 3º, da Constituição Federal). Verifica-se que os dispositivos constitucionais, que o agravante considera violados, não foram debatidos no acórdão recorrido. Além disso, não foram opostos embargos de declaração para sanar tal omissão, faltando, ao caso, o necessário prequestionamento da questão constitucional, o que inviabiliza a pretensão de exame do recurso extraordinário. Incide, portanto, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF: “ É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada ” e “ o ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento ”. A respeito da aplicação das aludidas súmulas, assim discorre Roberto Rosas: “ A Constituição de 1891, no art. 59, III,  a , dizia: 'quando se questionar sobre a validade de leis ou aplicação de tratados e leis federais, e a decisão for contra ela'. De forma idêntica dispôs a Constituição de 1934, no art. 76, III,  a : ‘quando a decisão for contra literal disposição de tratado ou lei federal, sobre cuja aplicação se haja questionado'. Essas Constituições eram mais explícitas a respeito do âmbito do recurso extraordinário. Limita-se este às questões apreciadas na decisão recorrida. Se foi omissa em relação a determinado ponto, a parte deve opor embargos declaratórios. Caso não o faça, não poderá invocar essa questão não apreciada na decisão recorrida. (RTJ 56/70; v. Súmula 356 do STF e Súmula 211 do STJ; Nelson Luiz Pinto, Manual dos Recursos Cíveis, Malheiros Editores, 1999, p. 234; Carlos Mário Velloso, Temas de Direito Público, p. 236). (...) Os embargos declaratórios visam a pedir ao juiz ou juízes prolatores da decisão que espanquem dúvidas, supram omissões ou eliminem contradições. Se esse possível ponto omisso não foi aventado, nada há que se alegar posteriormente no recurso extraordinário. Falta o prequestionamento da matéria. A parte não considerou a existência de omissão, por isso não opôs os embargos declaratórios no devido tempo, por não existir matéria a discutir no recurso extraordinário sobre essa questão (RE 77.128, RTJ 79/162; v. Súmula 282). O STF interpretou o teor da Súmula no sentido da desnecessidade de nova provocação, se a parte opôs os embargos, e o tribunal se recusou a suprir a omissão (RE 176.626, RTJ 168/305; v. Súmula 211 do STJ). ” ( Direito Sumular . São Paulo: Malheiros, 2012, 14ª Edição, p. 139-140 e 175-176). Nesse sentido, AI 738.029-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 25/6/2013, e ARE 737.360-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe de 24/6/2013, assim ementado: “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. AGRAVO IMPROVIDO. I – É inadmissível o recurso extraordinário se a questão constitucional suscitada não tiver sido apreciada no acórdão recorrido. Ademais, não opostos embargos declaratórios para suprir a omissão, é inviável o recurso, nos termos da Súmula 356 do STF. II – Agravo regimental improvido. ” Ex positis, DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: AP - 20090052264 - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS Procedência: AMAZONAS DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PENAL. PROCESSUAL PENAL. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a , da Constituição da República contra o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: “"RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA. MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. CONDENAÇÃO. PRETENDIDA ABSOLVIÇÃO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 07 DO STJ. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA DETERMINADA EM OUTRO PROCESSO. PROVA EMPRESTADA. ALEGADA NULIDADE, POR NÃO TER SIDO TRANSLADADA A INTEGRALIDADE DOS AUTOS RESPECTIVOS. QUESTÃO IRRELEVANTE. DENÚNCIA E CONDENAÇÃO LASTREADAS EM PROVAS OUTRAS. FIXAÇÃO DA PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. DESVALOR DA CULPABILIDADE. FUNDAMENTO IDÔNEO. PENA DE PERDA DO CARGO DE PROMOTOR DE JUSTIÇA. INCIDÊNCIA DA LEI N.º 8.625/93. NECESSIDADE DE AJUIZAMENTO DE AÇÃO CIVIL PELO PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA, DEPOIS DE AUTORIZADO PELO COLÉGIO DE PROCURADORES. