Supremo Tribunal Federal 18/03/2021 | STF

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Tribunal Federal é incontroversa no tocante à causa debatida, entre
outras de igual patamar argumentativo.

3. Tendo o acórdão recorrido solucionado as questões a si postas
com base em preceitos de ordem infraconstitucional, não há espaço para a
admissão do recurso extraordinário, que supõe matéria constitucional
prequestionada explicitamente.

4. A argumentação do recurso extraordinário traz versão dos fatos
diversa da exposta no acórdão, de modo que seu acolhimento passa
necessariamente pela revisão das provas. Incide, portanto, o óbice da Súmula
279 desta Corte (Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário). 5. Agravo interno a que se nega provimento. Não se aplica o
art. 85, § 11, do CPC/2015, tendo em vista que não houve fixação de
honorários advocatícios nas instâncias de origem” (grifei).

No mesmo sentido, cito precedente da Segunda Turma deste
Tribunal:

“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO

EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. INTERPOSIÇÃO EM 8.3.2019.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL.
DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO.

1. Nos termos da orientação firmada nesta Corte, cabe à parte
recorrente demonstrar fundamentadamente a existência de repercussão geral
da matéria constitucional em debate no recurso extraordinário, mediante o
desenvolvimento de argumentação que, de maneira explícita e clara, revele o
ponto em que a matéria veiculada no recurso transcende os limites subjetivos
do caso concreto do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico.

2. Revela-se deficiente a fundamentação da existência de
repercussão geral de recurso extraordinário que se restringe a alegar de
forma genérica que a questão em debate tem repercussão geral.

3. Agravo regimental a que se nega provimento” (ARE 1.164.479-
AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, Segunda Turma - grifei).

Ademais, esta Corte firmou orientação no sentido de ser
inadmissível, em regra, a interposição de recurso extraordinário para discutir
matéria relacionada à ofensa aos princípios constitucionais do devido
processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da prestação jurisdicional,
quando a verificação dessa alegação depender de exame prévio de legislação
infraconstitucional, por não configurar situação de ofensa direta ao texto
constitucional. Esse entendimento foi consolidado no julgamento do ARE
748.371-RG/MT (Tema 660), da relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que
se rejeitou a repercussão geral da matéria sob os seguintes fundamentos:

“Ementa: Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema
relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa,
dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa
dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas
infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral”.

Outrossim, os Ministros deste Tribunal, no julgamento do AI 791.292-
QO-RG/PE (Tema 339 da Repercussão Geral), da relatoria do Ministro Gilmar
Mendes, reafirmaram a jurisprudência desta Corte no sentido de que a
exigência do art. 93, IX, da Constituição não impõe que a decisão seja
exaustivamente fundamentada. O que se busca é que o julgador indique de
forma clara as razões de seu convencimento, tal como ocorreu. Por oportuno,
reproduzo a ementa do referido precedente:

“Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso
extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos
XXXV e LX do art. 5° e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal.
Inocorrência. 3.
O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão
ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem
determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das
alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da
decisão.
4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral,
reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar
a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral” (grifei).

Por fim, para divergir do acórdão recorrido e verificar a procedência
dos argumentos consignados no recurso extraordinário, seria necessário o
reexame do conjunto fático-probatório dos autos - o que é vedado pela
Súmula 279/STF - e das normas infraconstitucionais pertinentes, de modo
que eventual ofensa à Constituição seria indireta, o que inviabiliza o recurso.
Com esse entendimento, menciono julgados de ambas as Turmas deste
Tribunal:

“Ementa: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO.
TÍTULO EXECUTIVO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
TOMADA DE CONTAS ESPECIAL. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE
PROVA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO
CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL NO PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 279 DO
STF. PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO AO ERÁRIO.
PRESCRITIBILIDADE. NECESSIDADE,
IN CASU, DE REVOLVIMENTO DO
CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA 279 DO STF. REITERADA REJEIÇÃO DOS ARGUMENTOS
EXPENDIDOS PELA PARTE NAS SEDES RECURSAIS ANTERIORES.
MANIFESTO INTUITO PROTELATÓRIO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO”
(RE 1.031.068-AgR/RN, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma).

“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO

EXTRAORDINÁRIO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL.

FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SUPOSTA CONTRARIEDADE AOS
PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO
PROCESSO LEGAL. NECESSIDADE DE REEXAME DE NORMAS
INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL (TEMA
660). AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO, COM APLICAÇÃO DE
MULTA.

I - A mera alegação, nas razões do recurso extraordinário, de
existência de repercussão geral das questões constitucionais discutidas,
desprovida de fundamentação adequada que demonstre seu efetivo
preenchimento, não satisfaz a exigência prevista no art. 543-A, § 2°, do
CPC/1973, introduzido pela Lei 11.418/2006, e no art. 327, § 1°, do RISTF.

II - O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 748.371-RG/MT
(Tema 660), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, rejeitou a repercussão
geral da controvérsia referente à suposta ofensa aos princípios constitucionais
do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando o
julgamento da causa depender de prévia análise de normas
infraconstitucionais, por não configurar situação de ofensa direta à
Constituição Federal.

III - Agravo regimental a que se nega provimento, com aplicação de
multa (art. 1.021, § 4°, do CPC)” (RE 1.177.202-AgR/PB, de minha relatoria,
Segunda Turma).

No mesmo sentido, indico as seguintes decisões: ARE 1.134.070/SP,
Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 1.211.595/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes;
e ARE 819.104/RS, Rel. Min. Luiz Fux.

Isso posto, nego seguimento ao recurso (art. 21, § 1°, do RISTF).

Publique-se.

Brasília, 18 de março de 2021.

Ministro Ricardo Lewandowski

Relator

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 871.518 (570)

ORIGEM : AC - 200381000046290 - TRIBUNAL REGIONAL

FEDERAL DA 5a REGIAO

PROCED. : CEARÁ

RELATOR : MIN. NUNES MARQUES

RECTE.(S) : UNIÃO

PROC.(A/S)(ES) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO

RECTE.(S) : UFC - UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL FEDERAL (00000/DF)
RECDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
RECDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO
CEARÁ

D E C I S Ã O

Reputo necessário afastar o sobrestamento dos presentes autos.

Trata-se de recurso extraordinário interposto pela União (evento 7,
e-STJ fls. 1.115/1.141),
em face de acórdão do Tribunal Regional Federal da
5a Região
assim ementado (evento 6, e-STJ fls. 977/988):

“PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ADESIVO E
LITISCONSÓRCIO.

1. Cabível recurso adesivo alcançando litisconsortes necessários em
relação aos quais não há recurso principal. Princípios da solidariedade e da
indivisibilidade.

2. Responsabilidade por insuficiência de leitos de UTI - neonatal.
Solidariedade dos Entes centrais e de execução. Responsabilidade do
proprietário e explorador da maternidade por mortes nela ocorridas
decorrentes de infecção.

3. Efeitos da condenação. Arbitramento.

4. Matéria fática que afasta as alegações da UFC. Confissão.

Parcial provimento do recurso da Universidade
Federal do Ceará e da apelação adesiva do Ministério Público
Federal
. Remessas oficiais prejudicadas.”

A recorrente alega violação às normas contidas nos artigos 16, 30,
37,
caput e § 6°, 197 e 198, da Constituição Federal.

Decido.

Consigno, desde logo, que o Colegiado a quo se baseou nos
elementos fático-probatórios dos autos
para concluir que, na específica
hipótese em análise,
“dúvida não tenho quanto à responsabilidade solidária
do Estado do Ceará e da União Federal, excluído o Município de Fortaleza”.

A toda evidência, infirmar aquelas conclusões passaria,
necessariamente, pela reapreciação vedada pelo
Enunciado 279 da Súmula/
STF
.

Em casos fronteiriços, há - entre muitos outros -, os seguintes
precedentes:
ARE 1.180.124-ED-AgR/SP, Ministro Ricardo Lewandowski;
ARE 1.258.458-AgR/MG, Ministro Luiz Fux; RE 486.776-AgR/RJ, Ministro
Roberto Barroso:

Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Direito
Administrativo.
Responsabilidade civil objetiva do Estado. Indenização.
Conduta omissiva.
Fatos e provas. Reexame. Impossibilidade. Precedentes.

1. Inadmissível, em recurso extraordinário, o reexame dos fatos
e das provas dos autos. Incidência da Súmula n° 279/STF

Processos na página

ARE 871518