Diário Oficial do Estado de São Paulo 04/12/2012 | DOESP
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IV-São Paulo, 122 (226)
Diário Oficial Poder Executivo - Seção I
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
O novo ciclo da água
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) .X ^kpassou a contar com cerca de 350 milhões de litros de água a mais por mês para o abastecimento. O aumento na quantidade do recurso hídrico foi possibilitado pela entrega do Aquapolo Ambiental, projeto pioneiro de produção de água de reúso para fins industriais.
Sabesp inaugura sistema pioneiro de produção de água de reúso destinada a indústrias; é a maior estrutura do gênero no Hemisfério Sul
O empreendimento, inaugurado na quinta-feira, 29, transforma o esgoto da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto, localizada em São Caetano) do ABC em água adequada para o uso em indústrias. É a maior estrutura do gênero no Hemisfério Sul, com capacidade para fornecer até mil litros de água por segundo. Abastecerá cinco empresas do Polo Petroquímico de Ca-puava, que consomem mensalmente 450 milhões de litros de água tratada, o correspondente a 175 piscinas olímpicas (a maior parte era
I Estrutura do Aquapolo Ambiental montada na ETE ABC
fornecida pela Sabesp e o restante, captado pelas empresas no Tamanduateí).
O Aquapolo foi idealizado em 2010 pela Sabesp, em parceria com a Foz do Brasil (empresa de soluções ambientais, da Organização Odebrecht). Exigiu investimento de R$ 364 milhões na construção de uma estação de produção de água de reúso, uma adutora (tubulação) de 17 km que leva a água da ETE até o polo, localizado em Mauá, e redes de distribuição que somam 3,6 km. A realização teve o aporte da Braskem (indústria petroquímica do polo), que consumirá boa parte da água produzida pela Aquapolo. O fornecimento para a empresa está garantido por 41 anos.
Para a presidente da Sabesp, Dilma Pena, o projeto é estratégico e uma referência. “Estamos numa região de grande escassez de disponibilidade hídrica e temos de achar alternativas como essa. Cada vez mais vamos usar água de reúso, com tratamento específico, para abastecer a indústrias”. Segundo ela, a Sabesp está aberta às parcerias com a iniciativa privada que visem ao bem público e já domina o modelo tecnológico do Aquapolo.
De acordo com dados da companhia, a Região Metropolitana de São Paulo tem em média 140 mil litros de água por habitante por ano, menos de 10% do que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera ideal. Outras soluções adotadas para enfrentar o problema são as ações de estímulo ao uso racional de água, que nos últimos dez anos reduziram o consumo médio per capita em 14,4%, e o combate às perdas, com investimentos que até o fim da década chegarão em R$ 1,9 bilhão.
Depois da filtragem do esgoto, a água segue para tratamento biológico
Também está em curso o projeto de um novo sistema produtor. No dia 8 de novembro, foi lançado edital de Parceria Público-Privada para o São Lourenço, que captará 4,7 m3/s de água no Reservatório Cachoeira do França (bacia do Alto Juquiá), no Vale do Ribeira. A obra, orçada em R$ 1,68 bilhão, vai beneficiar 1,5 milhão de moradores de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista e está prevista para ser concluída em cinco anos.
Água customizada - A água produzida pela Aquapolo tem como matéria-prima o esgoto tratado. E, ao final do processo de transformação, adquire até mais pureza do que a potável, porém não é própria para o consumo por não conter os elementos necessários ao organismo humano, como sais minerais, dentre outros. “É uma água customizada”, esclarece o diretor de produção da Aquapolo, Fernando Gomes.
Trata-se de um produto específico para as necessidades das empresas petroquímicas. Por exemplo, no processo de tratamento está prevista a dessalinização, procedimento voltado à preservação do maquinário industrial. A água de reúso abastecerá, em princípio, a Braskem e mais quatro empresas do Polo Petroquímico: Oxicap, White Martins, Cabot e Oxiteno. Juntas, consumirão 65% da produção da Aquapolo, e o excedente de 35% poderá ser ofertado a outras empresas da região, ainda não definidas.
O diretor da nova empresa explica que, além da perfeita adequação ao uso, a água produzida a partir da ETE também será 50% mais barata que a fornecida pela Sabesp para as indústrias. E esclareceu que não se configura aí uma concorrência, já que a água de reúso produzida pela Companhia de Saneamento não é para fins industriais, mas para uso em jardinagem, lavagem de pátios e até em descargas. Segundo Fernando Gomes, o que o projeto promove é a melhora do abastecimento da Região Metropolitana, com um novo ciclo de água.
O diretor regional da Foz do Brasil, Guilherme Pascoal, diz que a realização da Aquapolo é um exemplo do foco dos projetos da sua empresa, que visa a contribuir para a universalização dos serviços de saneamento básico, auxiliando o País na promoção da saúde pública e da preservação ambiental. “O Estado de São Paulo é referência nacional na busca de soluções”, disse. Para o vice-presidente da Braskem, Rui Chammas, a inauguração do sistema é um momento único para o Brasil, pois traz inúmeros benefícios para São Paulo e região. “É um exemplo de como preservar recursos naturais numa região de escassez hídrica”, concluiu.
17 km dc adutora
1.000 U.
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Sáa CsBlann Sul
Sarda André
Simone de Marco
Da Agência Imprensa Oficial
Confirma a exclusão?