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O acórdão condenatório entendeu suficientemente demonstrada a existência de provas de autoria e materialidade para a condenação do Recorrente. Infirmar tais fundamentos com o escopo de absolvê-lo, por insuficiência probatória, inclusive com aplicação do princípio in dubio pro reo, é inviável no âmbito desta Corte Superior de Justiça, na medida em que implicaria o reexame de todo o conjunto fático-probatório, o que atrai o óbice da Súmula n.º 07 desta Corte. 2. A denúncia foi oferecida com base em procedimento investigatório conduzido no âmbito do próprio Ministério Público Estadual, que foi instruído com depoimentos e documentos outros, absolutamente idôneos, além da prova emprestada, consistente em interceptações telefônicas efetuadas em outro processo. Também não há nos fundamentos do acórdão condenatório nenhuma menção acerca da prova emprestada. 3. Nesse cenário, é irrelevante a controvérsia jurídica suscitada em torno da eventual nulidade por ausência de juntada de todos os elementos colhidos nos autos em que se determinou a escuta telefônica, uma vez que não repercute no acervo probatório que ensejou o processo, desde a denúncia, até a condenação. 4. Vale como circunstância judicial desfavorável, a ensejar maior grau de reprovabilidade da conduta, o fato de o crime de corrupção passiva ter sido praticado por Promotor de Justiça, em ato diretamente vinculado às suas específicas atribuições (promessa de que pediria arquivamento de inquéritos policiais que apurariam homicídios), as quais são distintas e incomuns, se equiparadas aos demais servidores públicos lato sensu. 5. Assim, o fundamento considerado pelo Tribunal de origem para justificar o desvalor da culpabilidade não se confunde com os elementos inerentes ao próprio tipo penal, devendo, portanto, ser mantida a majoração da pena-base. 6. A teor do art. 38, § 1.º, inciso I, e § 2.° da Lei n.º 8.625/93, a perda do cargo de membro do Ministério Público somente pode ocorrer após o trânsito em julgado de ação civil proposta para esse fim. E, ainda, essa ação somente pode ser ajuizada pelo Procurador-Geral de Justiça, quando previamente autorizado pelo Colégio de Procuradores, o que constitui condição de procedibilidade, juntamente com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 7. Em se tratando de normas legais de mesma hierarquia, o fato de a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público prever regras específicas e diferenciadas das do Código Penal para a perda de cargo, em atenção ao princípio da especialidade -  lex specialis derogat generali -, deve prevalecer o que dispõe a referida lei orgânica. 8. Recurso especial parcialmente provido, tão somente para afastar a determinação de perda de cargo exarada no acórdão recorrido". 2. O Recorrente alega contrariado o art. 5º, caput, e  incs. LVI e LVII, da Constituição da República. Argumenta que a decisão recorrida “contrariou a expressa proibição de utilização de provas ilícitas (por violação ao contraditório e ampla defesa) no processo, prevista no artigo 5º, LVI, quando aceitou que estas fossem utilizadas na ação penal que culminou na condenação do Recorrente” . Sustenta, ademais, a contrariedade “ao princípio da não- culpabilidade, previsto no artigo 5º, LVII, ao ter deixado de aplicar o princípio do  in dubio pro reo em favor do Recorrente”. Afirma ter sido violado “o princípio da isonomia, previsto no art. 5º, caput , da Constituição, ao afirmar que o simples fato de ser ‘Promotor de Justiça' já autoriza a majoração da pena-base em crime de corrupção passiva, diferenciando-o ilegalmente e, portanto, discriminando-o em relação aos demais funcionários públicos”. Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO . 3. Razão jurídica não assiste ao Recorrente. 4. A pretensa afronta ao art. 5º, caput , e incs. LVI e LVII, da Constituição da República, teria sido suscitada apenas nos embargos de declaração. O Recorrente pondera ter sido, assim, satisfeito o requisito do prequestionamento. Considera-se atendido o requisito do prequestionamento quando oportunamente suscitada a matéria, o que se dá em momento processual adequado, nos termos da legislação vigente. Quando, apontada a matéria constitucional pelo interessado, não há o debate ou o pronunciamento do órgão judicial competente, pode, e deve, haver a oposição de embargos declaratórios para ser suprida a omissão, como é próprio desse recurso. Apenas nos casos de omissão do órgão julgador sobre a matéria constitucional arguida na causa, os embargos declaratórios cumprem o papel de demonstrar a ocorrência do prequestionamento. A inovação da matéria em embargos é juridicamente inaceitável para fins de comprovação de prequestionamento. Primeiramente porque, se não se questionou antes (prequestionou), não há cogitar-se da situação a ser provida por meio dos embargos. Em segundo lugar, se não houve prequestionamento da matéria, não houve omissão do órgão julgador, pelo que não prosperam os embargos por ausência de condição processual. Os embargos declaratórios não servem para suprir a omissão da parte que não tenha providenciado o necessário questionamento em momento processual próprio. Confiram-se, por exemplo, os seguintes julgados: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. MAGISTÉRIO. 1. Constitucionalidade do Fator Previdenciário. 2. Forma de cálculo do benefício: ofensa constitucional indireta. 3. Inovação dos argumentos e do pedido em embargos de declaração. Ausência de prequestionamento da matéria constitucional suscitada. Súmula n. 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo regimental ao qual se nega provimento” (ARE n. 712.775-AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 20.11.2012). “EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Inovação recursal. Inadmissibilidade. Ausência de prequestionamento. 1. A recorrente inovou a discussão relativa à constitucionalidade das taxas de conservação, limpeza e combate a sinistros nos embargos de declaração opostos na origem e continuou inovando em sede de recurso extraordinário e, agora, no regimental. Ausência de debate e decisões prévios. Incidência das Súmulas nºs 282 e 356/STF. 2. Agravo regimental ao qual se nega provimento, com aplicação de multa”  (RE n. 602.209-AgR, Relator o Ministro Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 30.11.2011). “A jurisprudência deste Supremo Tribunal firmou-se no sentido de que ‘Os embargos declaratórios só suprem a falta de prequestionamento quando a decisão embargada tenha sido efetivamente omissa a respeito da questão antes suscitada'. Precedentes”  (AI n. 580.465-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ 19.9.2008). “RE: PREQUESTIONAMENTO: SÚMULA 356. O QUE, A TEOR DA SÚMULA 356, SE REPUTA CARENTE DE PREQUESTIONAMENTO É O PONTO QUE, INDEVIDAMENTE OMITIDO PELO ACÓRDÃO, NÃO FOI OBJETO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO; MAS, OPOSTOS ESSES, SE, NÃO OBSTANTE, SE RECUSA O TRIBUNAL A SUPRIR A OMISSÃO, POR ENTENDÊ-LA INEXISTENTE, NADA MAIS SE PODE EXIGIR DA PARTE, PERMITINDO-SE-LHE, DE LOGO, INTERPOR RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOBRE A MATÉRIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E NÃO SOBRE A RECUSA, NO JULGAMENTO DELES, DE MANIFESTAÇÃO SOBRE ELA”  (RE n. 210.638, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 19.6.1998). Não foi atendido o requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula n. 282 do Supremo Tribunal Federal, porque a questão constitucional somente foi suscitada nos embargos, nos termos da decisão recorrida. 5. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 38 da Lei n. 8.038/1990 e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se . Brasília, 25 de maio de 2016. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora
Origem: PROC - 00073063120104036311 - TRF3 - TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS DE SÃO PAULO Procedência: SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CIVIL. FGTS. CONTAS VINCULADAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES APLICÁVEIS. MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA INDIRETA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL NÃO EXAMINADA EM FACE DE OUTROS FUNDAMENTOS QUE OBSTAM A ADMISSÃO DO APELO EXTREMO. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que negou provimento ao pleito autoral de correção dos valores existentes nas contas do FGTS correspondente à diferença decorrente da não aplicação dos índices do IPC divulgado pelo IBGE nos meses de fevereiro de 1989 (10,14%), julho de 1990 (12,92%) e março de 1991 (11,79%), incidentes sobre os saldos existentes nas contas vinculadas do FGTS, acrescidos dos juros de mora e da correção monetária. Os embargos de declaração foram desprovidos. Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação aos artigos 5º, XXXVI, e 7º, I e III, da Constituição Federal. É o relatório. DECIDO . Ab initio,  a repercussão geral pressupõe recurso admissível sob o crivo dos demais requisitos constitucionais e processuais de admissibilidade (artigo 323 do RISTF). Consectariamente, se o recurso é inadmissível por outro motivo, não há como se pretender seja reconhecida “ a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso ” (artigo 102, § 3º, da Constituição Federal). A matéria relativa à atualização das contas vinculadas de FGTS, quando sub judice  a controvérsia ,  implica a análise da legislação infraconstitucional aplicável à espécie, o que se revela inviável em sede de recurso extraordinário, por configurar ofensa indireta à Constituição Federal. Nesse sentido, ARE 807.981, Rel. Min. Rosa Weber, ARE 758.360, Rel. Min. Luiz Fux e AI 804.330, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 4/8/2010, o qual possui a seguinte ementa: “AGRAVO DE INSTRUMENTO. ADMINISTRATIVO. FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO – FGTS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICE DE JANEIRO DE 1989: IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.” Ademais, esta Corte já pacificou entendimento de que inexiste questão de direito temporal a ensejar o conhecimento de recurso extraordinário por ofensa ao artigo 5º, XXXVI, da CF em relação à diferença de correção monetária para atualização de contas vinculadas de FGTS nos meses de fevereiro de 1989, junho e julho de 1990, e de todos os posteriores a fevereiro de 1991 (RE 420.926-AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJe de 4/6/2004). Ex positis , DESPROVEJO o recurso extraordinário, com fundamento no disposto no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: PROC - 10686120181850001 - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Procedência: MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE TEÓFIGO OTÔNI. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA. SÚMULA VINCULANTE 4 DO STF. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário, manejado com arrimo na alínea a  do permissivo constitucional, contra acórdão que assentou, verbis : “ADMINISTRATIVO – APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS – SERVIDOR PÚBLICO – MUNICÍPIO DE TEÓFILO OTONI – ADICIONAL DE INSALUBRIDADE – PREVISÃO NO ESTATUTO DOS SERVIDORES – NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA – NECESSIDADE DE NORMA REGULAMENTADORA – INEXISTÊNCIA – BASE DE CÁLCULO – INTELIGÊNCIA DO ENUNCIADO Nº 4 DA SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA – PRECEDENTES – DANO MORAL – ABORRECIMENTOS INERENTES À PROFISSÃO – DESPROVIMENTO. - Após a Emenda Constitucional nº 19/98, o pagamento de adicional de insalubridade somente é devido se houver previsão legal de cada ente federativo.” Nas razões do apelo extremo, sustenta preliminar de repercussão geral e, no mérito, aponta violação ao artigo 7º, IV, da Constituição Federal e Súmula Vinculante nº 4 do STF. Aduz que: “(..) pela legislação ser omissa no tocante à base de cálculo do adicional de insalubridade, deve o referido adicional ser aplicado sobre o vencimento-base do servidor, sendo desnecessário prévia intervenção legislativa, perante atendimento aos dispositivos constitucionais e ainda levando em consideração o uso do salário mínimo como indexador.” Os autos foram devolvidos ao Tribunal de origem, conforme decisão exarada à fl. 302, com base no art. 543-B do Código de Processo Civil. Os autos retornaram ao Supremo Tribunal Federal pelo seguinte argumento: “ (...) analisando os autos, verifico que a questão jurídica debatida no presente feito apresenta peculiaridades não alcançadas pelo julgado acima. No caso em apreço, discute-se a possibilidade de se fixar a base de cálculo do adicional de insalubridade de servidor público, diante da omissão legislativa .” É o relatório. DECIDO . O recurso não merece prosperar. Com efeito, este Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mérito da repercussão geral reconhecida no RE 565.714, Rel. Min. Cármen Lúcia, declarou a não-recepção do artigo 3º, § 1º, da Lei Complementar 432/1985 do Estado de São Paulo, interditando a indexação de qualquer adicional à variação do valor do salário mínimo. “ CONSTITUCIONAL. ART. 7º, INC. IV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. NÃO-RECEPÇÃO DO ART. 3º, § 1º, DA LEI COMPLEMENTAR PAULISTA N. 432/1985 PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE DE VINCULAÇÃO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE AO SALÁRIO MÍNIMO: PRECEDENTES. IMPOSSIBILIDADE DA MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO POR DECISÃO JUDICIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. O sentido da vedação constante da parte final do inc. IV do art. 7º da Constituição impede que o salário-mínimo possa ser aproveitado como fator de indexação; essa utilização tolheria eventual aumento do salário- mínimo pela cadeia de aumentos que ensejaria se admitida essa vinculação (RE 217.700, Ministro Moreira Alves). A norma constitucional tem o objetivo de impedir que aumento do salário-mínimo gere, indiretamente, peso maior do que aquele diretamente relacionado com o acréscimo. Essa circunstância pressionaria reajuste menor do salário-mínimo, o que significaria obstaculizar a implementação da política salarial prevista no art. 7º, inciso IV, da Constituição da República. O aproveitamento do salário-mínimo para formação da base de cálculo de qualquer parcela remuneratória ou com qualquer outro objetivo pecuniário (indenizações, pensões, etc.) esbarra na vinculação vedada pela Constituição do Brasil. Histórico e análise comparativa da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Declaração de não-recepção pela Constituição da República de 1988 do Art. 3º, § 1º, da Lei Complementar n. 432/1985 do Estado de São Paulo. 2. Inexistência de regra constitucional autorizativa de concessão de adicional de insalubridade a servidores públicos (art. 39, § 1º, inc. III) ou a policiais militares (art. 42, § 1º, c/c 142, § 3º, inc. X). 3. Inviabilidade de invocação do art. 7º, inc. XXIII, da Constituição da República, pois mesmo se a legislação local determina a sua incidência aos servidores públicos, a expressão adicional de remuneração contida na norma constitucional há de ser interpretada como adicional remuneratório, a saber, aquele que desenvolve atividades penosas, insalubres ou perigosas tem direito a adicional, a compor a sua remuneração. Se a Constituição tivesse estabelecido remuneração do trabalhador como base de cálculo teria afirmado adicional sobre a remuneração, o que não fez. 4. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento ”. (RE 565.714- RG, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 8/8/2008). Decidiu-se, por fim, que os critérios de reajuste da base de cálculo do adicional de insalubridade deverão ser fixados pelo legislador, tendo em vista o entendimento firmado por esta Corte, no sentido de que não cabe ao Poder Judiciário decidir sobre o tema, sob pena de atuar como legislador positivo. Precedente: RE 585.483-AgR-ED-ED, Rel. Min. Eros Grau, Primeira Turma, DJe de 14/8/2009, RE 642.633-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe de 21/10/2011, e o AI 469.332-AgR/SP, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 9/10/2009, com a seguinte ementa: “ CONSTITUCIONAL. DIREITO DO TRABALHO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA VINCULANTE 4. ART. 7º, IV, DA CF. 1. O Plenário deste Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 565.714/SP, na mesma oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante 4, decidiu pela impossibilidade de ser estabelecido, como base de cálculo para o adicional de insalubridade a remuneração ou salário base em substituição ao salário mínimo, por concluir que é inviável ao Poder Judiciário modificar tal indexador, sob o risco de atuar como legislador positivo. Precedentes. 2. Agravo regimental improvido. ” O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. Ex positis, DESPROVEJO o recurso, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publique-se. Brasília, 27 de maio de 2016. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado digitalmente
Origem: APCRIM - 200461020069700 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIAO Procedência: SÃO PAULO DECISÃO: Trata-se de recursos extraordinários interpostos em face do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (eDOC 22, p. 2.040): PROCESSUAL PENAL. PENAL. OPERAÇÃO LINCE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. ABSOLVIÇÃO. INTERESSE RECURSAL DO RÉU. LEGALIDADE DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. QUADRILHA OU BANDO. CONCUSSÃO. PREVARICAÇÃO. PROVA. ASPECTOS MATERIAIS. AUTORIA. EFEITO DA CONDENAÇÃO. PERDA DO CARGO. 1. O art. 616 do Código de Processo Penal permite ao Tribunal determinar outras diligências. Contudo, a providência tem caráter meramente supletivo, para esclarecimento dos julgadores, não ensejando nova instrução processual. 2. Verifica-se interesse recursal quando o réu pretende a alteração do fundamento do decreto absolutório, considerando as diferentes repercussões cíveis e administrativas que decorrem da absolvição. 3. A interceptação de ligações telefônicas dos réus foi deferida pelo Juízo a quo  em decisão fundamentada, nos autos do procedimento Criminal Diverso n. 2002.61.02.003194-2, após anuência do Ministério Público Federal, por força de pedido de Autoridade Policial na denominada Operação Lince. 4. A prorrogação de interceptação telefônica é disciplinada pelo art. 5º da Lei n. 9.296/96, não havendo comprovação nos autos de nenhuma ilegalidade no seu deferimento (CPP, art. 156). 5. Comprovados os aspectos materiais e a autoria dos delitos de concussão e prevaricação. 6. Não configura o crime de quadrilha ou bando quando a associação para a finalidade de cometimento de crimes não atingir o mínimo de quatro integrantes. 7. apuração de eventual participação de terceiros nos fatos delituosos não exclui a responsabilidade penal do réu descaracteriza a sua conduta. 8. A perda do cargo é efeito da condenação, cumprindo ser decretada em virtude da infração aos deveres para com a Administração Pública e da pena privativa de liberdade ser superior a 1 (um) ano, nos termos do art. 92, I, a , do Código Penal. 9. Preliminares rejeitadas e apelação de Wilson Alfredo Perpétuo prejudicada. Apelação do Ministério Público Federal parcialmente provido para condenar os co-réus conforme explicitado. Decretada, ex officio , a extinção da punibilidade dos réu Wilson Alfredo Perpétuo, Edison Damião Alves e Edenilson Sebastião Cazula com relação ao delito do art. 319 do Código Penal. Os embargos de declaração opostos por meio de fac-símile não foram conhecidos em razão da intempestividade e da ausência dos originais. No recurso extraordinário de Wilson Alfredo Perpétuo, interposto com base no art. 102, III, “a”, do permissivo constitucional, aponta-se ofensa aos princípios da proporcionalidade, da presunção da inocência, bem como nulidade da decisão que determinou a interceptação telefônica, por ofensa aos arts. 5º, LIV e LVI, e 93, IX, da Constituição. No recurso extraordinário de Edison Damião Alves, interposto com base no art. 102, III, “a”, do permissivo constitucional, aponta-se ofensa aos princípios da presunção da inocência, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, bem como ausência de fundamentação. É o relatório. Decido. Inicialmente, verifico que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao Recurso Especial 1.052.270/SP, simultaneamente interposto ao presente recurso, para afastar o reconhecimento de inquéritos e processos em andamento para fins de caracterização de maus antecedentes e redimensionar as penas dos ora recorrentes. Essa decisão transitou em julgado (eDOC 28, p. 2.786). Prejudicados, portanto, os recursos extraordinários nesse ponto (art. 21, IX, do RISTF). Quanto ao recurso de Wilson Alfredo Perpétuo, observo que a análise da alegação de nulidade da decisão que determinou a interceptação telefônica demandaria o reexame da legislação pertinente (Lei 9.296/1996), bem como do conjunto fático-probatório constante dos autos, o que encontra óbice na Súmula 279 do STF. No recurso extraordinário de Edison Damião Alves, observo a ausência da preliminar formal e fundamentada de repercussão geral na petição do recurso extraordinário, pressuposto de admissibilidade do recurso. Esta Corte, no julgamento do AI-QO 664.567, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Plenário, DJ 06.09.2007, decidiu que o requisito formal da repercussão geral será exigido quando a intimação do acórdão recorrido for posterior a 03.05.2007, data da publicação da Emenda Regimental 21 do STF, o que ocorre no presente caso. Igualmente, importa destacar que alegações vagas e genéricas acerca da transcendência subjetiva da demanda não cumprem o preconizado no art. 1.035 do NCPC, à luz da função de Corte Constitucional desempenhada pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, noto que as questões referentes à violação dos dispositivos constitucionais apontados, não foram objeto de debate no acórdão recorrido. Falta-lhes, pois, o indispensável prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF). Verifico, por outro lado, que o Supremo Tribunal Federal já assentou, sob a sistemática da repercussão geral, que não há ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e dos limites da coisa julgada, quando a violação é debatida sob a ótica infraconstitucional, uma vez que configura ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que torna inadmissível o recurso extraordinário. Confira-se, a propósito, a ementa do ARE-RG 748.371, de relatoria do ministro Gilmar Mendes, DJe de 1º.08.2013: “ Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral .” Por fim, inexiste a alegada ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal. Com efeito, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, ainda que vá de encontro aos interesses do recorrente. Nesse sentido, ao julgar o AI-QO-RG 791.292, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, DJe 13.08.2010, o Plenário desta Corte assentou a repercussão geral do Tema 339 referente à negativa de prestação jurisdicional por ausência de fundamentação e reafirmou a jurisprudência segundo a qual o art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão . Ante o exposto, julgo prejudicado, em parte, os recursos extraordinários e, no restante, nego seguimento ao recursos, nos termos do art. 21, §1º, RISTF. Publique-se. Brasília, 30 de maio de 2016. Ministro EDSON FACHIN Relator Documento assinado digitalmente
Origem: 200534000060478 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIAO Procedência: DISTRITO FEDERAL DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR – VPNI – IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO: SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a,  da Constituição da República contra o julgado do Tribunal Regional Federal da Primeira Região: “ADMINISTRATIVO. SERVIDOR DA IMPRENSA NACIONAL. GRATIFICAÇÃO ESPECÍFICA DE PUBLICAÇÃO E DIVULGAÇÃO DA IMPRENSA NACIONAL – OPÇÃO PELA GEPDIN. LEI N° 11.090/2005. RENÚNCIA A PARCELAS PRETÉRITAS INCORPORADAS À REMUNERAÇÃO. POSSIBILIDADE. VANTAGEM PESSOAL NOMINALMENTE IDENTIFICADA (ARTIGO 38, §§ 1° E 2°). DESCABIMENTO. AFASTAMENTO DE PARCELA PRECÁRIA. APLICAÇÃO DO ART. 9º DA MP Nº 224/2004. ACRÉSCIMO SALARIAL. IMPOSSIBILIDADE DE PERCEPÇÃO DA VANTAGEM. APELAÇÃO DESPROVIDA. 1. A percepção da GEPDIN, instituída pela Lei n° 11.090/2005 para o servidor da Imprensa Nacional ficou condicionada a assinatura de termo de opção e renúncia a diversas parcelas remuneratórias (art. 32, §§ 1° e 2°). 2. Por sua vez, a Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada garante ao servidor, em face da opção pela GEPDIN (artigo 38 e §§ da Lei n° 11.090/2005) a manutenção do valor nominal de sua remuneração como forma de assegurar a eficácia do princípio constitucional da irredutibilidade dos vencimentos. 3. O art. 9º da MP nº 224/2004 dispôs que não é considerada redução de remuneração a renúncia às parcelas de valores incorporados à remuneração. 4. A supressão, como decorrência da opção levada a efeito pelo servidor, de uma parcela percebida por força de decisão judicial não transitada em julgado, não pode ensejar a instituição de uma vantagem pessoal nominalmente identificada, tendo em vista a precariedade com que era feito o pagamento da aludida parcela suprimida. 5. De fato, se o servidor opta por trocar a incerteza da remuneração que lhe era paga em determinada condição, pela convicção quanto à regularidade da paga no regime para o qual quis migrar, não pode escolher pela manutenção do que julgar ser o mais vantajoso de ambos os sistemas, que passariam a ostentar uma conjugação não prevista em lei. 6. Apelação e remessa oficial providas” (fls. 129-133). 2. O Recorrente alega ter o Tribunal de origem contrariado o art. 37, inc. XV, da Constituição da República. Argumenta que “se o inciso XV do artigo 37 da Constituição Federal assegura, como direito dos servidores, a irredutibilidade de vencimentos, qualquer norma infraconstitucional que relegue a segundo plano tal garantia, como é o caso do conteúdo do artigo 9º da MP 224/2004, padecerá tal norma do vício de inconstitucionalidade, o que afasta a sua aplicabilidade dentro do Ordenamento Jurídico. (…) Além da garantia constitucional mencionada, o que há de concreto, no direito positivo, é que o artigo 38 da Lei nº 11.090/2005, assegura ao Recorrente que a assinatura do Termo de Opção pela GEPDIN não poderá implicar redução de remuneração, de proventos e de pensões. Se, por um lado, a MP 224/2004 teria revogado tacitamente o conteúdo do art. 38 da MP 216/2004, por outro lado, a Lei nº 11.090, de 07/01/2005, restabeleceu a plena vigência da garantia contida no seu artigo 38, sendo este o diploma legal que prevaleceu em vigor, com o mesmo conteúdo”  (fl. 150). Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO . 3. Razão jurídica não assiste ao Recorrente. 4 . A reapreciação do julgado demandaria o reexame do conjunto fático-probatório e a análise prévia da legislação infraconstitucional (Leis ns. 11.090/2005 e 11.034/2004) aplicável à espécie. A alegada contrariedade à Constituição da República, se tivesse ocorrido, seria indireta, a inviabilizar o processamento do recurso extraordinário. Incide, na espécie, a Súmula n. 279 deste Supremo Tribunal. Assim, por exemplo: “ DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCURADOR FEDERAL. NATUREZA DA VANTAGEM PESSOAL NOMINALMENTE IDENTIFICADA – VPNI ESTABELECIDA PELA LEI Nº 10.909/2004. AUSÊNCIA DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. PREDECENTES. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal afasta o cabimento do recurso extraordinário quando o deslinde da controvérsia depender do exame da legislação infraconstitucional aplicável ao caso. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento ” (ARE n. 671.730-AgR, Relator o Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 15.5.2015). “ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. 1. SERVIDOR PÚBLICO. VANTAGEM PECUNIÁRIA DE NATUREZA GERAL: EXTENSÃO A TODA CATEGORIA. NECESSÁRIA ANÁLISE PRÉVIA DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. 2. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE COM O PARADIGMA APONTADO. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO ” (ARE n. 819.368-AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 29.9.2014). “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO INCORPORADA. LEIS COMPLEMENTARES 39/85 E 41/86 DO ESTADO DA PARAÍBA. IRREDUTIBILIDADE DA REMUNERAÇÃO. LEGISLAÇÃO LOCAL. FATOS E PROVAS. SÚMULAS 279 E 280 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Supremo Tribunal Federal fixou jurisprudência no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico-funcional pertinente à composição dos vencimentos ou à permanência do regime legal de reajuste de vantagem, desde que eventual modificação introduzida por ato legislativo superveniente preserve o montante global da remuneração, não acarretando decesso de caráter pecuniário. Precedentes. 2. Para dissentir-se do acórdão recorrido seria necessário o reexame de legislação local e de fatos e provas, circunstâncias que impedem a admissão do recurso extraordinário ante os óbices das Súmulas 279 e 280 do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental a que se nega provimento”  (RE 295.750- AgR/PB, Relator o Ministro Eros Grau, Segunda Turma, DJ 1º.8.2008). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. LEGITIMIDADE DE ALTERAÇÃO DA FÓRMULA DE CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO, DESDE QUE RESPEITADA A IRREDUTIBILIDADE DE VENCIMENTOS. OCORRÊNCIA DE DECESSO REMUNERATÓRIO. SÚMULA N. 279. INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. I. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico, sendo legítima a alteração da fórmula de cálculo da remuneração, desde que não provoque decesso remuneratório. Precedentes. II. Para divergir do acórdão impugnado quanto à existência de redução nos vencimentos da recorrida, faz-se necessário o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula n. 279 desta Corte. III. Agravo regimental improvido”  (AI 828.365-AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe 22.5.2013). Nada há a prover quanto às alegações do Recorrente. 6. Pelo exposto, nego provimento ao recurso extraordinário (art. 932, inc. IV, al. a , do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 25 de maio de 2016. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora